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sábado, 18 de julho de 2026

O DIA EM QUE OS NAZIS DESFILARAM EM LISBOA

Habitualmente, assume-se que a neutralidade portuguesa na Segunda Grande Guerra impediu quaisquer manifestações nazis em Lisboa. Não foi bem assim. Pelo menos no dia desta extraordinária fotografia. 

Houve uma missão militar portuguesa à Alemanha nazi. Teve lugar entre 12 de Agosto e 10 de Outubro de 1942. Integrada no plano de apetrechamento do Exército, reuniu doze oficiais portugueses, chefiados pelo coronel Álvaro Teles Ferreira de Passos. Percorreram fábricas de armamento, escolas militares e unidades em combate, chegando mesmo à Frente Oriental.

No dia 8 de Setembro, em Kursk, cidade russa ocupada pelos nazis, os militares portugueses visitaram uma igreja ortodoxa e as instalações de propaganda destinadas a prisioneiros. 


A missão deslocou-se depois à esquadrilha de caça Boelcke. Durante a demonstração militar, uma bomba incendiária de avião (que todos julgavam inerte), explodiu acidentalmente. O desastre feriu diversos militares alemães e nove dos doze oficiais portugueses. Ficaram gravemente atingidos o chefe da missão e os capitães Mariano Lopes Pires, Silva Freire e Fernandes.


Evacuado para o Hospital de Reserva número 122 (em Tempelhof, Berlim), Mariano Lopes Pires foi operado pelo célebre cirurgião Ferdinand Sauerbruch. Recebeu três transfusões de sangue mas, apesar dos esforços médicos, morreu na noite de 16 de Setembro de 1942, vítima da ruptura da artéria femoral. As autoridades nazis prestaram-lhe honras militares excepcionais. A 23 de Setembro realizou-se cerimónia religiosa de corpo presente, oficiada pelo capelão H. Kreutsberg. Discursou o general Olbricht e estiveram presentes o ministro de Portugal em Berlim (Conde de Tovar), o general Von Hase, (comandante militar da capital alemã), e numerosos oficiais portugueses e alemães. Após as honras prestadas por uma companhia da Luftwaffe, o féretro partiu de comboio para Portugal, acompanhado pelo major Von Arnim.


A viagem revelou-se complexa. A travessia da França ocupada decorreu sem incidentes, mas a mudança de bitola na fronteira franco-espanhola obrigou a improvisar uma capela ardente, guarda militar e novo transporte ferroviário. Em Irún, o corpo foi recebido pelo adido militar português em Madrid, major Jorge Santos Pedreira, seguindo depois para Vilar Formoso, onde tomou conta da trasladação o major Frederico Vilar e o tenente Ferraz Oliveira.


O comboio especial chegou à estação do Rossio às 10 horas e um quarto do dia 27 de Setembro de 1942. O funeral, com missa na Basílica da Estrela, teve guarda de honra e forte presença de militares alemães. Em destaque, as coroas de flores oferecidas pela Alemanha, todas ornamentadas com largas fitas vermelhas e a cruz suástica. O cortejo seguiu para o Cemitério dos Prazeres, perante uma multidão de lisboetas fascinados por verem desfilar os oficiais nazis.


Em Janeiro de 1944, o governo alemão condecorou todos os militares portugueses que participaram na missão. A viúva de Mariano Lopes Pires recebeu seis fotografias da cerimónia fúnebre realizada em Berlim. As imagens do desfile fúnebre em Portugal não foram divulgadas depois da guerra. Mas existem, e mostram que a Lisboa de 1942 saiu à rua para ver desfilar os nazis.



