sexta-feira, 18 de novembro de 2016

NAVEGAR NO NIASSA

 O paquete Niassa, onde seguiram muitos militares portugueses rumo a Moçambique durante a Guerra Colonial, foi originalmente um navio civil de passageiros da Companhia Nacional de Navegação. Construído nos estaleiros Harland & Wolff, em Belfast (os mesmos de onde, em 1912, saíra o Titanic), entrou ao serviço em 1955, ligando Lisboa a Angola e Moçambique numa época em que as viagens marítimas ainda eram a grande ligação entre Portugal e o Ultramar. Tinha restaurantes, salões, convés de passeio e camarotes de várias classes, funcionando como verdadeiro transatlântico tropical do Estado Novo. 

Na fotografia, vê-se já a segunda vida do navio: a dos anos da guerra. centenas de soldados apinham-se nos conveses do Niassa durante a partida, enquanto famílias e amigos acenam do cais com lenços brancos. 

A partir de 1961, com o início da Guerra Colonial, o Niassa tornou-se um dos principais transportes de tropas para Angola, Guiné e Moçambique, realizando sucessivas viagens militares ao longo da década de 1960. Manteve durante anos muito do conforto e da atmosfera civil dos grandes paquetes portugueses, criando uma sensação quase irreal para os soldados: viajavam para a guerra em salões de navio com a elegância das rotas coloniais. 

Após o 25 de Abril, com o fim do império português em África, o Niassa participou no transporte de civis regressados das ex-colónias. Pouco depois, foi vendido ao estrangeiro, mudando várias vezes de nome até acabar desmantelado em Taiwan, em 1985. 

Para toda uma geração, o nome Niassa ficou ligado a esta imagem da despedida no cais: o último olhar para Portugal antes da travessia rumo à guerra.





terça-feira, 26 de abril de 2016

HOMENAGEM A MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Faz hoje, dia 26 de Abril de 2016, um século que nos deixou.

Na FOTOBIOGRAFIA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO,
Marina Tavares Dias recolheu as imagens inéditas, publicando pela primeira vez originais em alta definição, a partir das fotografias que comprou e que encontrou em casa de todos os bibliófilos e coleccionadores da época (1988).

Dois anos depois, levou a exposição de toda a iconografia e bibliografia em primeiras edições a Paris, onde estiveram expostas na sede da UNESCO. Paris reencontrou Mário de Sá-Carneiro. 

Lisboa esqueceu-o. A quinta onde passou a infância, às portas da cidade, foi destruída. a morte continua por averbar na certidão de nascimento. Resta uma única placa, na casa onde nasceu, na Rua da Conceição (dos Retroseiros). Mas a data está errada.

Hoje, a LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS
homenageia o génio de MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO.

Tanta coisa vai ficar para sempre inédita. Tanto é já referido pleno de enganos e de erros. Tanto se especula academicamente. Mas uma obra MAIOR resiste a tudo.

Hoje, celebramos o génio de MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO.




fotografia original, 
aqui em alta resolução, de 
MARINA TAVARES DIAS
(copyright 1988)
publicada em
Fotobiografia de 
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO





domingo, 27 de março de 2016

AVENIDA DE ROMA







Fotografia de Mestre Horácio Novaes
divulgada em
LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS
(edição em livro de 1992)


A futura Avenida de Roma, ainda sem quaisquer construções, vista da porta do Hospital Júlio de Matos: ym eixo onde, até 1940, existiram terrenos de cultivo. O Bairro de Alvalade, projecto de Faria da Costa, justificava a ligação da chamada «cidade nova» com o topo da Avenida Almirante Reis, cujo traçado datava de início do século XX.


#Alvalade
#MarinaTavaresDias
#LisboaDesaparecida
#LisboaNosAnos40

domingo, 20 de março de 2016

O Palácio da Praia

Imagem de:
LISBOA ANTES E AGORA
de





Local: Belém. Início da Rua Bartolomeu Dias. 
Actual localização do Centro Cultural de Belém
Data: 1931

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A MODA EM LISBOA

Marina Tavares Dias
em 
«A Moda em Lisboa»,

no volume VII:

«A simplicidade do trajo oitocentista só duraria até ao advento da crinolina. De 1820 a 1825 a silhueta começa a cintar-se mais, as saias alargam em baixo e o decote sobe em oval. As mangas continuam com o seu balãozinho no topo, agora cada vez mais colantes e longas, acabando em bico sobre a luva ou sobre a mão. Antes de 1840 essas mesmas mangas estão já enormes, os seus balões tufados foram descendo para acompanhar o movimento dos cotovelos, a cintura afilou-se de novo e os múltiplos saiotes começam a usar tecidos encorpados, prenúncio do que está para vir. »

(continua no livro)