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quarta-feira, 28 de maio de 2014

PEÇAS DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS

PEÇAS CURIOSAS 
DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS





Na primeira década da segunda metade de Oitocentos, rara seria a família nobre ou burguesa que não tivesse, em cima da mesa da sala, o álbum das fotografias «carte-de-visite». Presume-se que terá sido o fotógrafo Disderi, com atelier em Paris, quem as celebrizou. Há quem diga que as inventou também. Pequenos rectângulos de papel albuminado serviam para captar a luz do negativo. Estas fotografias eram, depois, montadas em cartolinas, geralmente com o nome ou logótipo do fotógrafo na base ou no verso do cartão.

Ainda hoje, aparecem aos milhares, em leilões «on line», em feiras, em qualquer parte onde se vendam papéis velhos.

O que pouca gente saberá é que, ao serem entregues ao cliente (que geralmente encomendava meia ou uma dúzia), vinham em pequenas caixas de cartolina lavrada a quente, com desenhos, pequeno fecho e o nome do fotógrafo. Dessas caixas só sobreviveram aquelas cujas fotografias nunca chegaram a ser dadas a amigos ou parentes.

Aqui está a caixa para cartes-de-visite da Photographia Universal, na Rua Oriental do Passeio Público, Lisboa (correspondia ao actual lado oriental da Avenida da Liberdade, rasgada entre 1879 e 1886). A julgar pelas fotos no interior, deve datar dos anos entre 1865 e 1870.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

LISBOA DEPOIS DO TERRAMOTO

Entre os gritos e o desespero que se seguiram à manhã do dia 1 de Novembro de 1755, um homem começou a planear uma cidade nova. Mais prática, mais ampla e mais segura. A cidade das Descobertas dará lugar à cidade do Iluminismo. O Marquês de Pombal traça ruas largas sobre a antiga e confusa malha da baixa lisboeta. Para cada rua, prevê um ramo de comércio: os capelistas, os ourives do ouro e da prata, os correeiros, os douradores, os fanqueiros, etc. O Rossio será realinhado. Desaparecerá o Hospital de Todos os Santos. Nascerão os novos mercados, os novos jardins públicos, os novos botequins. Uma cidade dará lugar a outra. E a Baixa Pombalina guardará sempre, como designação, a sua homenagem ao homem que mandou reconstruir Lisboa.




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

RECORTES

Pormenor de leque aguarelado representando uma cena à
entrada do desaparecido Passeio Público, onde hoje está 
a Avenida da Liberdade. O Passeio lisboeta foi um dos
primeiros temas abordados na LISBOA DESAPARECIDA




Excerto de uma entrevista de Marina Tavares Dias ao JORNAL DE LETRAS, marcando a primeira década da publicação da LISBOA DESAPARECIDA:



«A "Lisboa Desaparecida" completa a sua primeira década. Pedem-me agora que sobre ela escreva, o que se me afigura tarefa espinhosa: nunca tal fiz, ao longo de todo este tempo.
[.../...]

Naquela época, julguei fácil convencer uma editora a investir nos textos do "Popular" (alguns, entretanto, publicados também no "Expresso"), porque contavam já com o que eu julgava ser um público fiel. Ninguém embandeirou em arco, houve hesitações e recusas até ao dia em que, sentada à minha secretária na Redacção, recebi uma chamada: "Somos uma editora nova e gostamos imenso das suas páginas de Sábado". Meses depois, eu e essa "editora nova" estávamos a lançar o primeiro volume da "Lisboa Desaparecida" no Café Nicola. O resto é sabido.

Passaram 10 anos. Muito pouco daquilo que era o meu estilo desse tempo (aos vinte e poucos anos) permanece. Muito pouco do que foram as motivações iniciais é hoje prioritário. Desapareceu o "Diário Popular" - o seu público fiel onde estará? -, a enorme Redacção em «open-space» (como agora é uso dizer-se) está vazia, o precioso arquivo talvez perdido. O Bairro Alto deixou de ser o bairro dos jornais e os diários vespertinos cumpriram o seu ciclo temporal. Existe hoje em dia, pela primeira vez, uma "Lisboa Desaparecida" onde eu vivi. [...] Em 1987, partia-me a rir dos colegas mais velhos que me chamavam saudosista. Saudosista de quê? - Eu nunca vira os edifícios demolidos sobre os quais escrevia, condenando a destruição da cidade. Era tudo investigação. A mim, ao meu passado, não tinham ainda arrancado nada.»

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

DO PASSSEIO PÚBLICO À AVENIDA DA LIBERDADE

Logo a seguir ao terramoto de 1755, o Marquês de Pombal pensa dotar a cidade de um grande jardim público, onde os lisboetas possam conviver entre si. O novo "passeio" é construído a norte do Rossio, em terrenos conquistados aos arredores. Em breve se torna o mais frequentado lugar da capital, atingindo o grande objectivo do Marquês: amalgamar as classes sociais, fazendo despontar novos hábitos. No início do século XIX, o Passeio é restaurado e favorecido com novo gradeamento e novos portões. O Romantismo é a sua grande época. Entra na moda das elites, conhecendo mesmo todos os membros da família real, que por aqui se passeiam, entre novos burgueses e pobres de pedir, sem medo das multidões. 




Entre 1879 e 1886, a Câmara de Lisboa projecta e leva a cabo a demolição do Passeio, para construção Avenida da Liberdade. Ficou sendo a primeira avenida lisboeta, bem ao estilo do "boulevard" francês, ladeada de construções que marcaram época e das quais pouco resta. No topo da Avenida, na Rotunda (baptizada como Praça Marquês de Pombal), ergue-se o monumento ao reconstrutor de Lisboa, inaugurado em 1934.


FOTOGRAFIAS DA ÉPOCA. 
 LISBOA DESAPARECIDA, volume I
Em baixo: pormenores de estereoscopias
de Emílio Biel (Arquivo MARINA TAVARES DIAS)



quinta-feira, 9 de maio de 2013

DO ROMANTISMO À BELLE ÉPOQUE




ou


 

do PASSEIO PÚBLICO à AVENIDA DA LIBERDADE




Logo a seguir ao terramoto de 1755, o Marquês de Pombal pensa dotar a cidade de um grande jardim público, onde os lisboetas possam conviver entre si. Novo "passeio" será construído a norte do Rossio, em terrenos conquistados a campos praticamente arrabaldinos. Em breve será o mais apreciado lugar de Lisboa, atingindo o grande objectivo do próprio Pombal: amalgamar classes sociais, fazendo despontar nova elite entre a burguesia emergente.

No início do século XIX, o Passeio é restaurado e favorecido com novo gradeamento e novos portões. O Romantismo é a sua grande época. Entra na moda das elites, conhecendo mesmo todos os membros da família real, que por aqui se passeiam, entre burgueses e pobres de pedir, sem medo das multidões.

Entre 1879 e 1886, a Câmara de Lisboa projecta e leva a cabo a demolição do Passeio, para construção Avenida da Liberdade. Ficou sendo a primeira avenida lisboeta, ao estilo de boulevard francês, ladeada de construções que marcaram época. E das quais igualmente pouco resta.
A principal avenida de Lisboa é hoje, apesar da presença das lojas de grandes multinacionais da moda, uma auto-estrada.

Nos muitos volumes
da
 LISBOA DESAPARECIDA
de 
MARINA TAVARES DIAS
um capítulo sobre o Passeio,
e vários sobe a Avenida.