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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O HOSPITAL DA RAINHA D. ESTEFÂNIA

A ideia de construir em Lisboa um hospital destinado exclusivamente a crianças nasceu da Rainha D. Estefânia, mulher de D. Pedro V. A jovem princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, nascida em Düsseldorf a 15 de Julho de 1837, chegou a Lisboa no dia 17 de Maio de 1858.

Pouco depois do casamento, Estefânia visitou os hospitais de Lisboa e ficou impressionada com as condições em que eram tratadas as crianças, internadas juntamente com os adultos e sem instalações minimamente confortáveis. Decidiu então destinar uma parte muito considerável do seu dote de casamento à criação do primeiro hospital pediátrico moderno em Portugal.

Não chegou a ver realizado o projecto, pois morreu em Lisboa a 17 de Julho de 1859, com apenas 22 anos e pouco mais de um de casamento. D. Pedro V resolveu cumprir o desejo da mulher. Para construção do hospital cedeu terrenos pertencentes à Quinta da Bemposta, propriedade da Casa Real, e procurou que o novo estabelecimento fosse concebido segundo os modelos hospitalares mais avançados da Europa.

O projecto foi confiado ao arquitecto Albert Jenkins Humbert, que trabalhara para a família real britânica e fora recomendado ao rei pelo príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. A primeira pedra foi lançada por D. Pedro V em 3 de Julho de 1860. Também ele não assistiria à conclusão da obra: morreu de febre tifóide em 11 de Novembro de 1861, aos 24 anos.

A construção prosseguiu durante o reinado do seu irmão, D. Luís I. O hospital foi finalmente inaugurado em 17 de Julho de 1877, precisamente no aniversário da morte da rainha, e recebeu o nome de Hospital de Dona Estefânia.

Quase vinte anos tinham passado desde que a jovem rainha visitara as enfermarias miseráveis de Lisboa. O hospital que imaginara tornou-se uma instituição pioneira da pediatria portuguesa e, sobretudo, o monumento mais duradouro de um reinado extraordinariamente breve.

Marina Tavares Dias, 
'Lisboa Desaparecida', volume VII (2001)





Hospital deD. Estefânia
Na década de 1920
(fotografia de Ferreira da Cunha)

D. Estefânia e D. Pedro V. 
Pormenor de montgem fotográfica
(1859)

Princesa Estefânia de
Hohenzollern-Sigmaringen
fotografada em Düsseldorf 
(1857)






 

domingo, 25 de outubro de 2015

Alvalade




Excerto de:

LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS


O plano de urbanização do Sítio de Alvalade, futuro bairro do mesmo nome, compreendia a área trapesoidal de cerca de 230 hectares limitada a norte pela Avenida do Brasil (denominada Alferes Malheiro na década de 40), a nascente pela futura Avenida do Aeroporto, a sul pelos terrenos confinantes com a Avenida Almirante Reis e a poente pelo Campo Grande e pela antiga Estrada de Entrecampos. O novo bairro, planeado no final da década de 30 e inaugurado na segunda metade da de 40, pretendia-se estampa ideal da nova cidade. O projecto é do primeiro urbanista português diplomado em Paris: Faria da Costa.

sábado, 25 de abril de 2015

A COSTA DE CAPARICA

LISBOA DESAPARECIDA
de 
MARINA TAVARES DIAS

(EXCERTO do capítulo «A Outra Banda»)

« [...] Ao longo de todo o século XIX, a Costa de Caparica é quase exclusivamente um extenso areal, pontilhado por casinhotos de madeira onde se abrigam as famílias dos pescadores. Vai-se à Costa provar a caldeirada ou, mais esporadicamente, visitar o vizinho Convento dos Capuchos, de cujas alturas se avista, plana e interminável, a linha sinuosa da orla atlântica.
Essas primeiras cabanas montadas nos areais deverão datar do último quartel de seiscentos, quando algumas famílias algarvias ou ílhavas ali se fixam provisoriamente, nos meses de Verão, para se dedicarem à pesca.

