sábado, 31 de maio de 2014

Peças do ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS





Negativo de vidro do ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS:
Oficiais nazis desfilam perto do Jardim da Estrela (1944).
Fotografia inédita - e intrigante.

Os oficiais serão provavelmente diplomatas de serviço em Lisboa. Seguem sozinhos, sem qualquer apoio de povo ou de militares portugueses, o que parece ser um funeral com honra de Estado. Decerto destinado ao cemitério alemão, ainda hoje existente em Campo de Ourique, muito recatado e desconhecido da maioria dos lisboetas.
Algum avião abatido no espaço aéreo português? Cada imagem conta uma história. Esta está sepultada em Lisboa.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Peças do ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS




A Photographia Rocha, Praça da Alegria de Baixo, especializava-se em retratos de actores. [...]

Os lisboetas de agora não podem imaginar como o público de 1870 adorava o Teatro do seu tempo. Eram sessões seguidas, todos os dias. Lotações sempre esgotadas. [...]

Aqui estão os grandes actores Queiroz, Leone, Augusto e, à direita, Brazão. O futuro «grande Senhor» da Companhia Rosas e Brazão, aqui tão jovem, não parece o mesmo Eduardo Brazão de 1900, já coroado de glória. 

Parecem é todos muito contentes. Tentariam replicar um quadro da peça em cena? - O futuro já não ouve, em surdina, a motivação destas poses. Mas é bom saber que, num dia qualquer, algures entre 1865 e 1870, estes cavalheiros resolveram encenar-se, em conjunto, frente à lente da câmara escura do Sr. Rocha. 

Casa fotográfica que foi demolida para se rasgar a Avenida da Liberdade. E os teatros onde eles representavam? - Esses,  desabaram sob o camartelo municipal, um a um. O empresário trocou de elenco, provavelmente, logo na peça seguinte. E eles, os actores, foram perdendo a juventude quase espampanante aqui exibida. O público foi morrendo, até não restar alguém que os tenha visto em palco. O clamor dos aplausos passou. Outros famosos ocupam o imaginário de outra época. Outros que o público futuro igualmente esquecerá.

Desse tempo, dessa fama, dessa glória, desse quotidiano, desse mundo - ficou esta fotografia.

MARINA TAVARES DIAS,
2013.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

PEÇAS DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS

PEÇAS CURIOSAS 
DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS





Na primeira década da segunda metade de Oitocentos, rara seria a família nobre ou burguesa que não tivesse, em cima da mesa da sala, o álbum das fotografias «carte-de-visite». Presume-se que terá sido o fotógrafo Disderi, com atelier em Paris, quem as celebrizou. Há quem diga que as inventou também. Pequenos rectângulos de papel albuminado serviam para captar a luz do negativo. Estas fotografias eram, depois, montadas em cartolinas, geralmente com o nome ou logótipo do fotógrafo na base ou no verso do cartão.

Ainda hoje, aparecem aos milhares, em leilões «on line», em feiras, em qualquer parte onde se vendam papéis velhos.

O que pouca gente saberá é que, ao serem entregues ao cliente (que geralmente encomendava meia ou uma dúzia), vinham em pequenas caixas de cartolina lavrada a quente, com desenhos, pequeno fecho e o nome do fotógrafo. Dessas caixas só sobreviveram aquelas cujas fotografias nunca chegaram a ser dadas a amigos ou parentes.

Aqui está a caixa para cartes-de-visite da Photographia Universal, na Rua Oriental do Passeio Público, Lisboa (correspondia ao actual lado oriental da Avenida da Liberdade, rasgada entre 1879 e 1886). A julgar pelas fotos no interior, deve datar dos anos entre 1865 e 1870.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Photographias e Embalsamamentos





Drogaria da Rua da Escola Politécnica, Na fachada, a par das tradicionais «drogas» e restantes artigos farmacêuticos, há a curiosa mistura, no mesmo lote publicitário de: «Perfumarias dos melhores auctores. Especialidade de artigos para Photographia, Analyses e Embalsamamentos».

Pormenor de albumina orignal de grande formato (19 x 25 cm), colada em cartão publicitário. Inédita, s/d (c. 1905). ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Arquivo Marina Tavares Dias









Tal como ninguém lhe pode exigir a si, caro leitor, que divulgue contra vontade a fotografia do casamento dos seus pais (por se tratar de documento importante para estudo dos costumes de uma época - e por ser propriedade artística do fotógrafo que a tirou), assim também ninguém pode obrigar um coleccionador de imagens e objectos a divulgá-los, se tal não quiser.

