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domingo, 5 de outubro de 2014

CAFÉ NICOLA





«A fachada de Norte Júnior (1929) e os interiores de Raul Tojal (1935) fazem hoje do Nicola um dos estabelecimentos lisboetas de obrigatória visita turística. Pelas paredes, telas de Fernando dos Santos recordam episódios duma era esquecida: o Rossio de 1800, os improvisos de Bocage, as poses de José Agostinho de Macedo, as candeias a óleo de peixe, os soldados franceses de bicórnio, os frades embuçados. Uma das cenas retratadas não poderia deixar de ser a história que ficou como símbolo máximo da jovialidade de Bocage. Uma história repetida na tradição oral e, mais tarde, pelas inúmeras descrições romanceadas da vida do poeta. Interpelado pela polícia, no Rossio, sobre quem era, de onde vinha e para onde ia, Bocage terá respondido em verso, mais ou menos assim: “Eu sou o Bocage / Venho do Nicola / Vou p’ró outro mundo / Se dispara a pistola”.»

Os Cafés de Lisboa de Marina Tavares Dias
Fotografia de Marina Tavares Dias

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014





MORADAS DOS MAIS MÍTICOS 
CAFÉS DE LISBOA
ATRAVÉS DOS SÉCULOS

Recolha do Arquivo Marina Tavares Dias
com base, exclusivamente, 
nos livros da olisipógrafa

parte I

CAFÉS DO ROSSIO


Café Nicola – Rossio (Praça D. Pedro IV), 25.
Desde 1929. O Nicola inicial, de tempo de Bocage, era anterior a 1787, encerrando em 1837.

Botequim das Parras – Rossio (Praça D. Pedro IV), 27 a 29. Fundado antes de 1790, durou até meados do século XIX. Leitaria Luso-Central a partir de 1916. Depois Restaurante e “
Snack-Bar” Pic-Nic e agora de novo com o nome Luso-Central (restaurante), vale a pena ir ver a recuperação da sua bela fachada de 1916.


Café Chave d’Ouro – Rossio (Praça D. Pedro IV), 33 a 38.
Fundado em 1916 e encerrado em 1959, ocupou inicialmente e até 1935 apenas os números 37 e 38. Comprado pelo Banco Nacional Ultramarino, continua a ser dependência bancária.


A Brasileira (conhecida por Brasileira do Rossio, distinguindo-se assim da Brasileira do Chiado) – Rossio (Praça D. Pedro IV), 51 a 53. Fundada em 1911 por Adriano Telles, o dono da Brasileira do Chiado (café este de que falaremos noutro post) e encerrada em 1960. Reabertura temporária, com o tecto original alterado, durante alguns meses de
 1966. Actualmente: BCP-Millenium.


Café Portugal – Rossio (Praça D. Pedro IV), 56 a 58.
1935-1988, funcionando ultimamente como sala de jogos electrónicos. A partir de 1990 esteve no local a «mega-loja» Valentim de Carvalho. Hoje, é uma sapataria.

Botequim do Freitas – Rossio (Praça D. Pedro IV), 64 e 65.
Mais tarde Café do Gelo.
Inaugurado em 1883. Remodelado em 1939 e em 1954. Encerrado em 1991. Ultimamente, com a mesma designação, funcionava como pastelaria e “snack bar”. Mudou para a denominação Abracadabra em 1991, pretendendo-se “fast-food” português. Há poucos anos, retomou a vocação de café e ainda se chama Gelo. Curiosa a disposição interior, em «L», formato original do estabalecimento.


Botequim do Barão – Rossio (Praça D. Pedro IV), 66 a 68.
Depois sucessivamente chamado Café Moreira e Café Europa. Deu lugar a uma livraria no final do século XIX. Actualmente: telefones públicos do Rossio (loja da Portugal Telecom ou, desde esta semana, chamada MEO).


proximamente:
CAFÉS DA PRAÇA D. JOÃO DA CÂMARA 
(ANTIGO LARGO CAMÕES)



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

RECORTES

Pormenor de leque aguarelado representando uma cena à
entrada do desaparecido Passeio Público, onde hoje está 
a Avenida da Liberdade. O Passeio lisboeta foi um dos
primeiros temas abordados na LISBOA DESAPARECIDA




Excerto de uma entrevista de Marina Tavares Dias ao JORNAL DE LETRAS, marcando a primeira década da publicação da LISBOA DESAPARECIDA:



«A "Lisboa Desaparecida" completa a sua primeira década. Pedem-me agora que sobre ela escreva, o que se me afigura tarefa espinhosa: nunca tal fiz, ao longo de todo este tempo.
[.../...]

