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quarta-feira, 28 de maio de 2014

PEÇAS DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS

PEÇAS CURIOSAS 
DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS





Na primeira década da segunda metade de Oitocentos, rara seria a família nobre ou burguesa que não tivesse, em cima da mesa da sala, o álbum das fotografias «carte-de-visite». Presume-se que terá sido o fotógrafo Disderi, com atelier em Paris, quem as celebrizou. Há quem diga que as inventou também. Pequenos rectângulos de papel albuminado serviam para captar a luz do negativo. Estas fotografias eram, depois, montadas em cartolinas, geralmente com o nome ou logótipo do fotógrafo na base ou no verso do cartão.

Ainda hoje, aparecem aos milhares, em leilões «on line», em feiras, em qualquer parte onde se vendam papéis velhos.

O que pouca gente saberá é que, ao serem entregues ao cliente (que geralmente encomendava meia ou uma dúzia), vinham em pequenas caixas de cartolina lavrada a quente, com desenhos, pequeno fecho e o nome do fotógrafo. Dessas caixas só sobreviveram aquelas cujas fotografias nunca chegaram a ser dadas a amigos ou parentes.

Aqui está a caixa para cartes-de-visite da Photographia Universal, na Rua Oriental do Passeio Público, Lisboa (correspondia ao actual lado oriental da Avenida da Liberdade, rasgada entre 1879 e 1886). A julgar pelas fotos no interior, deve datar dos anos entre 1865 e 1870.

domingo, 26 de janeiro de 2014

O fotógrafo Fillon, «afilhado» de Victor Hugo, e as suas moradas lisboetas

O fotógrafo francês Alfred Fillon (1825-1881) veio para Portugal com uma carta de recomendação do escritor Victor Hugo. Iniciou a actividade no Porto (na antiga Rua das Hortas), chegando a Lisboa por volta de 1859, ano em que inaugurou o seu primeiro atelier, na Rua das Chagas, número 13. Henrique Nunes tomou este estúdio de trespasse em 1866, porque Fillon queria regressar a Paris. De novo envolvido em escândalos políticos na sua terra, o francês volta definitivamente para Lisboa em 1873, adquirindo então o antigo atelier Plessix, na Rua Nova dos Mártires, número 46. Na revista-jornal Contemporâneo, em 1875, cada edição era ilustrada com uma albumina em tamanho de carte-de-visite e assinada por Fillon. O seu sucessor viria a ser Augusto Bobone, cujos cartões de montagem das albuminas continuariam a ostentar o nome do estúdio do seu mestre.

Ler sobre o atelier Fillon,
fotógrafo da Casa Real, 
no volume VII da 
LISBOA DESAPARECIDA de
MARINA TAVARES DIAS







quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O traje típico de Lisboa é «o capote e lenço». Sabia?

[...] Por exemplo, já no início de século XIX, a elegância lisboeta envergava capote em todas as estações, a todas as horas do dia. Havia-os com mangas, cabeção ou gola de veludo. Mas, regra geral, eram mais simples, direitos, com forro de lã e reforço mais curto, protegendo os braços. 

(...)Numa evolução rápida a partir do "josezinho" - casaco curto do final do século XVIII -, passaram de vermelhos a pretos, confirmando a tendência ancestral das lisboetas para trajar de negro. Quando o "josezinho" encarnado ficou sendo pertença exclusiva das saloias de Loures, Queluz ou Mafra, e os lenços de cambraia e musselina foram por estas substituídos pelos barretes, as alfacinhas começaram a talhar o capote em linhas direitas e austeras. 

O lenço inicial manteve-se, mas, de tão ensopada em goma, a tarlatana branca já nem tocava o pescoço. (...) 

[CONTINUA NO LIVRO a explicação da razão pela qual os lisboetas ignoram que este é o traje típico da sua cidade]

MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA,
volume III
capítulo «A Mulher de capote e Lenço»


postal ilustrado editado por Faustino Gomes. 
Fototipia a partir de cliché antigo 
de um dos maiores fotógrafos lisboetas 
do século XIX: Francesco Rocchini