Marina Tavares Dias









sábado, 13 de junho de 2026

ACHILLES: O FOTÓGRAFO DAS CRIANÇAS DE LISBOA

Durante mais de meio século, o nome de Achilles (Aquiles Friscioni) foi familiar para todos os moradores da Avenida Almirante Reis. Antigo empregado da célebre Photographia Camacho (instalada no edifício dos Grandes Armazéns do Chiado), abriu estabelecimento próprio em 1898, precisamente o ano da morte de João Francisco Camacho. Nos primeiros cartões do novo atelier fazia questão de anunciar essa origem profissional, apresentando-se como «Empregado da Photographia Camacho», uma referência que o público reconhecia de imediato. Era o especialista em retratos infantis do estúdio, e fotografou toda uma geração de crianças lisboetas, incluindo Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.


Aquiles esperava suceder ao fundador da casa Camacho. A morte deste, em Setembro de 1898, levou porém a que o negócio permanecesse na esfera familiar, embora o filho tivesse já outro estúdio profissional. A sua oferta pelo trespasse do atelier do Chiado foi recusada, e Aquiles estabeleceu-se por conta própria. Recuperou a carteira de clientes que o conheciam e o  êxito do estabelecimento foi muito rápido.

A morada da Rua dos Anjos, n.º 36, (no núcleo urbano do Largo do Intendente Pina Manique) tornou-se ponto de encontro para todos os habitantes de Lisboa oriental. Em 1903, a Photographia Achilles expandiu-se para a loja com o número 7 do largo. Era um edifício de grande visibilidade, cuja fachada ostentava enormes inscrições publicitárias anunciando retratos, ampliações e processos fotográficos modernos.

O local não foi escolhido por acaso. O Intendente era o eixo de saída de Lisboa pela Rua dos Anjos e as estradas de Arroios e de Sacavém. Zona muito movimentada da cidade, mantinha também uma ligação histórica ao ensino secundário lisboeta. No antigo Palácio do Intendente funcionava o Liceu Central de Lisboa, antecessor do actual Liceu Passos Manuel. Aquiles tornou-se conhecido como o fotógrafo dos estudantes, numa época em que os alunos dos liceus ainda usavam capa e batina. Muitos dos seus clichés mostram rapazes de capa, retratos de fim de curso e jovens que procuravam assinalar fotograficamente uma etapa importante da vida escolar.

A maior especialidade da casa eram os retratos de crianças. Aquiles parecia possuir um raro talento para as fotografar. Numa época em que as exposições ainda exigiam paciência e imobilidade, conseguiu conquistar a confiança das famílias lisboetas. 

Os álbuns da minha família, residente na Avenida desde a segunda década do século XX, mostram bebés, crianças pequenas, primeiras comunhões, retratos escolares e adolescentes, acompanhando os mesmos clientes ao longo de muitos anos. Mais do que um fotógrafo ocasional, Aquiles é, neles, um cronista da infância lisboeta. Em 1907, o atelier passou para a Avenida Rainha D. Amélia, mais tarde Avenida Almirante Reis, n.º 1-E, onde continuou a funcionar durante sete décadas. Na nova morada, passou a revelar rolos fotográficos alheios, a  fazer ampliações e reproduzir retratos para sucessivas gerações de clientes. O nome do fundador tornou-se marca da cidade. As amplicópias e ampliações, mate ou esmaltadas, dos negativos da kodak da família trazem também esse carimbo: Achilles, Avenida Almirante Reis.

Todos os meus tios passaram pela objectiva de Aquiles. A  primeira fotografia do meu pai, ainda bebé, foi ali feita. Gerações de de bebés, crianças de laço, meninos vestidos à maruja, estudantes de viola e jovens sorridentes. São dezenas de imagens espalhadas por várias décadas, testemunhando uma fidelidade que não era exclusiva da nossa família. A minha avó resumia tudo numa frase simples que repetia todos os anos, quando se aproximava o mês de Outubro: «Vão começar as aulas, têm de ir ao Achilles.»

