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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

2014: Um desejo por cada colina

LISBOA COMEÇA UM NOVO ANO.



Que 2014 seja ano de:

- Menos património demolido e abandonado.

- Menos negociatas para especulação de terrenos em zonas específicas.

- Mais alegria e animação nas ruas do centro.

- Mais lisboetas a regressarem à capital para morarem com a sua família.

- Mais segurança em todas as freguesias.

- Menos obras megalómanas que desfiguram as avenidas principais.

- Menos licenciamentos sem que quem os assina vá (realmente) ver o que está em causa.




BOM ANO A TODOS OS LISBOETAS.

Marina Tavares Dias e a equipa do blog.



sábado, 14 de dezembro de 2013

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS

AS AVENIDAS NOVAS

Traçadas no final do século XIX, de acordo com o plano urbanístico de Ressano Garcia, as avenidas que partem da Rotunda (ou Praça Marquês de Pombal) determinaram a expansão de Lisboa num eixo que aponta para norte. Foram baptizadas "Avenidas Novas" pelo povo de Lisboa. Foram também ricamente decoradas com alguns dos exemplos mais conhecidos da arquitectura portuguesa dos primeiros anos do século XX, incluindo a maior parte dos edifícios que receberam, então, o célebre Prémio Valmor.

Por cobiças alheias à harmonia das avenidas, esses edifícios foram quase todos substituídos, ao longo das últimas seis décadas, por construções incaracterísticas.

Na fotografia, o 'atelier' do pintor Malhoa, hoje exemplarmente preservado como Casa-Museu Anastácio Gonçalves. Raro sobrevivente intacto, que em breve será «emparedado» por um quarteirão inteiro de inenarráveis volumetrias.


domingo, 8 de dezembro de 2013

FADO – THE SONGS ABOUT FATE



Pois é: ficámos surpreendidos ao verificar que quase metade dos nossos leitores moram nos Estados Unidos ou usam servidores ali alojados, Como esse dia coincide com aquele em que um deles muito gentilmente pede um «gravura antiga ligada ao Fado» (todas as gravuras antigas estão ligadas ao fado de alguém, diria aqui Pessoa... talvez).
Bem, aqui está a dupla desenhada por Joubert em 1825 e publicada em gravura nesse mesmo ano. Agora, 

excuse us...


FADO – THE SONGS ABOUT FATE
«The fado was born one day/ When hardly a breeze was whispering/ And the sea merged into the sky/ In the tacking of a sailing ship/ In the breast of a sailor-boy/ Who was singing in his melancholy» – so goes the poem written by José Régio and sung by Amália Rodrigues. The real origins of Lisbon’s traditional song are probably much more recent than the era of the Discoveries. There is no written record of the fado before the 19th century. Its melody, which is thought to be the successor of the «lundum» danced by black slaves in Brazil, follows a four-line stanza where each line has a 10-syllable count. But aboveall, it reflects a state of spirit, sad and nostalgic, that Lisbon has made its own. During the 19th century, the fado (the song about fate) was sung all over Lisbon, from Calçada de Carriche to the flat-bottomed boats of the River Tagus, through the taverns of Bairro Alto and the narrow streets of Mouraria. The poignant plucking of guitars was heard in Arco do Cego and in Madre de Deus, in Lumiar and in Laranjeiras, in the Quebra-Bilhas tavern and in the bullring at Campo de Santana. The fado was sung markets, in brothels and in palaces.»

LISBOA/LISBON/LISBONNE/LISSABON - A sua história para os turistas / for the tourist who loves History, book by MARINA TAVARES DIAS, 1992.

lithograph by Joubert, 1825

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A SUÉCIA NA NOSSA FEIRA POPULAR

Pavilhão da Suécia na Feira Popular de Lisboa [...]
A Feira Popular abria caminho a mercados até então desconhecidos dos portugueses. Muitas das especialidades gastronómicas aqui vendidas ou servidas só regressariam 50 anos depois, com os minimercados instalados nas lojas de móveis Ikea.

