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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Badalejando

«Dantes, dizia-se badalejar. As casas grandes tinham à porta a maçaneta de latão, devidamente centrada numa estética cercadura. A ela estava ligado, no interior, um pequeno sino dourado.
Para os dedos não deslizarem, em caso de nervosismo ou mesmo de chuva, cada puxador era lavrado em espiral, às vezes com alguma imaginação. Camilo badalejava quando ia visitar alguém; Eça badalejava. Não conheciam o irritante som já semi-electrónico das casas da segunda metade do século XX: 'tim-tom!' Anthero badalejou à porta de muitos amigos pelo reconforto de uma frase, Gomes Leal pelo de uma sopa.

Já ninguém badaleja. Perdeu-se o verbo. Os restos destes badalos foram-se adaptando às fachadas, incorporando-se nelas, cimentados nelas ou adaptados a campaínha, já sem o característico puxador.Páro na rua sempre que vejo a maçaneta do badalo intacto, e pouso logo o olhar no degrau de entrada. Muitos passos, poucos passos? - Depende disso o desgaste. Dependiam disso as promessas do trinco da porta.»

MARINA TAVARES DIAS em LISBOA DESAPARECIDA



terça-feira, 17 de setembro de 2013

MARINA TAVARES DIAS e o DIÁRIO DE LISBOA


Algumas (apenas algumas) de muitas prosas © Marina Tavares Dias no extinto vespertino «Diário de Lisboa». Reprodução e redistribuição proibidas, ao abrigo da lei que protege a propriedade intelectual.

O símbolo de Direitos de Autor, designado pelo © (um "C circunscrito") , é usado para fornecer aviso de direitos em obras escritas por autores ainda vivos ou mortos há menos de 70 anos.

























segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EM CAMPANHA PELA RECONSTRUÇÃO DO CHIADO (1988)

Excertos de dois dos inúmeros textos publicados por Marina Tavares Dias em jornais e revistas, entre Agosto e Dezembro de 1988, defendendo a manutenção das lojas históricas que arderam no incêndio do dia 25 de Agosto de 1988. Textos e fotografias das publicações da época: ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.



domingo, 18 de agosto de 2013

BAIRRO ALTO: a «casa» dos grandes jornais

Marina Tavares Dias 

subindo a escadaria do DIÁRIO DE LISBOA  


                                                        Fotografia de Rodrigues da Silva, 1988.


'[.../...] Quinta-feira, 7 de Abril de 1921. O "Diário de Lisboa" começa a publicação, provisoriamente instalado no número 90 da Rua do Carmo. As janelas abrem-se sobre requintes do comércio mais luxuoso, mas o velho segundo andar deste prédio pombalino ainda se assemelha pouco a uma Redacção: os quartos são acanhados, o acesso à rua é feito por escada íngreme de degraus carunchosos. De noite, os ratos cruzam-se por baixo das bancas dos redactores e sobre a "mesa da estiva" onde, ao centro da sala mais larga, são revistas as provas tipográficas.

Almada Negreiros tem estirador nessa sala. Para o primeiro número do jornal, traça a tinta da china o destino adivinhado dum vespertino de vanguarda. São esboços da vida contemporânea: carros eléctricos, mulheres de saia curta em plena Baixa, luvarias da moda, casas de chapéus. António Ferro escreve um poema sobre essas ilustrações. Ao alto da terceira página, em título garrafal, como um segundo logotipo, manda compôr: "Rua do Oiro". (...) Almada e Ferro assinam, juntos, uma opção do próprio fundador, Joaquim Manso: falar da modernidade, divulgar a poesia, dar emprego aos ilustradores e privilegiar temáticas olisiponenses. Serão presença constante no "DL" de Joaquim Manso e Alfredo Vieira Pinto.

Almada "muda-se" com o jornal, para a Rua Luz Soriano número 44, em 1923. [.../...]
(...) Na sala ampla e arejada do primeiro andar, às mesas de trabalho sentam-se, frente a frente, Rodrigues Pereira e Stuart Carvalhaes, Thomaz Ribeiro Colaço e Pedro Bordallo Pinheiro, Ferro e Álvaro de Andrade, Norberto Lopes e António Carneiro, Artur Portela e Sarmento Duque, Carmen Marques e Vasconcellos e Sá, Miguel Martins e Sá Pereira.'


MARINA TAVARES DIAS 
(excerto inicial da história do DIÁRIO DE LISBOA. Adaptado para o blog)


terça-feira, 16 de abril de 2013

CHIADO:

AS PORTAS DE SANTA CATARINA







« O alinhamento dos edifícios na quinhentista Rua Direita das Portas de Santa Catarina diferia alguma coisa do Chiado que hoje conhecemos. O traçado da rua mantém-se semelhante àquilo que foi antes do terramoto, mas o novo alinhamento eliminou muitas das pequenas travessas que se abriam em direcção ao monte do Carmo. Azinhagas e becos foram, depois, substituídos por novos prédios. Os documentos da reconstrução identificam alguns: Travessa da Casa dos Sá e Menezes, Azinhaga de Gil Vicente, Beco da Cruz, Travessa do Sacramento (a calçada do mesmo nome mantém o local).

E difícil imaginar o cenário de movimentada artéria. Mas parece hoje provado que o topónimo Chiado nasceu nesta época e numa taberna da zona. Assim, a história da Rua Garrett que hoje conhecemos começa na primeira esquina da mesma rua, no quarteirão onde estão os despojos da Antiga Casa José Alexandre »

( pequeno fragmento

de um dos textos

do segundo volume

da LISBOA DESAPARECIDA

de MARINA TAVARES DIAS )

 

Incêndio do Chiado

1988

quinta-feira, 14 de março de 2013

terça-feira, 5 de abril de 2011

Praça da Figueira


Praça da Figueira. O antigo mercado, demolido em 1949. Postal ilustrado antigo, escolhido para ilustrar a capa do primeiro volume de «Lisboa Desaparecida», em 1987.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Artigo de 1986


Lisboa Desaparecida: um fenómeno da olisipografia nascido nos jornais


Das chatas e labregas que desciam a ria de Aveiro até aos mais miseráveis bairros da Lisboa de Oitocentos, as varinas cumpriram todos os rituais da estampa etnográfica. Inspiraram poetas, pintores e alfacinhas em geral, atentos aos gritos quotidianos que anunciavam a chegada do peixe: "Viva da costa!"; "Pescada do alto!"; "Olha a bela pescada marmota!". Um dia, desapareceram. Caiou-se de novo a lúgubre Madragoa e fizeram-se restaurantes finos nas antigas tascas do vinho morangueiro, sentaram-se etnógrafos a narrar origens e extinção das «gregas do ocidente», conformaram-se os outros bairros com peixe congelado dos supermercados. Foi assim aos poucos, antes que se desse por isso. Mas foi o fim de uma era. Publicado no «Diário de Lisboa» em 1989.