«A Feira Popular de Palhavã, inaugurada em 1943 como apoio à Colónia Balnear Infantil de “O Século”.
Quando a Feira Popular se instalou nos terrenos do antigo Parque José Maria Eugénio de Almeida, Lisboa era uma cidade que mantinha hábitos antigos, semiprovincianos. Assim, aquele que foi apresentado em jornais e revistas como “o primeiro luna-parque português permanente” juntava às modernas atracções e aos divertimentos mais sofisticados todas as heranças da tradicional feira de rua: barracas de comes e bebes, bazares de tostão, tiro ao alvo e pim-pam-pum. [...]»
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sábado, 27 de setembro de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Estrada de Palhavã
MARINA TAVARES DIAS EM PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA:
Estrada de Palhavã que,
após sair deste bairro se chamaria Estrada de Benfica
e, após as Portas de Benfica,
se chamaria Estrada de Sintra.
(postal do
Arquivo Marina Tavares Dias)
(postal do
Arquivo Marina Tavares Dias)
Estrada de Palhavã (actual Rua Nicolau Bettencourt). Bilhete postal ilustrado de Paulo Guedes, c. 1904. Circulado em 1906. Neste tempo, antes de se mudar para a Quinta das Laranjeiras, estava aqui o Jardim Zoológico de Lisboa. Hoje, os mesmos terrenos albergam a Fundação Calouste Gulbenkian, depois de terem sido a primeira Feira Popular de Lisboa.
Feira Popular em 1943,
no mesmo local onde estaria até 1956.
Entrada pelo lado da Avenida Duque de Ávila,
antiga circunvalação de Lisboa
(fotgrafia ACML)
domingo, 6 de julho de 2014
A MINHA FEIRA POPULAR
POR
MARINA TAVARES DIAS
no volume 9 da
LISBOA DESAPARECIDA
(2007):
«Muito pouco do que serviu a produção do primeiro volume da Lisboa Desaparecida, em 1987, subsiste hoje em dia. Foram-se as laudas para mandar compor o texto, as 'saídas' em papel para emendar as primeiras 'gralhas', as fotocópias ampliadas das fotografias que entravam, o cesto de papéis para onde cortava os bocados de prosa excedentários, as enormes maquetes em que, folha a folha, linha a linha, eu e a paginadora emendávamos, coligíamos, apurávamos, marcávamos espaços de fotografias e de legendas. Foram-se os filetes da tipografia, a raspagem dos fotolitos, as emendas à mão nos originais mais estragados e os remendos nas chapas riscadas. Até a máquina de escrever Hermes Baby, com o seu teclado HCEZAR orgulhosamente nacionalista, deve ter ficado em alguma das muitas moradas que entretanto percorri.
Agora, os textos seguem por mail e as fotografias são digitalizadas. Pagina-se no computador com o último programa disponível. O resultado final sai em cd: ficheiros com uma terminação qualquer. A produção dos livros perdeu definitivamente a graça. Parece que não se põe as mãos em nada. Nada, excepto esta mesa onde, como em 1987, continuo a estender as fotografias para cada texto. Esta mesa desmontável, de tampo em fórmica amarela, com pés de alumínio que se dobram para dentro e um design de 1970 subitamente no pino da moda. Sempre que estou a acabar os textos para um livro, monto-a ao lado da secretária e recomeço a espalhar-lhe as fotos em cima. É a 'mesa da paginação' de todos os volumes da Lisboa Desaparecida. Passo a apresentá-la aos leitores: esta é a mesa que vos liga, sem que o soubessem até agora, à minha Feira Popular.
MARINA TAVARES DIAS
no volume 9 da
LISBOA DESAPARECIDA
(2007):
«Muito pouco do que serviu a produção do primeiro volume da Lisboa Desaparecida, em 1987, subsiste hoje em dia. Foram-se as laudas para mandar compor o texto, as 'saídas' em papel para emendar as primeiras 'gralhas', as fotocópias ampliadas das fotografias que entravam, o cesto de papéis para onde cortava os bocados de prosa excedentários, as enormes maquetes em que, folha a folha, linha a linha, eu e a paginadora emendávamos, coligíamos, apurávamos, marcávamos espaços de fotografias e de legendas. Foram-se os filetes da tipografia, a raspagem dos fotolitos, as emendas à mão nos originais mais estragados e os remendos nas chapas riscadas. Até a máquina de escrever Hermes Baby, com o seu teclado HCEZAR orgulhosamente nacionalista, deve ter ficado em alguma das muitas moradas que entretanto percorri.
Agora, os textos seguem por mail e as fotografias são digitalizadas. Pagina-se no computador com o último programa disponível. O resultado final sai em cd: ficheiros com uma terminação qualquer. A produção dos livros perdeu definitivamente a graça. Parece que não se põe as mãos em nada. Nada, excepto esta mesa onde, como em 1987, continuo a estender as fotografias para cada texto. Esta mesa desmontável, de tampo em fórmica amarela, com pés de alumínio que se dobram para dentro e um design de 1970 subitamente no pino da moda. Sempre que estou a acabar os textos para um livro, monto-a ao lado da secretária e recomeço a espalhar-lhe as fotos em cima. É a 'mesa da paginação' de todos os volumes da Lisboa Desaparecida. Passo a apresentá-la aos leitores: esta é a mesa que vos liga, sem que o soubessem até agora, à minha Feira Popular.