MARINA TAVARES DIAS 
em 
LISBOA DESAPARECIDA


(ilustração do volume IX; 
capítulo A Feira Popular de Lisboa;
fotografia de Eduardo Portugal, 1946)

sábado, 30 de novembro de 2013

O MARRARE DO POLIMENTO

« [.../...] A fina-flor da geração chiadense frequentava os bailes das Laranjeiras e as noites de estreia em todos os teatros. Aplaudia e pateava as divas de S. Carlos. Reunia-se com os políticos às mesas do café, escutando José Estevão conspirar contra os Cabrais e Passos Manuel em plena propaganda maçónica. Era a época em que uma primeira incursão no Marrare exigia apresentação feita por qualquer veterano da casa. Aos desconhecidos que ousavam o sacrilégio eram lançados olhares de alto a baixo, os criados não os serviam de pronto e alguns jovens “dandies” mais irreverentes chegavam a convidá-los a sair. Por isso, muitos pais de família aconselhavam os filhos a não passar ali à porta, e era comum ver burgueses atravessando para o passeio em frente, quando havia aglomerações à entrada do café. »


Capítulo sobre os cafés de António Marrare,
em OS CAFÉS DE LISBOA 
de MARINA TAVARES DIAS




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A. CAEIRO

Há dias passava eu de carro na Avenida Almirante Reis. Levantando os olhos por acaso, leio no cabeçalho de uma loja: Farmácia A. Caeiro.

Carta de FERNANDO PESSOA
a Armando Côrtes-Rodrigues, 
datada de 4 de Outubro de 1914 e
explicando a génese e os apelidos 
dos seus heterónimos.

Ilustração e citação retiradas de:
A LISBOA DE FERNANDO PESSOA
de 
MARINA TAVARES DIAS


(postal ilustrado em fototipia, edição de Faustino Martins)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ALVALADE

«O plano de urbanização do Sítio de Alvalade, futuro bairro do mesmo nome, compreendia a área trapesoidal de cerca de 230 hectares limitada a norte pela Avenida do Brasil (denominada Alferes Malheiro na década de 40), a nascente pela futura Avenida do Aeroporto, a sul pelos terrenos confinantes com a Avenida Almirante Reis e a poente pelo Campo Grande e pela antiga Estrada de Entrecampos. O novo bairro, planeado no final da década de 30 e inaugurado na segunda metade da de 40, pretendia-se estampa ideal da nova cidade. O projecto é do primeiro urbanista português diplomado em Paris: Faria da Costa.»

MARINA TAVARES DIAS
em LISBOA NOS ANOS 40 - LONGE DA GUERRA


domingo, 24 de novembro de 2013

O «CHORA»

«A pequena firma de Eduardo Jorge possui lugar aparte na história do trânsito alfacinha. Foi ela a única que, batalhando em tribunal e nas ruas, conseguiu manter décadas a fio, sobre os carris, os seus carritos desengonçados. Mesmo depois de ter aparecido o poderoso e rápido eléctrico. As quezílias com a Carris eram tão frequentes que os jornais começaram a achá-las assunto corriqueiro.

E o povo de Lisboa, sempre desconfiado do poder instituído, corria em massa para o «chora», apoiando a teimosia do proprietário. Eduardo Jorge viu-se aflito com a chegada dos eléctricos, que dificilmente travavam a tempo de não abalroar as suas carruagens, mas rapidamente calculou a solução: passou a espetar-lhes uma espécie de lança, evitando assim a colisão.

Continuou alegremente sobre os trilhos da Carris. Neles se manteve até à Grande Guerra (mais exactamente até 1917), quando a aquisição das mulas por parte do Exército lhe prejudicou irreversivelmente o negócio.»

MARINA TAVARES DIAS 
em HISTÓRIA DO ELÉCTRICO DE LISBOA


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Badalejando

«Dantes, dizia-se badalejar. As casas grandes tinham à porta a maçaneta de latão, devidamente centrada numa estética cercadura. A ela estava ligado, no interior, um pequeno sino dourado.
Para os dedos não deslizarem, em caso de nervosismo ou mesmo de chuva, cada puxador era lavrado em espiral, às vezes com alguma imaginação. Camilo badalejava quando ia visitar alguém; Eça badalejava. Não conheciam o irritante som já semi-electrónico das casas da segunda metade do século XX: 'tim-tom!' Anthero badalejou à porta de muitos amigos pelo reconforto de uma frase, Gomes Leal pelo de uma sopa.

