O paquete Niassa, onde seguiram muitos militares portugueses rumo a Moçambique durante a Guerra Colonial, foi originalmente um navio civil de passageiros da Companhia Nacional de Navegação. Construído nos estaleiros Harland & Wolff, em Belfast (os mesmos de onde, em 1912, saíra o Titanic), entrou ao serviço em 1955, ligando Lisboa a Angola e Moçambique numa época em que as viagens marítimas ainda eram a grande ligação entre Portugal e o Ultramar. Tinha restaurantes, salões, convés de passeio e camarotes de várias classes, funcionando como verdadeiro transatlântico tropical do Estado Novo.
Na fotografia, vê-se já a segunda vida do navio: a dos anos da guerra. centenas de soldados apinham-se nos conveses do Niassa durante a partida, enquanto famílias e amigos acenam do cais com lenços brancos.
A partir de 1961, com o início da Guerra Colonial, o Niassa tornou-se um dos principais transportes de tropas para Angola, Guiné e Moçambique, realizando sucessivas viagens militares ao longo da década de 1960. Manteve durante anos muito do conforto e da atmosfera civil dos grandes paquetes portugueses, criando uma sensação quase irreal para os soldados: viajavam para a guerra em salões de navio com a elegância das rotas coloniais.
Após o 25 de Abril, com o fim do império português em África, o Niassa participou no transporte de civis regressados das ex-colónias. Pouco depois, foi vendido ao estrangeiro, mudando várias vezes de nome até acabar desmantelado em Taiwan, em 1985.
Para toda uma geração, o nome Niassa ficou ligado a esta imagem da despedida no cais: o último olhar para Portugal antes da travessia rumo à guerra.

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