sábado, 26 de abril de 2014

A Severa, como a vemos, é uma lenda

MARINA TAVARES DIAS, 
texto sobre o nascimento do cinema sonoro português. 
Pequeno excerto:

«[...] O cinema sonoro português só surgirá em 1931, e apenas «pela metade». Em rápido desvio da linha vanguardista até então assumida, Leitão de Barros retorna às fitas inspiradas nos clássicos literários. 

A peça A Severa, de Júlio Dantas, já fora veículo para consagração das actrizes dos primeiros anos do teatro popular do século XX (Palmira Bastos ou Palmira Torres). Pretendia fazer «drama musical» da biografia romanceada de Maria Severa Onofriana.

Na peça que inspira o filme, lá reaparece a Severa transformada em logótipo, de saia encarnada e chinela de polimento, olhares lânguidos e românticos, em tudo contrários à meretriz que habitou a Mouraria oitocentista. Para cúmulo, chegara Dantas a trocar o nome do amante da fadista, decerto por receio de ofender eventuais herdeiros. [...]» 

MARINA TAVARES DIAS


Na imagem: Dina Tereza no papel de Severa, 
no filme de Leitão de Barros

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