Hoje, poucos se lembram dos ‘fotógrafos de crianças’. O local onde Achilles trabalhou continua a existir. A zona envidraçada da actual Cervejaria Ramiro ocupa o espaço do antigo atelier de ‘luz natural’, na Avenida Almirante Reis. O arquivo fotográfico camarário é mesmo ali ao pé, mas as teses conhecidas põem o Achilles como fotógrafo pouco importante e desaparecido na década de 1930. Ainda tirei lá o meu ‘retrato infantil’ antes de, em 1970, passarmos todos para a Foto-Esmalte Lisbonense, algumas portas mais acima. Olho para o velho estúdio sempre que desço a pé a nossa Avenida. Fotografo-o muitas vezes. Onde agora se guardam mariscos, entrava a claridade ideal para fotografar crianças e estudantes. Foi ali que ficaram registadas as memórias de milhares de famílias lisboetas.


Marina Tavares Dias






terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

LISBOA NO CAIS

Marina Tavares Dias em 'Os Melhores Postais Antigos de Lisboa':

Paulo Guedes, editor deste exemplar - e, quase por certo, autor da própria fotografia - não foi o mais prolixo, entre inúmeros congéneres que inundaram de postais quiosques e tabacarias da Lisboa 1900. Mas foi o mais imaginativo. 

Quase sempre, por trás de cada escolha sobre postal, adivinha-se a sensibilidade do fotógrafo atento que conhecia a cidade de cor. Esta cena no cais da Ribeira Nova é o melhor exemplo disso. Pertence a uma série sobre costumes portugueses em geral, mas parece que, de algum modo, fazia parte da célebre colecção Lisboa na Rua (com 16 números conhecidos), e ficou de fora por misteriosas razões. 

Nenhum tema da citada colecção ilustraria, como este, tal legenda: Lisboa na rua ou no cais; o povo, os costumes, as cenas quotidianas e a sua assistência. Conhecida por «postal do burrinho", aqui está uma edição que reúne tudo: bom plano, animação, figuração de transportes (no caso, a fragata); tudo sem pose, com o seu aspecto de sempre. Acrescente-se-lhe o insólito com que a cena hoje se nos afigura - e teremos, neste burro, uma representação de Lisboa, tão digna como a imagem de qualquer varina ou galego aguadeiro.





sábado, 18 de maio de 2019

Rua Áurea



Aspectos da Rua do Ouro.O levantamento de todos os edifícios,  e respectivas ocupações  comerciais ao longo de dois séculos, foi feito por #MarinaTavaresDias para o volume V da #LisboaDesaparecida. 

domingo, 27 de março de 2016

AVENIDA DE ROMA







Fotografia de Mestre Horácio Novaes
divulgada em
LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS
(edição em livro de 1992)


A futura Avenida de Roma, ainda sem quaisquer construções, vista da porta do Hospital Júlio de Matos: ym eixo onde, até 1940, existiram terrenos de cultivo. O Bairro de Alvalade, projecto de Faria da Costa, justificava a ligação da chamada «cidade nova» com o topo da Avenida Almirante Reis, cujo traçado datava de início do século XX.


#Alvalade
#MarinaTavaresDias
#LisboaDesaparecida
#LisboaNosAnos40

domingo, 20 de março de 2016

O Palácio da Praia

Imagem de:
LISBOA ANTES E AGORA
de







Local: Belém. Início da Rua Bartolomeu Dias. 
Actual localização do Centro Cultural de Belém
Data: 1931

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A MODA EM LISBOA

Marina Tavares Dias
em 
«A Moda em Lisboa»,

no volume VII:


«A simplicidade do trajo oitocentista só duraria até ao advento da crinolina. De 1820 a 1825 a silhueta começa a cintar-se mais, as saias alargam em baixo e o decote sobe em oval. As mangas continuam com o seu balãozinho no topo, agora cada vez mais colantes e longas, acabando em bico sobre a luva ou sobre a mão. Antes de 1840 essas mesmas mangas estão já enormes, os seus balões tufados foram descendo para acompanhar o movimento dos cotovelos, a cintura afilou-se de novo e os múltiplos saiotes começam a usar tecidos encorpados, prenúncio do que está para vir. »










domingo, 25 de outubro de 2015

Alvalade




Excerto de:

LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS


O plano de urbanização do Sítio de Alvalade, futuro bairro do mesmo nome, compreendia a área trapesoidal de cerca de 230 hectares limitada a norte pela Avenida do Brasil (denominada Alferes Malheiro na década de 40), a nascente pela futura Avenida do Aeroporto, a sul pelos terrenos confinantes com a Avenida Almirante Reis e a poente pelo Campo Grande e pela antiga Estrada de Entrecampos. O novo bairro, planeado no final da década de 30 e inaugurado na segunda metade da de 40, pretendia-se estampa ideal da nova cidade. O projecto é do primeiro urbanista português diplomado em Paris: Faria da Costa.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

OS ALMANJARRAS





MARINA TAVARES DIAS
em
HISTÓRIA DO ELÉCTRICO DA CARRIS
(EDIÇÃO OFICIAL DO CENTENÁRIO):

«Também em 1902, vêm dos Estados Unidos os primeiros carros abertos com 12 bancos transversais. Ao lisboeta, pareceram tão grandes que metiam medo, afigurando-se-lhe mesmo incapazes de desfazer as curvas das ruas da cidade. Adquiriram logo a alcunha condizente de «almanjarras». O jornal Novidades traduziu assim o sentimento que a sua chegada provocou: 'É uma aventesma formidável. Se abalroar com alguma coisa, acaba-se a coisa e acaba-se o mundo. Fica todo num figo.' 

Os primeiros 10 «almanjarras» aportaram a Lisboa em Janeiro de 1902. Fabricados em Filadélfia pela J. G. Brill, possuíam motores General Electric, ‘bogies’ de tracção máxima (tipo 22E) e dois ‘trolleys’. Mediam 11,33 metros, pesando 11.380 quilos. No dia 10 de Março vieram mais 30, a bordo do vapor Friede, em 477 contentores. Receberam números entre o 283 e o 322. O primeiro da série está hoje no Museu da Carris.  [...] »

(continua no livro)
Na imagem: Prova fotográfica original, a partir do negativo de sua autoria, impressa por Mestre Horácio Novaes na década de 1940.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A LISBOA DE EÇA DE QUEIROZ


de MARINA TAVARES DIAS





EXCERTO DA CRONOLOGIA FINAL:


1866/67 - Eça de Queiroz estreia-se como escritor com a

publicação na Gazeta de Portugal de textos que, após a

sua morte, viriam a ser parcialmente compilados no

volume Prosas Bárbaras (1903). Em edições posteriores,

incluíram-se textos que não tinham sido seleccionados

para a primeira edição. De Janeiro a Outubro de 1867,

Eça esteve quase exclusivamente ocupado com a

redacção do jornal Distrito de Évora. Aqui publicou

algumas narrativas, tais como O Réu Tadeu e Farsas.






quinta-feira, 21 de maio de 2015

O CONVENTO DA ESPERANÇA

MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
volume IV

[...] Após extinção das ordens religiosas, em 1834, o Convento da Esperança continuou activo. Por morte da última freira - Soror Joaquina Cândida de Jesus -, em 1881, decidiu a Direcção Geral dos Próprios Nacionais que se procedesse a inventário do convento (avaliado em 45 contos de réis) e casas anexas, agora pertença do Estado. Em Novembro, celebrou-se um contrato entre o Governo e a Câmara, determinando demolição parcial e abertura, no mesmo sítio, de uma nova avenida [hoje Avenida D.Carlos].

Quadros e outras obras de arte seriam entregues ao Museu Nacional de Arte Antiga, enquanto a livraria transitou, praticamente intacta, para a Biblioteca Nacional. O livro da fundação do convento ainda ali se encontra, na secção de Reservados. Muitos dos painéis de azulejo acabaram por ser repostos no quartel de bombeiros que hoje ocupa parte da área do mosteiro. Quanto ao orgão, foi doado à Igreja de Santos-o-Velho.