Documentos reunidos por um mestre das artes de pesca (Francisco José da Silva) apontam o ano de 1770 como data das primeiras residências fixas, em barracas certamente maiores, de vários “mestres” com as suas companhas. José Gonçalves Bexiga (algarvio), Joaquim Pedro (de Ílhavo), Romualdo dos Santos (algarvio) e José Rapaz (de Ílhavo): foram eles os primeiros residentes da Costa de Caparica. A primeira construção relativamente elaborada terá sido a igreja local, praticamente no mesmo sítio onde a vemos hoje, inicialmente revestida apenas de colmo e de junco.»


(continua)



Aguarela de Roque Gameiro. Postal ilustrado
pertencente ao Arquivo MTD





A Costa de Caparica na década de 1950

 


quarta-feira, 16 de julho de 2014

REI D. CARLOS I : uma vida em datas

CRONOLOGIA
DA VIDA DO 
REI D. CARLOS

por MARINA TAVARES DIAS
em: D. Carlos (biografia)




1863

28 de Setembro: à uma e meia da tarde nasce o príncipe D. Carlos Fernando Luiz Maria Victor Miguel Raphael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão, na Sala Verde do Palácio Real da Ajuda, em Lisboa. O pai, D. Luís, foi aclamado Rei de Portugal (por morte do irmão D. Pedro V) menos de dois anos antes. A mãe, Rainha D. Maria Pia, é a filha mais nova do Rei de Itália. O médico obstreta assistente da então tradicional parteira (Narcisa) foi José Eduardo de Magalhães Coutinho.

29 de Setembro: «Te Deum» solene, na Igreja de S. Domingos, pelo nascimento do príncipe real.

19 de Outubro: O baptismo, feito no paço no dia do nascimento, é oficialmente confirmado na Igreja de S. Domingos, local onde tradicionalmente decorrem as celebrações religiosas da Família Real. A madrinha, por procuração, é a irmã da mãe: princesa Clotilde de Sabóia.



1864

11 de Fevereiro: Reconhecimento de D. Carlos como sucessor de D. Luís, em reunião das Cortes.



1865

31 de Maio: nasce o infante D. Afonso, único irmão de D. Carlos.

15 de Setembro: viaja com os pais para o Porto, para assistir à inauguração do Palácio de Cristal (demolido em 1954) e da primeira Exposição Industrial Internacional Portuguesa, congénere de outras iniciativas europeias destinadas ao desenvolvimento das indústrias e do comércio.

27 de Setembro: o infante D. Afonso é baptizado na capela da Ajuda.



1867

9 de Outubro: inauguração da Galeria de Pintura do Real Palácio da Ajuda.



1868

12 de Abril: acompanha a mãe, Rainha D. Maria Pia, na viagem a Itália para o casamento do tio, o príncipe herdeiro Humberto de Sabóia (com a princesa Margarida, filha do duque de Génova e prima de ambos).

2 de Julho: regressa, com a mãe, a Lisboa.



1869

10 de Junho: D. Fernando, avô de D. Carlos, casa com a ex-cantora de ópera Elisa Hensler, que recebeu em Coburgo o título de condessa de Edla.

31 de Outubro: o Rei D. Luís redige testamento.



1870

17 de Abril: um grande ciclone varre Lisboa, sendo particularmente sentido no bairro da Ajuda.

16 de Novembro: o príncipe D. Carlos inicia os estudos primários, com o professor Júlio Joubert Chaves.



1871

12 de Julho: chega a Portugal o Imperador D. Pedro II do Brasil, tio-avô de D. Carlos.





1872

25 de Junho: visita o Porto na companhia dos pais.

5 de Outubro: começa a receber aulas sobre as «leis do Estado» com o conselheiro Martens Ferrão.

Novembro: participa nas suas primeiras caçadas reais, com uma pequena espingarda oferecida pelo pai.



