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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

LISBOA NO CAIS

Marina Tavares Dias em 'Os Melhores Postais Antigos de Lisboa':

Paulo Guedes, editor deste exemplar - e, quase por certo, autor da própria fotografia - não foi o mais prolixo, entre inúmeros congéneres que inundaram de postais quiosques e tabacarias da Lisboa 1900. Mas foi o mais imaginativo. 

Quase sempre, por trás de cada escolha sobre postal, adivinha-se a sensibilidade do fotógrafo atento que conhecia a cidade de cor. Esta cena no cais da Ribeira Nova é o melhor exemplo disso. Pertence a uma série sobre costumes portugueses em geral, mas parece que, de algum modo, fazia parte da célebre colecção Lisboa na Rua (com 16 números conhecidos), e ficou de fora por misteriosas razões. 

Nenhum tema da citada colecção ilustraria, como este, tal legenda: Lisboa na rua ou no cais; o povo, os costumes, as cenas quotidianas e a sua assistência. Conhecida por «postal do burrinho", aqui está uma edição que reúne tudo: bom plano, animação, figuração de transportes (no caso, a fragata); tudo sem pose, com o seu aspecto de sempre. Acrescente-se-lhe o insólito com que a cena hoje se nos afigura - e teremos, neste burro, uma representação de Lisboa, tão digna como a imagem de qualquer varina ou galego aguadeiro.





terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A SUÉCIA NA NOSSA FEIRA POPULAR

Pavilhão da Suécia na Feira Popular de Lisboa [...]
A Feira Popular abria caminho a mercados até então desconhecidos dos portugueses. Muitas das especialidades gastronómicas aqui vendidas ou servidas só regressariam 50 anos depois, com os minimercados instalados nas lojas de móveis Ikea.

MARINA TAVARES DIAS 
em 
LISBOA DESAPARECIDA


(ilustração do volume IX; 
capítulo A Feira Popular de Lisboa;
fotografia de Eduardo Portugal, 1946)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Badalejando

«Dantes, dizia-se badalejar. As casas grandes tinham à porta a maçaneta de latão, devidamente centrada numa estética cercadura. A ela estava ligado, no interior, um pequeno sino dourado.
Para os dedos não deslizarem, em caso de nervosismo ou mesmo de chuva, cada puxador era lavrado em espiral, às vezes com alguma imaginação. Camilo badalejava quando ia visitar alguém; Eça badalejava. Não conheciam o irritante som já semi-electrónico das casas da segunda metade do século XX: 'tim-tom!' Anthero badalejou à porta de muitos amigos pelo reconforto de uma frase, Gomes Leal pelo de uma sopa.

Já ninguém badaleja. Perdeu-se o verbo. Os restos destes badalos foram-se adaptando às fachadas, incorporando-se nelas, cimentados nelas ou adaptados a campaínha, já sem o característico puxador.Páro na rua sempre que vejo a maçaneta do badalo intacto, e pouso logo o olhar no degrau de entrada. Muitos passos, poucos passos? - Depende disso o desgaste. Dependiam disso as promessas do trinco da porta.»

MARINA TAVARES DIAS em LISBOA DESAPARECIDA



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Varininha


Varininha, por Stuart Carvalhaes. Com pregão anexo.

Em Lisboa Misteriosa,
de Marina Tavares Dias,
capítulo «As Varinas Eram Fenícias?»

domingo, 12 de junho de 2011

ALEXANDRE HERCULANO


Alexandre Herculano, poeta, romancista, historiador e mestre pela rectidão de carácter que todos os amigos enalteciam era igualmente o mais famoso dos agricultores. Na época em que o azeite, como Bordalo refere, foi combustível para candeias, Herculano inventou o mais fino «azeite de prato». Tratou de o pôr à venda em Lisboa, na mais famosa mercearia do Chiado elegante: o Jerónimo Martins. Ganhou uma medalha na Exposição Universal de Paris e o hábito de se ver caricaturado vestido de azeiteiro, com lata e funil, desprezando intelectuais seus pares em direcção à porta do merceeiro. Gomes de Brito conta como foi apresentar Bordalo Pinheiro a Herculano, na Livraria Bertrand do Chiado, em 1870. O caricaturista vinha pedir autorização para publicar o desenho mais tarde célebre, e Herculano mostrou-se envergonhado mas complacente: «Sim, senhor; sim, senhor!» Que estava parecido e que não ofendia a seu «carácter moral». Azeiteiro, pois, e sem problemas em o reconhecer, pelo que no «Álbum de Costumes Portuguezes» (editado por David Corazzi em 1888), é Columbano quem o retrata, utilizando como base a fotografia de um azeiteiro de rua, cujo rosto substitui pelas feições do historiador. A fotografia que serviu de base à aguarela e à estampa era desconhecida. Foi desvendada no volume IX da «Lisboa Desaparecida».

domingo, 17 de abril de 2011

ARDINA LISBOETA, c. 1900

Ardina lisboeta.
Postal ilustrado litografado, c. 1906
(Lisboa Desaparecida,
volume III, capítulo Costumes)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Varinas


Em dias de festa, na Madragoa, comparavam-se arrecadas de ouro, trancelins e enormes corações de filigrana.

No último quartel do século XIX, as varinas estiveram em moda entre a nobreza.

A rainha D. Maria Pia foi fotografada no seu costume de ovarina para um baile de máscaras, gostando tanto da fotografia que quis, depois, retrato a óleo sobre o mesmo tema.

sábado, 30 de maio de 2009

«Olha o esquimó fresquinho!»


Foi com a fábrica Esquimaux que os lisboetas passaram a chamar «esquimó» ao gelado vendido em dose certa. Estava-se na década de 1930 e a designação permaneceu ao longo dos primeiros anos do segmento de mercado agora chamado «de impulso», com as marcas Olá e Rajá, nas décadas de 1960 e 1970. Esta foi a fotografia escolhida para a capa do nono volume da Lisboa Desaparecida.