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terça-feira, 26 de agosto de 2014
25 de Agosto de 1988
Ao cair da tarde do dia 25 de Agosto de 1988, com a área ardida delimitada e em rescaldo, os bombeiros que combateram o incêndio do Chiado podiam finalmente fazer uma refeição ligeira, com os mantimentos que, durante todo o dia, a população da cidade foi entregando ali perto. Os painéis publicitários das lojas, alguns com quase um século, sobreviveriam ao incêndio, mas não às obras de «rescaldo», feitas à pressa e sem critério.
domingo, 1 de junho de 2014
Peças do ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS: os cartões das vistas estereoscópicas.
Para quem não se lembre, recordamos tratar-se da casa que ficou famosa através de enormes campanhas publicitárias com este logótipo «92», em cartazes colados pela cidade de finais do século XIX. Como brindes a clientes certos, mandava fazer os célebres pratos/calendário que ainda hoje aparecem à venda. A Loja 92 ardeu no incêndio do Chiado, em 1988. Durara mais de um século.
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domingo, 16 de março de 2014
A história
do
GRANDELLA
por
MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
(pequeno fragmento)
«[.../...] "Entrando pela Rua do Carmo encontra-se a mais importante e mais rica secção do estabelecimento. É a secção de sedas. O seu sortimento proveniente das principais fábricas estrangeiras, eleva-se a algumas centenas de contos de réis. Aqueles castelos de peças, cheias de vida, de finura, de graça, matizadas, vaporosas, estonteantes, dão a esta . secção um tom de grandeza que deslumbra". [...]
Correspondia o sexto pavimento do Grandella ao primeiro andar sobre a Rua do Carmo. Aí se instalou um alfaiate, um decorador e a zona para artigos de viagem. Pelo andar seguinte distribuíram-se os escritórios, paredes meias com secções de atendimento, informações, promoção, distribuição e encomendas para a província.
«[.../...] "Entrando pela Rua do Carmo encontra-se a mais importante e mais rica secção do estabelecimento. É a secção de sedas. O seu sortimento proveniente das principais fábricas estrangeiras, eleva-se a algumas centenas de contos de réis. Aqueles castelos de peças, cheias de vida, de finura, de graça, matizadas, vaporosas, estonteantes, dão a esta . secção um tom de grandeza que deslumbra". [...]
Correspondia o sexto pavimento do Grandella ao primeiro andar sobre a Rua do Carmo. Aí se instalou um alfaiate, um decorador e a zona para artigos de viagem. Pelo andar seguinte distribuíram-se os escritórios, paredes meias com secções de atendimento, informações, promoção, distribuição e encomendas para a província.
Salas de jantar, de fumo e de leitura dos donos da casa foram decoradas em três estilos: árabe, Luís XV e Luís XVI, tudo no quarto andar do lado do Chiado. [...], e lustres e azulejos assinados por Bordallo Pinheiro. O décimo pavimento, parte da casa particular dos Grandellas, era em grande parte ocupado pelo maquinismo do grande relógio sobre a Rua do Carmo.»
(continua no livro)
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LISBOA DESAPARECIDA
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013
O DIA EM QUE O CHIADO ARDEU
Primeira página do texto da reportagem de MARINA TAVARES DIAS
sobre os 25 anos
do incêndio do CHIADO.
Revista VISÃO.
sobre os 25 anos
do incêndio do CHIADO.
Revista VISÃO.