1873

26 de Janeiro: morre a Imperatriz D. Amélia, segunda mulher de D. Pedro IV, bisavô de D. Carlos.

2 de Outubro: D. Carlos e o irmão, D. Afonso, estão prestes a afogar-se numa zona da Boca do Inferno, em Cascais, conhecida por Mexilhoeiro, sendo salvos pela mãe e pelo faroleiro António de Almeida Neves.



1875

22 de Abril: morre a Infanta D. Isabel Maria, ex-regente do Reino, filha de D. João VI e tia-bisavó de D. Carlos.



1877

15 de Abril: faz a primeira comunhão.



1878

9 de Janeiro: em Itália, assiste com a mãe ao funeral do avô, o Rei Vítor Manuel II, primeiro soberano da Itália unificada.

14 de Março: na sessão especial das Cortes, em S. Bento, faz juramento como herdeiro presuntivo da coroa.

28 de Setembro: é nomeado alferes de Lanceiros, pelo pai, o Rei D. Luís. Recebe o seu primeiro barco, o Nautilus. Nesta noite, é oficialmente inaugurada a electricidade em Portugal, em candeeiros públicos dispostos na Parada de Cascais.





1879

2 de Junho: início da visita a Portugal pelos príncipes Rodolfo e Leopoldo da Áustria.

24 de Agosto: data oficial (inexacta na prática) do início da demolição do Passeio Público de Lisboa, jardim frequentado pela realeza e nobreza lisboetas desde o tempo de D. Maria II. No seu lugar, nascerá a futura Avenida da Liberdade.



1880

10 de Junho: assiste, com os pais, ao cortejo histórico que assinala o centenário de Camões. Neste dia é inaugurado, em Lisboa, o Atheneu Comercial.



1881

21 de Novembro: início da visita a Lisboa da princesa imperial do Brasil, primogénita do Imperador D. Pedro II.

24 de Novembro: parte, com a família, para mais uma visita ao Porto.



1882

26 de Março: D. Carlos assume o seu lugar no Conselho de Estado.



1883

22 de Maio: pela primeira vez, é jurado regente do reino, assumindo-se como tal durante uma viagem dos pais a Espanha.

2 de Junho: parte em viagem pela Europa, acompanhado de Martens Ferrão e António Augusto de Aguiar.



1884

5 de Fevereiro: morre a sua tia Maria Ana (casada com o príncipe Jorge, futuro rei de Saxe).

28 de Setembro: por sua maioridade, recebe a administração da Casa de Bragança, único morgadio ainda permitido em Portugal. D. Luís e D. Maria Pia começam a sondar as casas reais europeias, em busca de uma princesa para noiva do filho.

16 de Novembro: a Infanta D. Antónia, tia de D. Carlos, comunica não oficialmente ao irmão (D. Luís) a recusa duma proposta de casamento entre D. Carlos e a princesa alemã Victoria, irmã do futuro Kaiser Guilherme II. A mãe desta, filha mais velha da Rainha Vitória de Inglaterra, justifica-se com o facto de a família imperial alemã professar o protestantismo. D. Antónia sugere, como alternativa, «a Paris, pois é deveras uma rapariga muito galante» (refere-se à filha dos condes de Paris, futura noiva de D. Carlos que, aparentemente, aceita à partida a sugestão da tia).





1885

20 de Setembro: participa, com o Rei D. Luís, nas grandes manifestações lisboetas aos exploradores Capelo e Ivens.

15 de Dezembro: morre, no Palácio das Necessidades, o Rei D. Fernando, viúvo de D. Maria II e avô de D. Carlos.





1886

17 de Janeiro: parte para França, onde conhecerá pessoalmente a princesa Amélia de Orleães, filha dos condes de Paris

6 de Fevereiro: pedido oficial da mão da princesa D. Amélia.

7 de Fevereiro: ceia de gala no palácio dos condes de Paris, celebrando o noivado.