Já ninguém badaleja. Perdeu-se o verbo. Os restos destes badalos foram-se adaptando às fachadas, incorporando-se nelas, cimentados nelas ou adaptados a campaínha, já sem o característico puxador.Páro na rua sempre que vejo a maçaneta do badalo intacto, e pouso logo o olhar no degrau de entrada. Muitos passos, poucos passos? - Depende disso o desgaste. Dependiam disso as promessas do trinco da porta.»

MARINA TAVARES DIAS em LISBOA DESAPARECIDA



sexta-feira, 6 de setembro de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EM CAMPANHA PELA RECONSTRUÇÃO DO CHIADO (1988)

Excertos de dois dos inúmeros textos publicados por Marina Tavares Dias em jornais e revistas, entre Agosto e Dezembro de 1988, defendendo a manutenção das lojas históricas que arderam no incêndio do dia 25 de Agosto de 1988. Textos e fotografias das publicações da época: ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.



terça-feira, 25 de junho de 2013

NOITES DE JUNHO NO LARGO DO INTENDENTE

Está praticamente irreconhecível (ou talvez não, visto ter sido sempre uma beleza em termos urbanísticos) o bem alfacinha e central Largo do Intendente Pina Manique. Muito se debateu a autora da LISBOA DESAPARECIDA, ao longo de toda a série dos livros e de mais de duas décadas, pela salvação daquele que é um dos mais emblemáticos locais da cidade. As palavras de MARINA TAVARES DIAS nem sempre caem em saco roto. Água mole em pedra dura...

Agora em pleno processo de muitas remodelações, o INTENDENTE  é um dos encantos da cidade. A frequência mudou, para bem melhor. Algumas noites são agora assim. E de dia, cada vez mais lojas de referência, cafés, tasquinhas. Vale a pena passar por lá - e ir ficando.

(fotografia Marina Tavares Dias / Arquivo Marina Tavares Dias)




quinta-feira, 9 de maio de 2013

DO ROMANTISMO À BELLE ÉPOQUE




ou


 

do PASSEIO PÚBLICO à AVENIDA DA LIBERDADE




Logo a seguir ao terramoto de 1755, o Marquês de Pombal pensa dotar a cidade de um grande jardim público, onde os lisboetas possam conviver entre si. Novo "passeio" será construído a norte do Rossio, em terrenos conquistados a campos praticamente arrabaldinos. Em breve será o mais apreciado lugar de Lisboa, atingindo o grande objectivo do próprio Pombal: amalgamar classes sociais, fazendo despontar nova elite entre a burguesia emergente.

No início do século XIX, o Passeio é restaurado e favorecido com novo gradeamento e novos portões. O Romantismo é a sua grande época. Entra na moda das elites, conhecendo mesmo todos os membros da família real, que por aqui se passeiam, entre burgueses e pobres de pedir, sem medo das multidões.

Entre 1879 e 1886, a Câmara de Lisboa projecta e leva a cabo a demolição do Passeio, para construção Avenida da Liberdade. Ficou sendo a primeira avenida lisboeta, ao estilo de boulevard francês, ladeada de construções que marcaram época. E das quais igualmente pouco resta.
A principal avenida de Lisboa é hoje, apesar da presença das lojas de grandes multinacionais da moda, uma auto-estrada.

Nos muitos volumes
da
 LISBOA DESAPARECIDA
de 
MARINA TAVARES DIAS
um capítulo sobre o Passeio,
e vários sobe a Avenida.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

PROCISSÃO DA SENHORA DA SAÚDE, no Domingo, na AVENIDA ALMIRANTE REIS


É DIA DE PROCISSÃO

DA SENHORA DA SAÚDE

«encham-me essa Avenida!»



No próximo Domingo de regresso à Avenida. Saudades para D. Genciana... 

[In: FB, Página da LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS] Fotografias: Arquivo MTD




terça-feira, 16 de abril de 2013

CHIADO:

AS PORTAS DE SANTA CATARINA







« O alinhamento dos edifícios na quinhentista Rua Direita das Portas de Santa Catarina diferia alguma coisa do Chiado que hoje conhecemos. O traçado da rua mantém-se semelhante àquilo que foi antes do terramoto, mas o novo alinhamento eliminou muitas das pequenas travessas que se abriam em direcção ao monte do Carmo. Azinhagas e becos foram, depois, substituídos por novos prédios. Os documentos da reconstrução identificam alguns: Travessa da Casa dos Sá e Menezes, Azinhaga de Gil Vicente, Beco da Cruz, Travessa do Sacramento (a calçada do mesmo nome mantém o local).

