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domingo, 30 de novembro de 2014

Os primeiros transportes públicos urbanos

Marina Tavares Dias
em 
História do Eléctrico da Carris
(edição do centenário, 2001):

«Mas se as viagens de longa duração (nove dias do Porto até Lisboa) obrigavam já, no início do século XIX, ao uso de transportes colectivos, quase tudo estava ainda por fazer, em termos similares, no respeitante à circulação no interior das cidades. O primeiro quartel de 1800 é ainda, em Lisboa, dominado pelo transporte público de apenas dois assentos. A sege e o respectivo boleeiro constituem uma genealogia que ficou célebre na história da cidade. Inicialmente chamada «de colunas» e tirada por um único cavalo, já existia no século XVIII, tendo sofrido algumas alterações ao longo das décadas. A sege «moderna» baseava-se nos modelos ingleses: duas rodas, caixa muito larga, pintada, envernizada e montada sobre quatro molas. Fechava-se com cortinas de coiro engraxado, permitindo aos passageiros espreitar por dois óculos de vidro, abertos na frente. O estribo era subido e impraticável e as rodas altas demais para os solavancos das calçadas alfacinhas. Quando estavam livres para alugar, ostentavam uma bandeirinha bifurcada.»
[continua no livro]




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O CAIS DO SODRÉ OITOCENTISTA

Marina Tavares Dias
em Lisboa Desaparecida
capítulo O Cais do Sodré:

[...] falar do Cais do Sodré é também falar da Lisboa queirosiana – e do seu Hotel Central. Eça refere-o em “Os Maias”, “A Capital”, “O Primo Basílio” e “A Correspondência de Fradique Mendes”. A primeira hospedaria que ocupou o quarteirão com os números 20-27 do largo (antigos números 3 a 11) chamava-se Estrella Branca (c. 1835). Em 1838 fora já trespassada à francesa Madame Lenglet que lhe deu o título de Hotel de France. Com uma sólida fama e um excelente serviço de mesa, o hotel recebeu hóspedes ilustres, entre eles o compositor Franz Liszt, na temporada de 1844-1845. Novamente trespassado (c. 1855), transforma-se no Hotel Central, supra-sumo da possível opulência lisboeta, com as suas ceias elegantes e as suas belas janelas então viradas para o Tejo. O Central foi, na Lisboa da segunda metade de Oitocentos, aquilo que o Avenida Palace viria a ser na Belle-Époque, ou o Aviz no tempo da Segunda Grande Guerra.[...]

[continua no livro]
Fotografia:
colecção Rocchini, c. 1858.





quarta-feira, 1 de outubro de 2014

«ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Convento antes de ser Palácio das Cortes, Assembleia Nacional e Assembleia da República, S. Bento foi também , no tempo da peste de 1569, hospital improvisado. O terramoto de 1755 pouco o afectou e, logo em 1757, veio instalar-se aqui o principal arquivo português: o Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Em 1834, passou a albergar as câmaras dos Deputados e dos Pares. Destruído por um incêndio em 1895, o edifício estava ainda em obras no início do século XX, sob projecto de Ventura Terra. De 1917 a 1938, construíram-se as novas fachadas, assim como um corpo avançado com frontão e uma escadaria monumental [...]» 
(continua no livro)
PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA
por: Marina Tavares Dias.



Palácio das Cortes,
 antigo mosteiro de S. Bento, 
no início do último quartel do século XIX. 
Fotografia de Francesco Rocchini.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A LISBOA DE EÇA DE QUEIROZ

Marina Tavares Dias 
em  

LISBOA DE EÇA DE QUEIROZ

Pag. 26
Modificações do Rossio ao longo da segunda metade do século XIX. Os pais de Eça moravam no quarto andar do prédio número 26 (sobre o actual Café Nicola, do lado ocidental da praça) e foi esta a morada do escritor entre 1866 e 1872. Em 1898, durante as comemorações do Centenário da Índia, Eça está em Lisboa e assiste, da janela, ao cortejo.

(continua no livro)







sábado, 3 de maio de 2014

LISBOA, 1860

«Claro que a mediocridade impera, qual maldição, e de lés-a-lés, na política. [...]

D. Pedro V, consciente do que pode esperar do Governo, interroga: “Dorme o país, ou está ele morto?” Nas suas cartas pessoais para o Conde de Lavradio queixa-se da “suicida indisciplina da Câmara dos Pares”, da “indolência amável e inofensiva” dos ministérios, da falta de recursos do exército, da imoralidade dos partidos. Portugal está em marcha para um século XX com arremedos medievais. 
[.../...]
D. Pedro V morrerá logo em 1861, deixando vago um trono que durante o reinado do irmão, D. Luís, vai já prenunciar a queda da Monarquia. No início da segunda metade do século XIX, Lisboa dormita, pois, após décadas de convulsões.»

Excerto de crónica de MARINA TAVARES DIAS
(Janeiro de 2010)


D. Pedro V, o Rei liberal por excelência,
cultíssimo e possuidor de inexcedível
rectidão de carácter. A sua morte 
prematura vai deixar Portugal orfão de 
muito mais que um monarca.
(fotografias de Francisco Gomes. 1861)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Badalejando

«Dantes, dizia-se badalejar. As casas grandes tinham à porta a maçaneta de latão, devidamente centrada numa estética cercadura. A ela estava ligado, no interior, um pequeno sino dourado.
Para os dedos não deslizarem, em caso de nervosismo ou mesmo de chuva, cada puxador era lavrado em espiral, às vezes com alguma imaginação. Camilo badalejava quando ia visitar alguém; Eça badalejava. Não conheciam o irritante som já semi-electrónico das casas da segunda metade do século XX: 'tim-tom!' Anthero badalejou à porta de muitos amigos pelo reconforto de uma frase, Gomes Leal pelo de uma sopa.