22 de Fevereiro: parte com a família da noiva para Cannes, onde fica até 5 de Maio.

20 de Maio: D. Amélia chega a Lisboa, desembarcando em Santa Apolónia.

22 de Maio: casamento, na igreja de S. Domingos, de D. Carlos com a princesa D. Amélia de Orleães.

22 de Junho: decreto do parlamento francês, expulsando de França todos os descendentes de famílias reais outrora reinantes no país. A decisão incliu os pais da Rainha D. Amélia e aparece ligada aos excessivos festejos do casamento desta com o príncipe real português.



1887

12 de Janeiro: início da visita do pai de D. Amélia, o conde de Paris, a Portugal.

21 de Março: nascimento do primeiro filho de D. Carlos e D. Amélia, duques de Bragança, o príncipe D. Luís Filipe.

27 de Março de 1887: chegada da Infanta D. Antónia, tia de D. Carlos, a Lisboa. É a sua primeira visita desde que, em 1861, embarcou na corveta Bartolomeu Dias com o marido, príncipe Leopoldo de Hohenzollern, rumo a Sigmaringen.

11 de Junho: D. Carlos e D. Amélia embarcam para Inglaterra, onde assistirão às celebrações do jubileu de ouro da Rainha Vitória.

14 de Dezembro: nasce, no Paço de Vila Viçosa, a infanta D. Maria, filha de D. Carlos e de D. Amélia. Morre duas horas após o parto.

17 de Dezembro: cerimónias fúnebres pela infanta D. Maria, no panteão real, em S. Vicente de Fora.





1888

1 de Janeiro: ausência do Rei D. Luís no acto solene de abertura das cortes, por motivo de doença.

25 de Março: a Rainha D. Maria Pia viaja para o Porto, para apoiar as famílias das vítimas do incêndio do Teatro Baquet, ocorrido cinco dias antes.

13 de Maio: início da visita do Rei Óscar II da Suécia.

10 de Junho: D. Carlos obtém quatro menções honrosas pelo gado apresentado na Exposição Pecuária Nacional de Lisboa, na Rotunda da Avenida da Liberdade.

30 de Julho: D. Carlos é jurado regente, enquanto seu pai se ausenta para uma cura termal na Áustria.





1889

3 de Janeiro: D. Carlos e D. Amélia visitam os pais desta, exilados em Espanha.

11 de Maio: o Rei D. Luís condecora D. Carlos como Cavaleiro da ordem Militar de S. Bento de Aviz.

19 de Agosto/17 de Setembro: D. Carlos visita Itália e Paris.

26 de Setembro: morre, no Palácio das Necessidades, o infante D. Augusto, irmão do Rei D. Luís e tio de D. Carlos.

19 de Outubro: o Rei D. Luís morre aos 50 anos, após longa e dolorosa agonia, na cidadela de Cascais.

15 de Novembro: nascimento do terceiro filho de D. Carlos e D. Amélia, o futuro Rei D. Manuel II.

7 de Dezembro: chegada do Imperador D. Pedro II a Lisboa, após ter sido deposto por um golpe militar que implantou a República no Brasil.

28 de Dezembro: D. Carlos é oficialmente aclamado Rei de Portugal. 
[.../...]


 (CONTINUA NO LIVRO. EDIÇÃO
  QUIMERA, 2007/2008. Nas livrarias)

ATENÇÃO: 
SE QUER UM LIVRO, PERGUNTE POR ELE. NÃO DEIXE QUE SEJAM AS LIVRARIAS A DECIDIR O QUE DEVE LER. As livrarias só repõem os livros esgotados depois de terem vendido aqueles cujas editoras compraram destaques ou «topos de gôndola». Não espere encontrar livros bons. Espere encontrar livros muito vendidos, através da promoção e da publicidade. 
Os livros de Marina Tavares Dias podem ser boicotados, mas continuarão a vender se O LEITOR EXIGENTE os pedir e deixar de comprar nas livrarias onde os não encontra.
REMEMOS CONTRA A CORRENTE DA MAIS-VALIA DE QUEM PAGA PARA NOS TER COMO CARNEIROS. Também nos nossos hábitos de consumo. Sobretudo nos nossos hábitos de consumo. Obrigado a todos os nossos leitores fiéis.