Naquela época, julguei fácil convencer uma editora a investir nos textos do "Popular" (alguns, entretanto, publicados também no "Expresso"), porque contavam já com o que eu julgava ser um público fiel. Ninguém embandeirou em arco, houve hesitações e recusas até ao dia em que, sentada à minha secretária na Redacção, recebi uma chamada: "Somos uma editora nova e gostamos imenso das suas páginas de Sábado". Meses depois, eu e essa "editora nova" estávamos a lançar o primeiro volume da "Lisboa Desaparecida" no Café Nicola. O resto é sabido.

Passaram 10 anos. Muito pouco daquilo que era o meu estilo desse tempo (aos vinte e poucos anos) permanece. Muito pouco do que foram as motivações iniciais é hoje prioritário. Desapareceu o "Diário Popular" - o seu público fiel onde estará? -, a enorme Redacção em «open-space» (como agora é uso dizer-se) está vazia, o precioso arquivo talvez perdido. O Bairro Alto deixou de ser o bairro dos jornais e os diários vespertinos cumpriram o seu ciclo temporal. Existe hoje em dia, pela primeira vez, uma "Lisboa Desaparecida" onde eu vivi. [...] Em 1987, partia-me a rir dos colegas mais velhos que me chamavam saudosista. Saudosista de quê? - Eu nunca vira os edifícios demolidos sobre os quais escrevia, condenando a destruição da cidade. Era tudo investigação. A mim, ao meu passado, não tinham ainda arrancado nada.»

sábado, 25 de janeiro de 2014

Cafés: acolhedores cenários da nossa criatividade.



Muitos têm sido os escritores que referem o papel importante que escrever e ler nos cafés da capital teve nas suas vidas.

Dessas frases, duas são imortais. Mesmo!


(Recolhidas de OS CAFÉS DE LISBOA de MARINA TAVARES DIAS, 1999)





Um visitante experimentado e fino chega a qualquer parte, entra no café, observa-o, examina-o e tem conhecido o país em que está, o seu governo, as suas leis, os seus costumes, a sua religião. - Almeida Garrett.




E as metafísicas perdidas nos cantos de cafés de toda a parte. - Álvaro de Campos.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O PRIMEIRO NICOLA

[...] O apelido Nicola aparece ligado ao comércio da cidade desde meados do século XVIII. Antes do terramoto terá existido pelo menos um italiano Ni­cola, fabricante de velas [...] em plena Baixa, próximo do Pátio das Comedias [área compreendida entre as actuais ruas Augusta e da Prata], tendo mesmo dado origem a um topónimo espontâneo: Beco do Nicola.

[...] Após pesquisa nos livros de despachos régios [...] verificamos a existência de dois Nicolas na Lisboa de 1808: Joaquim Nicola e Nicola Marengo. Um terceiro Nicola é, em 1827, anunciante da “Gazeta de Lisboa”. Possuía casa no número 136 do Campo Grande e aí vendia raízes de plantas oriundas da Itália e da Holanda. Este Nicola Breteiro é, segundo Tinop, o candidato mais provável à identidade real do botequineiro do Rossio, visto terem os seus anúncios na “Gazeta” terminado no preciso ano em que o próprio café foi trespassado: 1829. [..../...]

.... Continua no livro OS CAFÉS DE LISBOA
de MARINA TAVARES DIAS.
O Café Nicola, reconstruído no século XX,
é o último que resta dos clássicos cafés do Rossio


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

OS ÓRFÃOS DOS CAFÉS: Marina Tavares Dias por Eduardo Prado Coelho

Um texto magnífico de 

EDUARDO PRADO COELHO

 sobre os livros de

 MARINA TAVARES DIAS. 

Disponível neste blog:





OS ÓRFÃOS DOS CAFÉS



Tal como Borges escreveu um dia, eu poderia de igual modo dizer: «Nasci noutra cidade que também se chamava Lisboa».

Borges diz que recorda o que viu e também o que os pais lhe contaram. Mas ele sabe que as nossas verdadeiras cidades são sempre as cidades da nossa infância. Por isso acrescenta: «sei que os únicos paraísos não proibidos ao homem são os paraísos perdidos. / Alguém, quase idêntico a mim, alguém que não terá lido esta página / lamentará as torres de cimento e o podado obelisco». A cidade de hoje será a infância de amanhã.