Com os arquivos públicos, como a própria designação indica, não se trata do mesmo. São propriedade do Estado; ou seja, de todos os portugueses. Os seus conservadores são pagos com o dinheiro dos nossos impostos e as peças foram, quase sempre, doadas ou herdadas, sem custos, de palácios e conventos. Os arquivos públicos devem estar abertos e ao serviço de todos os imvestigadores.


Mas, a par deles, existem colecções privadas maravilhosas que nunca foram vistas pelo público em geral. Que só divulga quem quer. Ou quem pretende tirar disso dividendos, influência, contratos com o Estado, etc. Ou então, quem é generoso; quem pratica serviço público voluntário. Existe uma coisa que se chama «direito de posse».


 O ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS é composto por cerca de 40 mil documentos em vários suportes (sobretudo papel), originais de várias épocas e comprados pela escritora ao longo de toda a vida. A maior parte nunca foi publicada, assim como nem todas as fotografias dos muitos livros da autora lhe pertecem. Alguma dessa iconografia, por o respectivo tema - sempre referente ao texto de cada livro - não estar entre o acervo, foi solicitada, e paga, a outras instituições. Essas imagens, claro, não fazem parte das referidas 40 mil peças, embora possam estar em alguns livros de MTD.

Quanto a doações, que nos conste, não existem entre os originais. A investigadora pagou todas as peças de época do seu próprio bolso, em leilões, alfarrabistas, antiquários, feiras de coleccionismo nacionais e estrangeiras, etc. MARINA TAVARES DIAS nunca processou quem copia imagens do seu arquivo pessoal. Mas resta-lhe, ainda, dar a conhecer, e descrever em pormenor em termos históricos, muitos milhares de peças. É uma luta contra o tempo.


sábado, 17 de maio de 2014

STEPHANIE, STEPHANIA, ESTEFÂNIA





O capítulo preferido pela autora da LISBOA DESAPARECIDA. Marina Tavares Dias dedicou uma densa investigação, de mais de 15 anos, ao estudo de todos os documentos relacionados com esta Rainha, tão diferente de todas as outras Rainhas, em qualquer época ou parte do mundo.
Esperamos que publique a biografia, anunciada desde 2002. Ou nunca se fará luz sobre as mentiras históricas instituídas há mais de um século. Mentiras não só sobre a Rainha D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen.
FORÇA! Amanhã é sempre um bom dia para recomeçar!

MARINA TAVARES DIAS 
EM 
LISBOA DESAPARECIDA VII (2001):

«[...] Da primeira vez que entrara, a aia que a acompanhava sentira-se mal[ ...], desculpando-se que a crinolina do vestido não passava porta tão estreita. Estefânia dobrou a sua própria crinolina em duas, seguindo decidida até à escada [...] que conduzia ao quarto [...] da doente. Fazia sempre as camas e batia os colchões de palha, aparentemente sem medo de contrair [...] maleitas, numa época anterior à penicilina, em que a exposição a ambiente insalubre representava perigo hoje impensável [...]

Quando o pai das crianças sofreu um acidente grave que o incapacitou de trabalhar, [...] passou a visitá-los duas vezes por dia, levando sempre consigo almoço e jantar para 12 pessoas. » [CONTINUA NO LIVRO]

segunda-feira, 12 de maio de 2014

PEDRO e STEPHANIE



LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS


biografia da Rainha D. Estefânia
volme VII


«[---]
A 8 de Julho de 1857, dia de Corpus Chisti, Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen terá decidido que casaria com o rei de Portugal. A ideia parece ter partido – e as «Memórias» do conde de Lavradio apontam nesse sentido – , mais uma vez, do príncipe Alberto de Inglaterra.


Após exame minucioso de todas as hipóteses alternativas na escolha de uma futura rainha para Portugal, Alberto informara Pedro de que Estefânia parecia ser a única princesa católica à altura de tal missão, proveniente como era de uma casa liberal, habituada como estava a um estilo de vida simples e conhecida que era a sua vocação para o estudo e para a caridade.


A fama das virtudes do jovem monarca português chegara, por sua vez, a Dusseldorf, sobretudo após a sua heróica permanência em Lisboa durante o surto de cólera que, em 1856, assolara a capital. O regime político português, minado pela incerteza e pela corrupção, tornava ainda mais louvável, aos olhos da Europa, o jovem monarca que, pela sua cultura e seriedade, era considerado um dos mais dotados soberanos do seu tempo.»

