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quinta-feira, 3 de julho de 2014

FERNANDO PESSOA, ALMADA NEGREIROS E O RESTAURANTE IRMÃOS UNIDOS





Foi para decoração das paredes do Restaurante Irmãos Unidos, pertencente à família de Alfredo Pedro Guisado, que Almada Negreiros pintou a primeira versão do seu retrato de Fernando Pessoa (1956). Ao lado do quadro estava, na altura do encerramento (1970), uma placa de mármore com o nome de todos os fundadores da revista ORPHEU. Ficou à guarda da Câmara de Lisboa, e desapareceu até hoje.

O quadro, de que existe cópia posterior e «invertida» (de 1964) na Fundação Gulbenkian, foi adquirido pelo banqueiro Brito e oferecido ao município. Com a sua venda, em 1970, as obras de Almada subiram, no valor de mercado, para mais do quádruplo. Alguns jornais admitiram que a licitação desta peça iria determinar o futuro valor dos inúmeros quadros de Almada em certas colecções privadas. Pouco tempo depois, a Brasileira do Chiado venderia igualmente as telas deste pintor que ornavam as suas paredes desde 1925.

O quadro de Almada seguiu para o Museu da Cidade, mudando de morada quando este passou do Palácio da Mitra para o Campo Grande. Ultimamente, foi tirado ao acervo do Museu da Cidade para adornar a chamada «Casa Fernando Pessoa».

Não consta que Fernando Pessoa apreciasse os retratos pintados por Almada Negreiros, tendo sido pouco cordial para com o «colega» logo na primeira exposição deste. Apreciava-lhe a escrita, o que é outra coisa, bem diversa.

Almada, por seu turno, nunca ousou pintar ou desenhar Pessoa enquanto este estava vivo. O primeiro retrato pessoano que fez data... do dia do funeral de Pessoa.


Pormenor de página de 'O Rossio pelos Olisipógrafos' 
de MARINA TAVARES DIAS. 
Entrada do Hotel Francfort e, 
ao lado desta, o Restaurante Irmãos Unidos.


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Fernando António


Como nasceu no dia 13 de Junho, chama-se Fernando António.
(Fernando António Nogueira Pessoa fotografado por Francisco Camacho, na Rua Nova do Almada, em 1888)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Arquivo Marina Tavares Dias









Tal como ninguém lhe pode exigir a si, caro leitor, que divulgue contra vontade a fotografia do casamento dos seus pais (por se tratar de documento importante para estudo dos costumes de uma época - e por ser propriedade artística do fotógrafo que a tirou), assim também ninguém pode obrigar um coleccionador de imagens e objectos a divulgá-los, se tal não quiser.

Com os arquivos públicos, como a própria designação indica, não se trata do mesmo. São propriedade do Estado; ou seja, de todos os portugueses. Os seus conservadores são pagos com o dinheiro dos nossos impostos e as peças foram, quase sempre, doadas ou herdadas, sem custos, de palácios e conventos. Os arquivos públicos devem estar abertos e ao serviço de todos os imvestigadores.


Mas, a par deles, existem colecções privadas maravilhosas que nunca foram vistas pelo público em geral. Que só divulga quem quer. Ou quem pretende tirar disso dividendos, influência, contratos com o Estado, etc. Ou então, quem é generoso; quem pratica serviço público voluntário. Existe uma coisa que se chama «direito de posse».


 O ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS é composto por cerca de 40 mil documentos em vários suportes (sobretudo papel), originais de várias épocas e comprados pela escritora ao longo de toda a vida. A maior parte nunca foi publicada, assim como nem todas as fotografias dos muitos livros da autora lhe pertecem. Alguma dessa iconografia, por o respectivo tema - sempre referente ao texto de cada livro - não estar entre o acervo, foi solicitada, e paga, a outras instituições. Essas imagens, claro, não fazem parte das referidas 40 mil peças, embora possam estar em alguns livros de MTD.

Quanto a doações, que nos conste, não existem entre os originais. A investigadora pagou todas as peças de época do seu próprio bolso, em leilões, alfarrabistas, antiquários, feiras de coleccionismo nacionais e estrangeiras, etc. MARINA TAVARES DIAS nunca processou quem copia imagens do seu arquivo pessoal. Mas resta-lhe, ainda, dar a conhecer, e descrever em pormenor em termos históricos, muitos milhares de peças. É uma luta contra o tempo.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

OS GALEGOS

Em 1800, os galegos imigrados em Portugal são já perto de 80 mil. Ao longo dos 100 anos seguintes, dedicar-se-ão sobretudo à venda ambulante de água pelas ruas de Lisboa. Estão por todo o lado: entre o Rossio e a Arcada do Terreiro do Paço, entre os ministérios e o cais, à porta dos armazéns, à esquina das ruas da Baixa, aos montes no Chiado, onde havia um largo conhecido por "Ilha dos Galegos". 

Só aguadeiros, em Lisboa, são 3.454 por volta de 1830. Mas servem ainda para levar a trazer recados, para entregar encomendas ou fazer mudanças de casa. Dois galegos e uma corda podiam transportar quase toda a mobília de uma sala, dizia-se então. 

