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domingo, 20 de julho de 2014

PARA UMA HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA EM PORTUGAL

MARINA TAVARES DIAS
em LISBOA DESAPARECIDA
volume VII, capítulo sobre
RETRATISTAS DO SÉCULO XIX

«A história dos estúdios fotográficos lisboetas está por fazer. Apesar de lhes devermos as imagens que, durante século e meio, adornaram paredes e atenuaram distâncias, ninguém se lembrou de registar a maior parte desses nomes e dessas moradas. Actualmente, após o desaparecimento de todos os ateliers de retrato que marcaram uma era na cidade, torna-se difícil recuperar a obra e a memória de quem fixou para o futuro o rosto e a pose dos lisboetas de antanho. Resta uma parcela ínfima de cada obra, hoje dispersa por arquivos, alfarrabistas, museus e álbuns de família.

As casas fecharam, os prédios foram remodelados ou demolidos, os espólios foram desbaratados. Fotografias identificadas pelo cartão em que foram montadas transmitem-nos, a esta distância temporal, no olhar vago dos retratados, costumes e enredos por adivinhar. As cartes de visite e os cabinets oitocentistas, tão fáceis de encontrar, por baixo preço, em caixotes de alfarrabistas, são um marco da história da fotografia e um monumento ao hábito ocidental de cultivar a imagem.

Ainda que arremetidos, pelo passar do tempo, para o anonimato, todos esses fantasmas têm uma história para contar. Ou melhor, duas: a do fotografado e a do próprio fotógrafo. Fotógrafo cujo legado ao futuro não foi aparentemente além de um amontoado de rostos e de posturas, um dia iluminados pela paradoxal subjectividade da sua objectiva. [...]»

(continua no livro)








quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cinco décadas de chávenas de A Brasileira (1945-1995)




OS CAFÉS DE LISBOA,
de Marina Tavares Dias (1999)

capítulo «A Brasileira».


Cinco décadas de chávenas da Brasileira (1945-1995). Quatro dos exemplares escolhidos para o livro.


quarta-feira, 10 de junho de 2009

Fernando Pessoa numa cadeirinha que não era dele

O estúdio de João Francisco Camacho foi dos mais importantes na Lisboa de finais de Oitocentos. Tinha entrada pelo número 116 da Rua Nova do Almada (edifício dos Grandes Armazéns do Chiado).
Natural da Madeira, Camacho viveu em Paris, conhecendo grandes profissionais e trabalhando como discípulo do «inventor» da carte de visite, Disderi.
Esta fotografia do futuro poeta Fernando Pessoa é posterior à reconstrução do atelier (após o incêndio do Palácio Barcelinhos, em 1880). Camacho viria a morrer em 1898, aos 65 anos. O estúdio passou então para a posse do filho, José Alves Camacho.
In Lisboa Desaparecida, volume 7.