Por tudo isto gosto imenso dos livros de MARINA TAVARES DIAS. Com uma obstinação exemplar, ela tem vindo a reerguer a «Lisboa Desaparecida», isto é, a Lisboa da minha infância e sobretudo a Lisboa dos meus tempos de estudante, mas também a Lisboa dos meus pais e dos meus avós (com o tempo tudo se mistura, e regressamos todos à mesma pátria intemporal, à Lisboa fora do tempo, onde brincámos e aprendemos a amar). Associando a isto duas outras obsessões, mas a verdade é que as duas coisas não estão separadas: Sá-Carneiro e Pessoa, ligados aos cafés que eles frequentaram e aos lugares onde passearam e escreveram.

Num desses livros envolvidos numa aura de bruma, Marina Tavares Dias restitui-nos agora «Os Cafés de Lisboa» (Quimera). Noutro dia Jorge Listopad escrevia que à saída do Teatro São João do Porto me tinha visto, no último café iluminado na noite da cidade, a escrever certamente a crónica para o dia seguinte. Não era por acaso. As crónicas escrevo-as sempre em computador. O resto (que se poderia dizer «o essencial», mas talvez isto nem sempre bata certo), escrevo-o à mão, em cadernos verdes ou azuis, nos cafés ensonados e friorentos que ainda existem pelo mundo fora.

A verdade é que adoro cafés. E que tive em cafés alguns dos mais belos momentos de leitura, encontro, discussão, contemplação, escrita, estudo, violência de olhares, ternura das mãos, de que me posso lembrar. Nesses cafés que a Marina recorda no seu livro: o Monte Carlo, o Monumental, a Brasileira, o Palladium, ou, depois, a Grã-Fina, o Nova-Iorque, o Vává. E entre os motivos que tenho para gostar do Porto estão os cafés que ainda lá existem: cafés rodeados de noite e fumo, com velhos de unhas negras, prostitutas tristes, e adolescentes sufocando a tristeza num bolo de arroz e num leite quente.

Eduardo Prado Coelho, in Crónicas no Fio do Horizonte, Asa, 2004

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

LISBOA DESAPARECIDA - O INÍCIO

Lançamento do primeiro livro com textos
sobre a Lisboa Desaparecida de Marina Tavares Dias.



Café Nicola, Rossio, Dezembro de 1987

terça-feira, 21 de abril de 2009

TEXTO PUBLICADO NO «JORNAL DE LETRAS»
EM 1997, MARCANDO
A PRIMEIRA DÉCADA
DA PUBLICAÇÃO DO PRIMEIRO LIVRO.


A "Lisboa Desaparecida" completa a sua primeira década. Pedem-me agora que sobre ela escreva, o que se me afigura tarefa espinhosa: nunca tal fiz, ao longo de todo este tempo.
[.../...]

Naquela época, julguei fácil convencer uma editora a investir nos textos do "Popular" (alguns, entretanto, publicados também no "Expresso"), porque contavam já com o que eu julgava ser um público fiel. Ninguém embandeirou em arco, houve hesitações e recusas até ao dia em que, sentada à minha secretária na Redacção, recebi uma chamada: "Somos uma editora nova e gostamos imenso das suas páginas de Sábado". Meses depois, eu e essa "editora nova" estávamos a lançar o primeiro volume da "Lisboa Desaparecida" no Café Nicola.

Passaram 10 anos. Muito pouco daquilo que era o meu estilo desse tempo (aos vinte e poucos anos) permanece. Muito pouco do que foram as motivações iniciais é hoje prioritário. Desapareceu o "Diário Popular" - o seu público fiel onde estará? -, a enorme Redacção em «open-space» (como agora é moda dizer-se) está vazia, o precioso arquivo talvez perdido. O Bairro Alto deixou de ser o bairro dos jornais e os diários vespertinos cumpriram o seu ciclo temporal. Agora, existe mesmo uma "Lisboa Desaparecida" onde eu vivi. [...]abordei-a ao de leve no volume IV, como parte da história da cidade. E, pela primeira vez, terei então dado razão aos que - sem a terem lido - diziam ser esta uma "Lisboa" saudosista. Agora, talvez até seja. Para fugir a isso, à medida que o tempo passa, a investigação vai assumindo uma postura que alguns dos leitores antigos me dizem ser "demasiado séria": «Pois não é que você escreveu um texto com notas de rodapé? - E ainda tem lata de dizer que este livro serve para divulgar a história da cidade e que é escrito para todos os lisboetas?»
Assim o quis, de facto. E nunca os lisboetas me desapontaram.

Marina Tavares Dias