Tal como todos
os miúdos lisboetas, também tive uma versão exclusiva do imenso universo da
Feira Popular. A minha versão incluía o carrossel de dois andares e excluía os
carrinhos de choque, incluía o comboio fantasma e excluía o poço da morte,
incluía as farturas e excluía a sardinha, incluía ir ao Café de Pretos e
excluía passar pelas loiças, incluía os furos e excluía as rifas das panelas.
Mas houve uma excepção, por volta de 1970. A voz irritante do megafone
anunciava qualquer coisa no «stand» das panelas que tinha a ver com 'brinquedos
da moda'. Lá terei arrastado os meus pais, lá teremos comprado duas ou três rifas,
lá teremos dado as voltinhas necessárias para fazer tempo e saber se eram ou
não premiadas. Nessa longa noite, voltámos para casa de metro com esta mesa
toda janota, não tão pequena como isso, de pernas desdobráveis e um amarelo
então no rigor do bom gosto vigente. Perante tal prémio pela módica quantia de
cinco escudos, a minha tia resolveu logo ir à Feira na noite seguinte, 'para
ver se a sorte grande também me sai a mim'. Ainda estou para saber como
conseguiu que lhe saísse uma mesa igual, em azul.
Ao longo do
resto da infância, a mesa amarela cruzou-se comigo lá por casa: ora ajudava as
criadas a descascar batatas na cozinha, ora exibia as conchas trazidas da
Caparica no Verão, ora era suporte do presépio de Dezembro, ora espreitava lá
do canto do quarto, pelo canto do tampo intensamente amarelo. Cresci com ela, 'a mesa das rifas é tão pirosa', e fui ganhando posse do seu pequeno território
à medida que os adultos resvalavam para outras modas: o laranja dos anos 70, os
dourados dos anos 80. Parti com ela pelas casas fora, numa cidade cada vez mais
vazia e triste, até o poiso de onde vos escrevo. Eu, autora de um título que
celebra 20 anos – passa a ser pleonástico dizer-vos que estou velha – e ela,
mais desbotada mas ainda amarela, com ferrugem nas dobradiças, bamba de um dos
lados e muito útil ainda. Aqui, as duas a partilhar a caneca do chá, com as
fotografias perigosamente próximas. Se não confiasse nestas dobradiças tão
usadas, neste monta-desmonta sempre categórico, sempre a meu mando, confiaria ainda
as minhas Lisboas Desaparecidas à mesa das rifas da Feira Popular?
Este volume
nono parte, pois, de uma Lisboa Desaparecida pessoal. Parte desta tampa
amarela projectada no tempo e no espaço como um objecto cujas origens são
incertas e cujo passado se perdeu de vista. Esta é a primeira Lisboa
Desaparecida que escrevo após o encerramento da Feira Popular. Por isso,
começo agora a partir da banca de trabalho. Não preciso de ir mais longe para
lançar o tema sobre o qual escrevo. Uma feira enorme, uns olhos de criança a perderem-na
de vista, a mesa de tampo amarelo e o monte de fotografias. Cá vamos no
carrossel do tempo. [.../...] »
(CONTINUA NO LIVRO)
quinta-feira, 6 de março de 2014
LISBOA NOS ANOS 40 | Longe da Guerra, de MARINA TAVARES DIAS
A Feira Popular de Palhavã, inaugurada em 1943 como apoio à Colónia Balnear Infantil do jornal O Século
Quando a Feira Popular se instalou nos terrenos do antigo Parque José Maria Eugénio de Almeida, Lisboa era uma cidade que mantinha hábitos antigos, semiprovincianos. Assim, aquele que foi apresentado em jornais e revistas como “o primeiro luna-parque português” juntava às modernas atracções, como os carrinhos de choque, e aos divertimentos mais sofisticados, como as representações de indústrias estrangeiras, todas as heranças da tradicional feira de rua: barracas de comes e bebes, bazares de tostão, tiro ao alvo e pim-pam-pum. [...]
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
A alegria da Feira Popular
Vista aérea da Feira Popular de Lisboa (Avenida da República), na década de 1960 e já como a recordam quase todos os alfacinhas. O encerramento do recinto, há alguns anos e ainda envolto em polémica, privou a cidade de um dos seus mais típicos pontos de encontro.
MARINA TAVARES DIAS
in LISBOA DESAPARECIDA
ilustração do capítulo II do volume 9
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
A SUÉCIA NA NOSSA FEIRA POPULAR
Pavilhão da Suécia na Feira Popular de Lisboa [...]
A Feira Popular abria caminho a mercados até então desconhecidos dos portugueses. Muitas das especialidades gastronómicas aqui vendidas ou servidas só regressariam 50 anos depois, com os minimercados instalados nas lojas de móveis Ikea.
MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
(ilustração do volume IX;
capítulo A Feira Popular de Lisboa;
fotografia de Eduardo Portugal, 1946)
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A FEIRA POPULAR

A Feira Popular de Palhavã, inaugurada em 1943 como apoio à Colónia Balnear Infantil de “O Século”.
Quando a Feira Popular se instalou nos terrenos do antigo Parque José Maria Eugénio de Almeida, Lisboa era uma cidade que mantinha hábitos antigos, semiprovincianos. Assim, aquele que foi apresentado em jornais e revistas como “o primeiro luna-parque português permanente” juntava às modernas atracções e aos divertimentos mais sofisticados todas as heranças da tradicional feira de rua: barracas de comes e bebes, bazares de tostão, tiro ao alvo e pim-pam-pum.
Em Lisboa nos Anos 40 - Longe da Guerra, de Marina Tavares Dias.
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