Negativo de JOSHUA BENOLIEL, 
mostrando o Rei a rir. 
Imagem raríssima, inédita para este livro, do 
ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS






domingo, 29 de junho de 2014

PORTUGAL E A PRIMEIRA GRANDE GUERRA



«Arquiduque Francisco Fernando da Áustria com a mulher, Sofia, e os filhos. O casal foi assassinado em Serajevo - fez ontem (28 de Junho) precisamente um século. A ligação da Sérvia ao assassinato, cometido por um presumível jovem mercenário bósnio, desencadeou a Primeira Grande Guerra. 


Pouco tempo após estas mortes, a Áustria-Hungria (então o segundo maior império da Europa) declarou guerra à Sérvia. A política de alianças obrigou França, Inglaterra e Rússia a entrarem na guerra contra os austríacos, apoiados pela Alemanha. Nos quatro anos seguintes, a Europa assistiu à maior mortandade que jamais assolara os seus campos de batalha.[...]»




«No início da guerra, os franceses interrogavam-se sobre o atraso que a jovem República Portuguesa levava a decidir o envio de tropas, para cumprir os compromissos impostos por alianças diplomáticas. O postal de Xavier Sager mostra a França à espera de os ver chegar. [...]»


«Soldado a caminho da frente de batalha. Desenho de Stuart Carvalhaes, c. 1917.»



[...] «O Soldado Português visto pelos franceses. Finalmente a caminho das trincheiras, pronto para o massacre de batalhas como a de La Lys, deixará para trás um rasto de auto-sacrifício em nome da Pátria. Os campos franceses albergam centenas de campas com nomes escritos em português.»



Postais ilustrados editados entre 1906 e 1918. ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.

Do livro inédito
PORTUGAL NO TEMPO DA GRANDE GUERRA
de MARINA TAVARES DIAS.

sábado, 17 de maio de 2014

STEPHANIE, STEPHANIA, ESTEFÂNIA





MARINA TAVARES DIAS 
EM 
LISBOA DESAPARECIDA VII (2001):

«[...] Da primeira vez que entrara, a aia que a acompanhava sentira-se mal[ ...], desculpando-se que a crinolina do vestido não passava porta tão estreita. Estefânia dobrou a sua própria crinolina em duas, seguindo decidida até à escada [...] que conduzia ao quarto [...] da doente. Fazia sempre as camas e batia os colchões de palha, aparentemente sem medo de contrair [...] maleitas, numa época anterior à penicilina, em que a exposição a ambiente insalubre representava perigo hoje impensável [...]

Quando o pai das crianças sofreu um acidente grave que o incapacitou de trabalhar, [...] passou a visitá-los duas vezes por dia, levando sempre consigo almoço e jantar para 12 pessoas. » [CONTINUA NO LIVRO]













quinta-feira, 24 de abril de 2014

O 25 de Abril do José Antunes

Já ouvi e li esta fotografia atribuída a mais de dez pessoas.
Quem morreu não se defende; mas quem a tirou, num ano em que eu ainda andava nos bancos da escola, foi o meu futuro colega do 'Diário Popular', o grande fotógrafo da sua geração: José Antunes.

E sim, vi o negativo, e a sequência toda. Não é no Carmo. É à porta do elegante Paris em Lisboa, no Chiado. Após eventual fuga de agentes da PIDE, vindos da António Maria Cardoso. Havia uns 40 fotógrafos neste sítio. Mas esta fotografia específica, que se transformou num dos logótipos do 25 de Abril, é do JOSÉ ANTUNES.

