A fachada lateral do Teatro Nacional D. Maria II, a estátua de D. Pedro IV, a estrutura inconfundível da praça traçada a régua e esquadro pelos arquitectos do Marquês de Pombal - não há que enganar: é o Rossio. E é como se fora, de Lisboa, o seu emblema maior e cosmopolita. Hoje ainda? Talvez. Então era-o decerto.
Mas que Rossio é este? O do carrossel de automóveis, dia e noite incessante à volta da placa central, que conhecemos? Não. Um Rossio diferente e diverso: as tipóias em fila esperam clientes, os outros, os utentes dos transportes públicos e colectivos, têm aqui à sua disposição e escolha dois tipos de "americanos": os fechados e os abertos.
Vem ainda longe a era do carro eléctrico, que esta foto é com certeza bem anterior ao 4 de Março de 1910 escrito à mão por alguém sobre o postal. Mas não é o exótico dos carros puxados a cavalo aquilo que mais nos surpreende. São as pessoas, ou a espantosa rarefacção delas. E o modo de estar das poucas que se vêem. É o Rossio, é. Tão calmo ainda que se imaginaria, porém, outro que não o de hoje por nós, na pressa, cruzado. E não será, efectivamente, outro?
Ele há as fachadas, o teatro e o monumento, mas tudo o resto mudou. As cidades mudam depressa.. Porque se lhes altera a alma. Mesmo se permanecem as pedras.