(continua no livro)





quinta-feira, 7 de maio de 2015

De Cine Bélgica a Rock Rendez-Vous

Marina Tavares Dias 
em Lisboa Desaparecida 
volume VII:
«O Cine Bélgica, servindo o bairro do mesmo nome e toda a zona do Rego, abriu as portas a 25 de Julho de 1928, no número 175 da Rua da Beneficência. Fora projectado pelo construtor civil Domingos Pinto e construído no local de um antigo barracão de arrumações. Conhecido por Bélgica-Cine a partir de 1931, viria a ser adaptado ao cinema sonoro em 1933, através da instalação de uma aparelhagem R.C.A. Durou várias décadas, conhecendo um verdadeiro segundo apogeu a partir de 1968, como Cinema Universitário, com programação criteriosa, digna de um cineclube. Nos anos 70 foi ainda Cinema Universal, explorado pela distribuidora Animatógrafo, antes de encerrar para obras de vulto que o transformariam em novo ponto de encontro dos lisboetas mais jovens: o Rock Rendez-Vous. Foi nas célebres noites do Rendez-Vous que, ao longo da primeira metade dos anos 80, se estrearam várias futuras celebridades do rock português.» 

(continua no livro)



sábado, 25 de abril de 2015

A COSTA DE CAPARICA

LISBOA DESAPARECIDA
de 
MARINA TAVARES DIAS

(EXCERTO do capítulo «A Outra Banda»)

« [...] Ao longo de todo o século XIX, a Costa de Caparica é quase exclusivamente um extenso areal, pontilhado por casinhotos de madeira onde se abrigam as famílias dos pescadores. Vai-se à Costa provar a caldeirada ou, mais esporadicamente, visitar o vizinho Convento dos Capuchos, de cujas alturas se avista, plana e interminável, a linha sinuosa da orla atlântica.
Essas primeiras cabanas montadas nos areais deverão datar do último quartel de seiscentos, quando algumas famílias algarvias ou ílhavas ali se fixam provisoriamente, nos meses de Verão, para se dedicarem à pesca.

Documentos reunidos por um mestre das artes de pesca (Francisco José da Silva) apontam o ano de 1770 como data das primeiras residências fixas, em barracas certamente maiores, de vários “mestres” com as suas companhas. José Gonçalves Bexiga (algarvio), Joaquim Pedro (de Ílhavo), Romualdo dos Santos (algarvio) e José Rapaz (de Ílhavo): foram eles os primeiros residentes da Costa de Caparica. A primeira construção relativamente elaborada terá sido a igreja local, praticamente no mesmo sítio onde a vemos hoje, inicialmente revestida apenas de colmo e de junco.»


(continua)



Aguarela de Roque Gameiro. Postal ilustrado
pertencente ao Arquivo MTD





A Costa de Caparica na década de 1950

 


domingo, 19 de abril de 2015

Destino: Exposição

MARINA TAVARES DIAS 
(excerto de crónica, 2010):

«Na sua área de 560 mil metros quadrados, a Exposição do Mundo Português receberá três milhões de visitantes, de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940. Entre eles estarão alguns estrangeiros privilegiados – como o escritor Antoine de Saint-Exupéry – que podem viajar pela Europa em guerra, assim como quase todos os intelectuais portugueses que se opõem ao regime. Jaime Cortesão é visto às compras nos "stands" de artesanato, sempre seguido por um agente da PIDE.»

Primeiros autocarros lisboetas, utilizados como teste para transporte de passageiros, do Rossio para Belém. Destino: Exposição.»



quarta-feira, 15 de abril de 2015

O CHIADO DE MESTRE HORÁCIO NOVAES




As fotografias do Chiado de Mestre Horácio Novaes aparecem cheias de gente porque são tiradas para a reportagem da visita às quatro (havia uma quinta na Rua Nova do Almada) igrejas do Chiado, na Páscoa.

