domingo, 5 de outubro de 2014

CAFÉ NICOLA





«A fachada de Norte Júnior (1929) e os interiores de Raul Tojal (1935) fazem hoje do Nicola um dos estabelecimentos lisboetas de obrigatória visita turística. Pelas paredes, telas de Fernando dos Santos recordam episódios duma era esquecida: o Rossio de 1800, os improvisos de Bocage, as poses de José Agostinho de Macedo, as candeias a óleo de peixe, os soldados franceses de bicórnio, os frades embuçados. Uma das cenas retratadas não poderia deixar de ser a história que ficou como símbolo máximo da jovialidade de Bocage. Uma história repetida na tradição oral e, mais tarde, pelas inúmeras descrições romanceadas da vida do poeta. Interpelado pela polícia, no Rossio, sobre quem era, de onde vinha e para onde ia, Bocage terá respondido em verso, mais ou menos assim: “Eu sou o Bocage / Venho do Nicola / Vou p’ró outro mundo / Se dispara a pistola”.»

Os Cafés de Lisboa de Marina Tavares Dias
Fotografia de Marina Tavares Dias

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