Já ninguém badaleja. Perdeu-se o verbo. Os restos destes badalos foram-se adaptando às fachadas, incorporando-se nelas, cimentados nelas ou adaptados a campaínha, já sem o característico puxador.Páro na rua sempre que vejo a maçaneta do badalo intacto, e pouso logo o olhar no degrau de entrada. Muitos passos, poucos passos? - Depende disso o desgaste. Dependiam disso as promessas do trinco da porta.»

MARINA TAVARES DIAS em LISBOA DESAPARECIDA



domingo, 12 de junho de 2011

ALEXANDRE HERCULANO


Alexandre Herculano, poeta, romancista, historiador e mestre pela rectidão de carácter que todos os amigos enalteciam era igualmente o mais famoso dos agricultores. Na época em que o azeite, como Bordalo refere, foi combustível para candeias, Herculano inventou o mais fino «azeite de prato». Tratou de o pôr à venda em Lisboa, na mais famosa mercearia do Chiado elegante: o Jerónimo Martins. Ganhou uma medalha na Exposição Universal de Paris e o hábito de se ver caricaturado vestido de azeiteiro, com lata e funil, desprezando intelectuais seus pares em direcção à porta do merceeiro. Gomes de Brito conta como foi apresentar Bordalo Pinheiro a Herculano, na Livraria Bertrand do Chiado, em 1870. O caricaturista vinha pedir autorização para publicar o desenho mais tarde célebre, e Herculano mostrou-se envergonhado mas complacente: «Sim, senhor; sim, senhor!» Que estava parecido e que não ofendia a seu «carácter moral». Azeiteiro, pois, e sem problemas em o reconhecer, pelo que no «Álbum de Costumes Portuguezes» (editado por David Corazzi em 1888), é Columbano quem o retrata, utilizando como base a fotografia de um azeiteiro de rua, cujo rosto substitui pelas feições do historiador. A fotografia que serviu de base à aguarela e à estampa era desconhecida. Foi desvendada no volume IX da «Lisboa Desaparecida».

domingo, 24 de abril de 2011

Benfica. Igreja e Ribeira de Alcântara

ESTRADA DE BENFICA
na Lisboa Desaparecida

A Ribeira de Alcântara entrava em Lisboa, como já vimos, a sul das Portas de Benfica. Seguia quase paralela à estrada, atravessando as terras que a ladeavam. Mais adiante, em frente da igreja paroquial, passava pelas propriedades da Casquilha e da Feiteira. Na zona de S. Domingos, seguia pela cerca do convento, pela Quinta de Devisme, pelas terras do Lameiro e do Monteiro dos Milhões, correndo depois no leito da actual Rua António Saúde. O Diccionario Etnographico de 1870 chama à ribeira "Rio de Benfica", sugerindo, talvez, uma designação que lhe era atribuída naquela zona.



Lisboa Desaparecida,
de Marina Tavares Dias,
volume III,
capítulo Os Arredores.
Gravura de 1861.

domingo, 17 de abril de 2011

Avenida da República antes de 1910

Avenida da República antes de 1910. Quarteirões anteriores à Praça do Campo Pequeno, direcção Entre-Campos - Saldanha. Esta perspectiva é rara, em fotografias desta época. (Postal ilustrado antigo, fototipia litografada, edição Faustino Martins, escolhido para a capa de «Lisboa Antes e Agora» de Marina Tavares Dias.)

domingo, 6 de junho de 2010

TERREIRO DO PAÇO (EM VIDRO)


TERREIRO DO PAÇO.
Arco da Rua Augusta ainda sem o grupo escultórico que o remata.
(Vidro para lanterna mágica, início do último quartel do século XIX. Origem: França)

terça-feira, 23 de junho de 2009



PALÁCIO REAL DA AJUDA

A primeira pedra do edifício actual foi lançada pelo príncipe D. João a 9 de Novembro de 1795. O projecto ainda era barroco. Condicionamentos sucessivos determinaram paragens das obras e reviravolta estilística para o neo-clássico (o arquitecto inicial foi Manoel Caetano de Souza, sucedendo-lhe Francisco Xavier Fabri, José da Costa e Silva e, em 1821, António Francisco da Rosa). Só em 1802 é decidida a versão final, com os torreões a as paredes dispostas em quadrilátero. Estas novas obras de Santa Engrácia ainda hoje estão por terminar.

Adaptação de Lisboa Desaparecida

de Marina Tavares Dias,

volume 8,

capítulo sobre o Palácio da Ajuda.

domingo, 31 de maio de 2009

CHIADO ROMÂNTICO


O topo do Chiado na época do Romantismo, no tempo de Garrett e do Marrare do Polimento. Chamava-se ainda Rua das Portas de Santa Catarina. Reparem na estátua do chafariz. O mesmo Neptuno que, depois de passar pela Praça do Chile, está agora no Largo de D. Estefânia.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Lisboa, século XIX


“Oh! - escreve Eça em O Mandarim - Saborear a noite, no Café Martinho, sorvendo um café aos pequenos golos, ouvindo tagarelas injuriarem a pátria!” O lisboeta estilo Dâmaso de Salcede passa a vida a praguejar que Lisboa é um chiqueiro e só em Paris se pode respirar. Copia-se Paris até à exaustão. Lê-se Zola e bebe-se champanhe. Abancado no Café Tavares da Rua da Misericórdia (então Rua de S. Roque), o grupo Vencidos da Vida evidencia hábitos de consumo típicos dos intelectuais da época (1889). Segundo a factura de um jantar: “bacalhau com pão - 18 vinténs; champanhe - 18 mil réis” (in Lisboa Desaparecida, volume IV)