As identificações e datas (esta é de 1943) apontadas por MARINA TAVARES DIAS nos dossiers dos estúdios de Horácio Novaes desapareceram após a morte do seu assistente, António Lanceiro, com a venda ou cedência dos negativos a uma instituição que preservou apenas os negativos.


Apenas mais duas 
de tantas possíveis insistências:



Esta série fotográfica não representa um cortejo das celebrações dos centenários no âmbito da Exposição do Mundo Português de 1940. Trata-se da encenação de Leitão de Barros conhecida por Cortejo Histórico, celebrando a reconquista de Lisboa. A data é 1947.






As imagens com os principais grandes cinemas da Lisboa da
década de 1950 não se destinavam a reportagem
sobre os mesmos. Foi uma encomenda da firma Phillips,
que fornecia a iluminação de interiores e de fachadas


quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUIOSQUE PORTÁTIL





Os quiosques dos bairros populares, cujas ruas eram estreitas e muitas vezes íngremes, adaptaram-se ao meio através do modo e materiais de fabrico. Quase sempre confeccionados em madeira, eram portáteis e mudavam de local seguindo romarias e outros aglomerados humanos. Aqui fica a revelação. O desenvolvimento ficará no livro. Lisboa Desaparecida, de Marina Tavares Dias, volume X (ainda inédito).


quarta-feira, 11 de março de 2015

O Burnay 'do Pataco'

MARINA TAVARES DIAS
excerto de 
LISBOA DESAPARECIDA
capítulo
FIGURAS E TIPOS DAS RUAS
volume I

O Burnay do Pataco, oriundo de família abastada, era pobre mas inconformado. Sentava-se à mesa da Brasileira do Chiado, na década de 1920, e mandava vir almoço, alegando que quem pagaria a conta seria «aquele meu amigo, no grupo ali ao fundo». No início, deu resultado. Mais tarde, dirigia-se directamente ao visado, perguntando se podia sentar-se-lhe à mesa.



Pormenor de desenho 
de Stuart Carvalhaes 
representando o Burnay 'do Pataco'


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

OS GRANDES FUTEBOLISTAS DAS DÉCADAS DE 1920 E DE 1930






VER em:
HISTÓRIA DO FUTEBOL EM LISBOA
de 
MARINA TAVARES DIAS
Equipa-sensação de futebol , nos Jogos Olímpicos de 1928. Lisboa inteira na rua para os receber na Câmara Municipal. Lá em cima, o maior avançado português antes de Peyroteo e Eusébio: Pepe, do Belenenses, então no pico da popularidade. 'Sic transit...'


Bordallo na Mónaco do Rossio





Desenho de Raphael Bordallo Pinheiro para painel de azulejos decorativos da famosa e ainda existente TABACARIA MÓNACO, no Rossio. «A Leitura de O Século» é a desiganção da obra.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FERNANDA

MARINA TAVARES em LISBOA DESAPARECIDA:

«Particularmente agreste a tratar as mulheres, a má-língua popular celebrizou algumas por muito pouca coisa: a Libânia das Sinas, porque vendia as ditas numa caixinha de pau, ou a Madame Rebolona, porque tinha o costume de passar o dia a ler nos jardins. Poucas conheciam o proveito da fama que lhes era imposta. A sua única diferença era, muitas vezes, uma liberdade menos vigiada, na época em que - como dizia o «Pinheiro Maluco» (figura popular em 1920) - as mulheres se queriam em casa a coser meias. Mas houve quem tivesse vivido à altura do seu mito. Essa assombrosa mulher usava o pseudónimo de Preta Fernanda.»
Nascida em Cabo Verde, na ilha de S. Tiago, em Maio de 1859, Fernanda do Vale recebeu baptismo bem diferente do seu posterior "pseudónimo literário" [.../...].

A sua história completa está contada no volume III 
da LISBOA DESAPARECIDA
de MARINA TAVARES DIAS


Preta Fernanda, toureira 
(aguarela da Alberto de Souza, 1912)