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sábado, 19 de julho de 2014

RESTAURANTES E PETISCOS DE LISBOA


em LISBOA DESAPARECIDA
volume VIII
de MARINA TAVARES DIAS

«Já é altura de termos um capítulo leve – mesmo quando o jantar é pesado; e consensual – mesmo para quem não queira engordar. Falemos, pois, do mais glosado tema lisboeta: cozinha, culinária ou gastronomia alfacinha. Deixo escolha da palavra ideal à erudição do leitor. Até hoje, através da bibliografia alusiva, ela depende menos de diferenças entre livros do que da data de edição. Existem mesmo textos que, morto o autor, mudam de título para versões mais modernas e intelectuais*.

Como se dizia antigamente, «a conversa chegou à cozinha», ou seja, a elite está hoje na dita como outrora no salão. Veja-se a quantidade de artigos sobre como decorar esta parte da casa que, bem à americana, cada vez tende mais para o estilo sala-de-estar. A frase de Alexandre Dumas é mais democrática e mais actual do que parece: «As bestas devoram, os homens comem e os filósofos gastronomizam.» Gastronomizemos pois. Hoje em dia, toda a gente o faz. Mas continua a afigurar-se-me estranho fazê-lo em Lisboa.

Em matéria de petisco, o lisboeta de gema pende para o peso, não para o requinte. Perante a racional cozinha alemã ou a refinada cozinha francesa, suspiramos invariavelmente pelo calor luso. Tal mania de sabores intensos e molhinhos de refogado deve ter-nos ficado da passagem pelos Orientes. A cozinha europeia parece-nos insonsa. Vejam-se os restaurantes estrangeiros que vingaram por cá nas últimas três décadas. Dos italianos, importámos apenas, por via americana, massas e pizzas. Dos gregos, rejeitámos mesmo o tradicional menu baratinho. Dos russos, fizemos coisa exótica própria de noites de folga. Dos franceses não nos interessa senão o sempre igual entrecosto. Em compensação, aderimos em massa a paladares distantes, desde que mais fortes: africanos, brasileiros, indianos e chineses.

Na realidade, na Lisboa de 1800 existiam duas cozinhas: a do paço e a outra. Ou seja, a dos cardápios redigidos em francês e a que se servia nas tabernas e à mesa do povo. Até que, no último quartel do século XIX, uma geração de intelectuais esclarecidos e de cozinheiros célebres ao seu serviço resolveu fazer, em papel impresso, aquilo que, na prática, há séculos se fazia nos conventos: casar as duas e dar à luz a «gastronomia tradicional portuguesa». Para gáudio de todos [.../...]»

(continua no livro)



domingo, 2 de fevereiro de 2014

BENFICA E O RETIRO FERRO DE ENGOMAR




POR
MARINA TAVARES DIAS

em
LISBOA DESAPARECIDA
(excertos)



«A partir da Quinta das Laranjeiras, a estrada multiplicava-se em edifícios nobres [...] na longa cadeia de jardins e pomares que povoavam o vale de Benfica.»

[...]

«À direita, quase fronteiro ao gradeamento da propriedade do conde de Farrobo, ficava o Convento de Santo António da Convalescença - fundado em 1640 e pertencente aos frades capuchinhos. O edifício foi comprado, após a extinção das ordens, por João Gomes da Costa, que o transformou em casa de campo. »
[...]

«Do mesmo lado da estrada, as quintas maiores e mais conhecidas eram as do Lodi (com uma ermida neo-gótica), do Moller (onde João da Silva Carvalho inaugurou, em 1860, um gabinete fotográfico), a do Soeiro, e, a caminho do Calhariz, a Alfarrobeira, onde se instalou o Hospício de Santa Isabel. »

[...]


Um almoço no Retiro Ferro de Engomar em 1940


[...]
«Antes do desvio para o lugar do Calhariz, existiu - e existe ainda - um dos mais famosos retiros dos arredores: o Ferro de Engomar. O edifício original, de meados do século XIX, possuía o característico pátio com latadas. Na sala de jantar, com a configuração de um ferro de engomar (daí o nome celebrizado), cabiam 300 convivas.»
[...]

«Manuel Inácio, proprietário, beirão natural de Avô, [....] lembrava-se bem do tempo das patuscadas nos arredores, quando o número do telefone que mandou instalar era o 82. [...] e falou-nos do tempo em que um eléctrico parado a meio da Estrada de Benfica (enquanto o guardo-freio vinha "matar o bicho" ao Ferro de Engomar) não incomodava ninguém.»
[...]

«Demolido em 1953, o antigo Retiro do Ferro de Engomar foi substituído por prédios novos. Mas o restaurante subsiste, no mesmo local (ocupando o andar térreo de dois edifícios), conservando o seu "espírito" e as suas especialidades gastronómicas.»

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

NÃO SE ESQUEÇAM NA VOLTA... de que ainda estão vivos

O Manuel dos Passarinhos ficava em Arroios, e era um dos chamados «retiros» (misto de tasca, adega e pequeno restaurante) ao serviço dos que saíam de Lisboa, pela Rua de Arroios e contígua Estrada de Sacavém.

Mas não era por isso que dizia «Não se esqueçam na volta». Era porque ficava mesmo em frente daquilo que viria a ser a futura Rua Morais Soares, a caminho do Cemitério Oriental (Alto de S. João).

Na volta dos enterros, esperava o Manuel dos Passarinhos que muita gente viesse com fome. Sobretudo, com vontade de beber para esquecer.

Ilustração e informação retiradas de:
LISBOA DESAPARECIDA 
de MARINA TAVARES DIAS, 
volume I.


sábado, 9 de abril de 2011

ARMAZÉNS DO CHIADO, 1955

Menu do salão de chá, pastelaria e restaurante dos Grandes Armazéns do Chiado, 1955. «Lisboa Desaparecida», volume IX, capítulo «Restaurantes e Petiscos»