Através dela aproveito para homenagear aquela geração de repórteres de mão-cheia, que apanhei no apogeu da carreira quando, aos 18 anos, comecei a escrever e a publicar.
Saudades vossas. Saudades de Abril, também.

Saudosista, eu? - Nem por isso. Sempre escrevi sobre a História da cidade. Nada que tivesse visto. Nada que tivesse sido meu.
Mas de vós, sim, tenho saudades. Do tempo em que ser jornalista era partir em busca da notícia. Aprendi tudo convosco. Os que vieram depois não sabem o que perderam.'

MARINA TAVARES DIAS


Esta prova fotográfica específica
foi impressa por José Antunes 
em grande formato e oferecida
à Direcção Geral da Comunicação Social.
Durante anos, o fundador 
da Fototeca do Palácio Foz,
Avelino Soares, 
teve-a em destaque, à entrada
deste precioso arquivo fotográfico 
(extinto quando Carrilho foi ministro da Cultura)

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O MUNDO: A demolição da memória de um jornal

Quando, no primeiro quartel de novecentos, a toponímia lisboeta foi alterarada para albergar o nome dos jornais mais importantes da cidade, os títulos homenageados eram os diários de maior tiragem na época: O Século (com sede na Rua Formosa), o Diário de Notícias (na Rua dos Calafates) e O Mundo (na Rua Larga de S. Roque). 

Pois é: a mudança de topónimos tradicionais dá sempre grossa asneira. Mas em nenhum outro caso ficou isso mais evidente. O Diário de Notícias (que saiu da «sua» rua em 1940) e O Século (encerrado em 1977) mantiveram no Bairro Alto nome e topónimo. O Mundo, republicano-progressista, cedo foi apagado da circulação e da toponímia. Conseguiu-se assim o prodígio da «rua com três nomes». Na década de 1980 ainda havia pessoas que chamavam Rua de S. Roque, e outras que chamavam Rua do Mundo à... Rua da Misericórdia. 

O edifício esteve quase a cair durante décadas. Hoje, recuperado, alberga a Associação 25 de Abril. Do Mundo nada resta. Reparem na fachada. Há um espaço «em branco» entre as varandas. Era lá que, imponente, se erguia o gigantesco globo. Parecia eterno.





segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

BENOLIEL coleccionador de postais ilustrados

O fotógrafo Joshua Benoliel, cujo espólio fotográfico sobrevivente é o mais importante do início do século XX português, foi um ávido coleccionador de bilhetes postais ilustrados. 

Aproveitava os exemplares que editores para quem trabalhava lhe davam, impressos em fototipia a partir de cada fotografia sua por eles comprada. Com esses postais, estabeleceu uma verdadeira rede de correspondência entre Portugal e vários países europeus. Preferia os correspondentes franceses. Ao longo de décadas, a olisipógrafa MARINA TAVARES DIAS frequentou todas as feiras de postais ilustrados antigos, em França, Bélgica, Reino Unido, Espanha e Itália. A frequência com que, após horas de buscas entre centenas de milhares de exemplares portugueses, encontrou a assinatura de Benoliel em «carte pour exchange» («postal para troca») permitiu-lhe descobrir uma faceta do famoso fotógrafo totalmente desconhecida até hoje, neste blog.

Aqui a revela, através de testemunho directo, pela primeira vez. Pronto: já podem começar a copiar a informação. LOL






(texto de João M. Sousa, 
ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Empresa Cerâmica de Lisboa, no coração de Campo de Ourique

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS

Ilustração do capítulo sobre CAMPO DE OURIQUE,
no volume VII

A Empresa Cerâmica de Lisboa. Onde hoje está a Igreja do Santo Condestável. Fotografia em albumina sobre cartão, fomato, 40 X 30 cm. Rua Saraiva de Carvalho em 1904.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A SUÉCIA NA NOSSA FEIRA POPULAR

Pavilhão da Suécia na Feira Popular de Lisboa [...]
A Feira Popular abria caminho a mercados até então desconhecidos dos portugueses. Muitas das especialidades gastronómicas aqui vendidas ou servidas só regressariam 50 anos depois, com os minimercados instalados nas lojas de móveis Ikea.