E dizia-se também que um amor sem galego era um amor sem pés. Que seria dos namorados sem este distribuidor de bilhetes amorosos, num tempo em que quase todos os romances tinham de 
esconder-se da ira paterna?




sábado, 8 de março de 2014

Rua da Prata. Quem a viu; quem a vê

Em: «Lisboa nos Passos de Pessoa»,
de 
Marina Tavares Dias

Fernando Pessoa, cujo domínio absoluto da língua inglesa, raríssimo na Lisboa da primeira metade do século, é cartão de visita em qualquer empresa da capital, transforma-se numa ajuda preciosa para a gerência de muitos escritórios. Adianta correspondência, estabelece contactos internacionais, ajuda no expediente geral. Recusa sempre um emprego fixo. A sua prioridade absoluta é, desde muito cedo, a obra literária. Aqui e ali, entre duas traduções, vai aproveitando a máquina para escrever outras coisas: o “Livro do Desassossego”, por exemplo, é parcialmente concebido na Baixa, sobretudo no primeiro andar da Ourivesaria Moitinho, em cujo escritório trabalha ao longo de mais de uma década.
MARINA TAVARES DIAS


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O maior café lisboeta de 1930

No livro «OS CAFÉS DE LISBOA»© 
de MARINA TAVARES DIAS.

Um capítulo sobre o Café Chave d'Ouro. Inaugurado em 1916. Encerrado em 1959. Mais uma dependência bancária, menos um café no Rossio. Aqui na fotografia, a azáfama dos lisboetas no dia da célebre reabertura, após remodelação, em 1930. Ocupando todos os andares do edifício, passava a ser o maior café de Lisboa.

ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS






segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

NOS PASSOS DO PAI DE FERNANDO PESSOA, 1888

                                                                                                                   MARINA TAVARES DIAS

« Há um homem magro que sai de S. Carlos e acende o charuto, aproveitando a brisa amena libertada pelas luzes a gás do foyer. O tempo está incerto entre duas nuvens densas. A viagem até à Rua dos Calafates desmotiva-o deveras, agora que lhe apetecia mergulhar directamente na porta do prédio mesmo ali em frente. Mas tem uma crítica para entregar, escrita de véspera como combinado, e veio à segunda récita só para recapitular pormenores mais equívocos: a voz da soprano que fraqueja no momento preciso em que o coro sobe de tom, o olhar indeciso do maestro sobre uma plateia que não conhece. Um mundo cosmopolita tão distante da casa em frente, tão distante do choro em torvelinho do filho pequeno, do ruge-ruge de saias da velha mãe quase louca, dos gritos das criadas sempre que a peixeira passa, do cheiro a canela a repousar no doce de abóbora, em travessas, pelos aparadores. Há um mar de calçada entre a porta de S. Carlos e a vida real por trás das outras janelas do largo. Num certo sentido, pensa, fica mais perto a Rua dos Calafates. Fica mais perto a Redacção do Diário de Notícias. Arrima o ânimo e desvia o olhar da fachada. Resolve em definitivo que vai entregar os papéis hoje, em vez de passar pelo jornal logo de manhã. Tomará pelas escadas sobranceiras à pracinha, na direcção do Largo das Duas Igrejas, sabendo-se antecipado em relação à onda humana que, dentro de minutos, inundará o Chiado. [.../...] » 

(continua no livro)

MARINA TAVARES DIAS.

livro: LISBOA NOS PASSOS DE PESSOA


sábado, 28 de dezembro de 2013

AS CHAMINÉS DO ELEVADOR DE SANTA JUSTA



O ASCENSOR DO CARMO AINDA COM CHAMINÉS.
HdEdC - MARINA TAVARES DIAS

[38* O Ascensor do Carmo (ou de Santa Justa), inaugurado a 10 de Junho de 1902, pertencia à empresa homónima, que se transformou em sociedade anónima em Fevereiro de 1903. Em contrato de 20 de Novembro de 1905 foi arrendado à Lisbon Electric Tramways Limited, que o electrificaria em 1907. Dissolvida a Empresa do Elevador do Carmo em 1938, passou o ascensor para a posse da Lisbon Electric, que cedeu a sua exploração à Carris em Agosto de 1943. Foi trespassado definitivamente a esta última em 1973.]

(nota de rodapé de página do livro 
HISTÓRIA DO ELÉCTRICO DA CARRIS
edição oficial, 
de 
MARINA TAVARES DIAS)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A. CAEIRO

Há dias passava eu de carro na Avenida Almirante Reis. Levantando os olhos por acaso, leio no cabeçalho de uma loja: Farmácia A. Caeiro.

Carta de FERNANDO PESSOA
a Armando Côrtes-Rodrigues, 
datada de 4 de Outubro de 1914 e
explicando a génese e os apelidos 
dos seus heterónimos.

Ilustração e citação retiradas de:
A LISBOA DE FERNANDO PESSOA
de 
MARINA TAVARES DIAS


(postal ilustrado em fototipia, edição de Faustino Martins)