domingo, 25 de agosto de 2013
PERFUMARIA DA MODA
antes e depois do incêndio
de 25 de Agosto de 1988
e fachada na actualidade
[.../...] Pergunto-lhes se pensam que o fogo vai chegar pelas traseiras. Parecem convictos de que o travarão antes que isso possa acontecer. O tubo que vai dar ao Eduardo Martins está serrado rente à janela deste lado. Talvez tenham razão. Articulo uma desculpa qualquer, falo do jornal, do serviço, da hora de fecho. Regresso às escadinhas e rumo ao topo do Chiado. Na Brasileira, os quadros a óleo foram arrancados sem grande jeito. Há um buraco aberto em cada canto de parede onde assentavam desde que, em 1971, substituíram os originais de 1925. Também à pressa vão saindo os arquivos de um banco qualquer. Pilhas de dossiês de todas as cores juntam-se, em fila, às pessoas que rezam, penduradas na grade de segurança. Para cá dessa grade, gente de joelhos. Os comerciantes da Rua Garrett pensam que, travado a norte pelo edifício do Montepio Geral, o fogo subirá agora a encosta, não poupando uma única loja. Encontro Carlos Pinto Lima, dono da Perfumaria da Moda, na Rua do Carmo (cujos interiores «estilo caixinha de bombons» fizeram de cenário no filme «O Pai Tirano», de António Lopes Ribeiro, em 1941). Diz-me apenas, apoiado no ombro do filho: «Desapareceu. A perfumaria desapareceu completamente.»
MARINA TAVARES DIAS
Ler o resto em: revista Visão (edição de 22 de Agosto de 2013)
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
EM CAMPANHA PELA RECONSTRUÇÃO DO CHIADO (1988)
Excertos de dois dos inúmeros textos publicados por Marina Tavares Dias em jornais e revistas, entre Agosto e Dezembro de 1988, defendendo a manutenção das lojas históricas que arderam no incêndio do dia 25 de Agosto de 1988. Textos e fotografias das publicações da época: ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
25 ANOS DEPOIS
LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
volume II
Capítulo
OS GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO
'Em 1912, a firma alargou as
instalações por toda a ala direita para a Rua Nova do Carmo, inaugurando também
sucursais no Porto e em Coimbra, assim como uma grande fábrica na Rua da
Bombarda, aos Anjos. A publicidade da época mostra-nos algumas das produções
exclusivas da casa: cavalinhos de pasta, chapéus de palha, longos tapetes e,
claro, todos os tipos de renda. Uma nova inauguração, com instalações melhoradas,
deu direito a brindes aos fregueses, no dia 12 de Maio de 1913. Com vinte
sucursais no continente e ilhas, a década seguinte preparou os proprietários
para a aquisição do imóvel. O ano em que esta se concretizou – 1927 – acabou
por ser de grandes dificuldades económicas.
O processo do edifício dos Grandes
Armazéns do Chiado [.../...] [obras numerada como 495 no Arquivo Intermédio da Câmara
Municipal de Lisboa] revela que, nesse mesmo ano, os proprietários solicitam à
Câmara um adiantamento das obras de restauro do imóvel, alegando dificuldades
no financiamento das mesmas. Do mesmo processo (outro volume) consta um pedido
felizmente indeferido para demolição do edifício. Tem a data de 27 de Abril de
1970 e refere a intenção dos herdeiros de Joaquim Nunes dos Santos: «construir
uns grandes armazéns modernos». É possível que, entre estes mesmos herdeiros,
as opiniões sobre o futuro do imóvel se dividissem já.
Efectivamente, a venda
dos armazéns, ocorrida cerca de dez anos depois, é ainda hoje recordada com
muito pesar por alguns elementos da família Nunes dos Santos. Seja como for, o
edifício foi vendido por 500 mil contos em 1980, a uma sociedade constituída
por Manuel Martins Dias (dos supermercados Paga-Pouco) e José Pereira Dias (dos
Armazéns do Conde Barão). Esta firma acumulou dívidas ao longo de cinco anos e
o edifício voltou à praça em Maio de 1986, sendo adquirido pela Caixa Económica
do Funchal (posteriormente Banco Internacional do Funchal), à qual Martins Dias
nunca reconheceu a posse do imóvel. No dia 24 de Agosto de 1988, Martins Dias
foi libertado, após a acusação de burlar uma companhia de seguros através de fogo
posto no armazém Paga-Pouco de Tavira. O futuro dos Grandes Arrmazéns do Chiado
não parecia brilhante, enquanto os trabalhadores, numa derradeira esperança,
enviavam um pedido de classificação do edifício para o Instituto Português do Património
Cultural.
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