MARINA TAVARES DIAS 
em 
LISBOA DESAPARECIDA


(ilustração do volume IX; 
capítulo A Feira Popular de Lisboa;
fotografia de Eduardo Portugal, 1946)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A. CAEIRO

Há dias passava eu de carro na Avenida Almirante Reis. Levantando os olhos por acaso, leio no cabeçalho de uma loja: Farmácia A. Caeiro.

Carta de FERNANDO PESSOA
a Armando Côrtes-Rodrigues, 
datada de 4 de Outubro de 1914 e
explicando a génese e os apelidos 
dos seus heterónimos.

Ilustração e citação retiradas de:
A LISBOA DE FERNANDO PESSOA
de 
MARINA TAVARES DIAS


(postal ilustrado em fototipia, edição de Faustino Martins)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Badalejando

«Dantes, dizia-se badalejar. As casas grandes tinham à porta a maçaneta de latão, devidamente centrada numa estética cercadura. A ela estava ligado, no interior, um pequeno sino dourado.
Para os dedos não deslizarem, em caso de nervosismo ou mesmo de chuva, cada puxador era lavrado em espiral, às vezes com alguma imaginação. Camilo badalejava quando ia visitar alguém; Eça badalejava. Não conheciam o irritante som já semi-electrónico das casas da segunda metade do século XX: 'tim-tom!' Anthero badalejou à porta de muitos amigos pelo reconforto de uma frase, Gomes Leal pelo de uma sopa.

Já ninguém badaleja. Perdeu-se o verbo. Os restos destes badalos foram-se adaptando às fachadas, incorporando-se nelas, cimentados nelas ou adaptados a campaínha, já sem o característico puxador.Páro na rua sempre que vejo a maçaneta do badalo intacto, e pouso logo o olhar no degrau de entrada. Muitos passos, poucos passos? - Depende disso o desgaste. Dependiam disso as promessas do trinco da porta.»

MARINA TAVARES DIAS em LISBOA DESAPARECIDA



sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O DIA EM QUE O CHIADO ARDEU

Primeira página do texto da reportagem de MARINA TAVARES DIAS
sobre os 25 anos
do incêndio do CHIADO.
Revista VISÃO.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EM CAMPANHA PELA RECONSTRUÇÃO DO CHIADO (1988)

Excertos de dois dos inúmeros textos publicados por Marina Tavares Dias em jornais e revistas, entre Agosto e Dezembro de 1988, defendendo a manutenção das lojas históricas que arderam no incêndio do dia 25 de Agosto de 1988. Textos e fotografias das publicações da época: ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.



sexta-feira, 3 de maio de 2013

PROCISSÃO DA SENHORA DA SAÚDE, no Domingo, na AVENIDA ALMIRANTE REIS


É DIA DE PROCISSÃO

DA SENHORA DA SAÚDE

«encham-me essa Avenida!»



No próximo Domingo de regresso à Avenida. Saudades para D. Genciana... 

[In: FB, Página da LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS] Fotografias: Arquivo MTD




domingo, 27 de janeiro de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

LISBOA DESAPARECIDA - volume II

GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO
em
LISBOA DESAPARECIDA,
de
Marina Tavares Dias,
volume II.
O Palácio Barcelinhos, onde estavam instalados os Grandes Armazéns do Chiado. Este local correspondia à antiga igreja do Convento do Espírito Santo da Pedreira. O interior do edifício ficou reduzido a cinzas durante o incêndio do dia 25 de Agosto de 1988.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cinema Lys

Cinema Lys

na Avenida Almirante Reis

(gaveto com a Rua dos Anjos), bairro dos Anjos.

Década de 1940







Lisboa Desaparecida

de Marina Tavares Dias

volume VIII - Os Cinemas de Bairro

terça-feira, 27 de novembro de 2012