A Pastelaria Colombo foi inaugurada a 31 de Outubro de 1935, na Avenida da República, por antigos empregados da Versailles, entre os quais José da Silva Coito. Tinha salão de chá, restaurante e fabrico próprio de confeitaria. Durante décadas, foi das principais referências das Avenidas Novas, célebre pelo bolo-rei, pela cozinha tradicional, pelos banquetes de festa e pelo serviço de catering para o exterior. Manteve a decoração art-déco inicial (evocativa da viagem de Cristóvão Colombo), tanto na pastelaria como no primeiro andar.
Quando, em Outubro de 1990, a Colombo encerrou portas, a desmontagem do histórico letreiro e do recheio foi acompanhada pela Imprensa, em particular pelo ‘Diário de Lisboa’. Na época, poucos reconheciam que uma casa comercial também constituía património da cidade.
Abriria ali, meses depois, o primeiro McDonald's de Lisboa. Mas boa parte do equipamento, do mobiliário e da identidade da Colombo subsistiu, transferida para a Pastelaria Mimo (Avenida Duque de Ávila), que em 1991 passou a chamar-se Rota do Colombo. Assumiu-se esta como continuadora da casa original, preservando o receituário de José da Silva Coito e alguns dos objectos históricos, entre os quais a antiga sorveteira manual Reliance, fabricada na Suécia pela Husqvarna nas primeiras décadas do século XX.
O neto do fundador, Cândido Gonçalves, escreveu que a Colombo tinha «continuidade e testemunho vivo». Não terminou em 1990: continuou durante toda a primeira década do século XX, noutra morada, praticamente com as mesmas pessoas e com alguns dos seus adereços originais. A ‘segunda Colombo’ encerrou em 2012.
Marina Tavares Dias