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Pobres AVENIDAS NOVAS



Traçadas no final do século XIX, de acordo com o plano urbanístico de Ressano Garcia, as avenidas que partem da Rotunda (ou Praça Marquês de Pombal) determinaram a expansão de Lisboa num eixo que aponta para norte. Foram baptizadas "Avenidas Novas" pelo povo de Lisboa. Foram também ricamente decoradas com alguns dos exemplos mais conhecidos da arquitectura portuguesa dos primeiros anos do século XX, incluindo a maior parte dos edifícios que receberam, então, o célebre Prémio Valmor. Por ganâncias várias, esses edifícios foram quase todos substituídos, ao longo das seis últimas décadas, por construções incaracterísiticas e de volumetria exagerada. Restam alguns exemplos importantes, e um quarteirão praticamente intacto com referências que vão dos finais de Oitocentos até à década de 1930.


Capítulo sobre as AVENIDAS NOVAS
no segundo volume da
LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS

Foto: o edifício Silva Graça, mais tarde convertido em Hotel Aviz e agora Hotel Sheraton, entre as avenidas Fontes Pereira de Melo e Cinco de Outubro.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
Excerto do capítulo "Vendedores e Pregões"

«Pela manhã dentro, os vendedores de fruta, hortaliça, leite e doces chegavam dos arredores saloios. Cabaz à cabeça ou burro pela arreata, eram esperados em todos os bairros. Muitos pregões necessitariam de tradução, se não fossem já bem conhecidos dos lisboetas: "Tamari-dôôôô!"; "A vinte-cincô-salami!"; "Éééé-chega-lá-vaquííínha-chega!".
[...]
Os forasteiros espantavam-se com o hermetismo de algumas destas mensagens publicitárias, e com o facto de em Lisboa tudo se mercar à porta de cada um, como se não houvesse locais para tal destinados.[...]»


sábado, 3 de maio de 2014

LISBOA, 1860

«Claro que a mediocridade impera, qual maldição, e de lés-a-lés, na política. [...]

D. Pedro V, consciente do que pode esperar do Governo, interroga: “Dorme o país, ou está ele morto?” Nas suas cartas pessoais para o Conde de Lavradio queixa-se da “suicida indisciplina da Câmara dos Pares”, da “indolência amável e inofensiva” dos ministérios, da falta de recursos do exército, da imoralidade dos partidos. Portugal está em marcha para um século XX com arremedos medievais. 
[.../...]
D. Pedro V morrerá logo em 1861, deixando vago um trono que durante o reinado do irmão, D. Luís, vai já prenunciar a queda da Monarquia. No início da segunda metade do século XIX, Lisboa dormita, pois, após décadas de convulsões.»

Excerto de crónica de MARINA TAVARES DIAS
(Janeiro de 2010)


D. Pedro V, o Rei liberal por excelência,
cultíssimo e possuidor de inexcedível
rectidão de carácter. A sua morte 
prematura vai deixar Portugal orfão de 
muito mais que um monarca.
(fotografias de Francisco Gomes. 1861)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

AS MUSAS DO TEATRO POLYTEAMA

O Teatro Politeama fugiu ao destino de quase todas as centenárias casas de espectáculo alfacinhas. Goste-se ou não do seu estilo como encenador, devemo-lo, sobretudo, a Filipe La Féria. Basta ver como estão os vizinhos Odeon e Olympia (La Féria parece não ter desistido de recuperar este último, mas as obras são ainda mais avultadas). 

Quanto ao Odeon, com a galeria lateral sobre a Rua dos Condes, em ferro e vidro e quase totalmente destruída, será difícil acudir-lhe já. Porque o deixaram chegar a tal estado? - Hoje em dia, ninguém trabalha junções tão estreitas de vidrilhos soldados a quente no ferro fundido. Tudo o que se conseguiria, seria um pastiche em vitral moderno, ou uma substituição por materiais de liga mais leve. O Odeon dificilmente deixará de morrer. E foram 10 anos (apenas) que lhe ditaram tal sorte. Há dez anos, ainda teria sido possível o restauro.

Por causa destas histórias tristes é que olhamos sempre com algum regozijo para o maravilhoso tecto de Veloso Salgado, quando nos sentamos na centenária sala do Polyteama (ou Politeama). Aqui ficam as fotografias da inauguração, em 1913.