E difícil imaginar o cenário de movimentada artéria. Mas parece hoje provado que o topónimo Chiado nasceu nesta época e numa taberna da zona. Assim, a história da Rua Garrett que hoje conhecemos começa na primeira esquina da mesma rua, no quarteirão onde estão os despojos da Antiga Casa José Alexandre »

( pequeno fragmento

de um dos textos

do segundo volume

da LISBOA DESAPARECIDA

de MARINA TAVARES DIAS )

 

Incêndio do Chiado

1988

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

LISBOA DESAPARECIDA - volume II

GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO
em
LISBOA DESAPARECIDA,
de
Marina Tavares Dias,
volume II.
O Palácio Barcelinhos, onde estavam instalados os Grandes Armazéns do Chiado. Este local correspondia à antiga igreja do Convento do Espírito Santo da Pedreira. O interior do edifício ficou reduzido a cinzas durante o incêndio do dia 25 de Agosto de 1988.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cinema Lys

Cinema Lys

na Avenida Almirante Reis

(gaveto com a Rua dos Anjos), bairro dos Anjos.

Década de 1940







Lisboa Desaparecida

de Marina Tavares Dias

volume VIII - Os Cinemas de Bairro

terça-feira, 27 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

OS CARROS AMERICANOS, ANTECESSORES DOS ELÉCTRICOS

O AMERICANO DA CARRIS

A cidade que assistiu à inauguração das carreiras de «americanos» não estava particularmente confiante nas virtudes dos transportes públicos. Os exemplos anteriores tinham habituado todos a vicissitudes então consideradas insuperáveis. Desde o horário desregrado dos ónibus, passando pelo asseio duvidoso dos charabãs, até às tarifas oportunistas dos trens de aluguer, havia uma longa genealogia de desconfianças e de queixas.

Mesmo assim, os jornais não pouparam elogios a um transporte considerado revolucionário, que tinha provado as suas virtudes em cidades estrangeiras (também o Porto já possuía «americanos» desde o dia 15 de Maio de 1872). Em breve, os lisboetas reconheceriam as diferenças do novo sistema de transporte, chegando a considerá-lo como o verdadeiro messias do trânsito alfacinha. Bairros houve em que tal progresso foi saudado com flores para enfeitar os carros e fardas de luxo oferecidas aos cocheiros. O «Diário de Notícias» de 18 de Novembro de 1873 noticia deste modo a inauguração das carreiras:

 «Ficou ontem aberta à circulação a primeira secção de linha de carruagens sobre carris de ferro, pelo sistema americano, em Lisboa, compreendida entre a estação de linha férrea do norte e leste e o extremo oeste do Aterro da Boa Vista. Ficou portanto definitivamente estabelecido na cidade mais um meio de viação, seguro, cómodo e barato que há-de ser o início de maior desenvolvimento e aperfeiçoamento dos veículos de transporte na capital […]. Quando se aproximava a hora de partirem do extremo dessa secção da linha as carruagens com os convidados da empresa dos Carris de Ferro de Lisboa, e as pessoas que em outras eram admitidas, o povo cheio de alegria e curiosidade  formava alas em todo o trajecto da linha, para saudar amoravelmente o novo progresso que passava.

A estação principal da linha e largo em frente estavam embandeirados e ornamentados de arcos e grinaldas, de verdura e de emblemas nacionais! Uma linha de 32 carruagens […] estava postada sobre os ‘rails’ com os seus cocheiros e condutores singelamente uniformizados e postos sobre as plataformas, e os seus magníficos tiros de cavalos e muares perfeitamente arreados com as testeiras das cabeçadas ornadas de rosetas azuis e brancas [as cores da bandeira nacional do tempo da Monarquia]. Vinte e quatro dessas carruagens eram fechadas e oito abertas, destinadas aos fumistas.»

[Exemplar existente no Museu da Carris]