Era muito pequena. Talvez quatro anos. O meu pai, agrónomo, trabalhava no Ministério da Agricultura, no Terreiro do Paço. Várias vezes por semana íamos esperá-lo à porta do Grandella, na Rua do Ouro. Quando ele chegava, passeávamos pela Baixa.
domingo, 8 de março de 2026
A BAIXA QUE CONHECI por MARINA TAVARES DIAS
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
LISBOA NO CAIS
Marina Tavares Dias em 'Os Melhores Postais Antigos de Lisboa':
Paulo Guedes, editor deste exemplar - e, quase por certo, autor da própria fotografia - não foi o mais prolixo, entre inúmeros congéneres que inundaram de postais quiosques e tabacarias da Lisboa 1900. Mas foi o mais imaginativo.
Quase sempre, por trás de cada escolha sobre postal, adivinha-se a sensibilidade do fotógrafo atento que conhecia a cidade de cor. Esta cena no cais da Ribeira Nova é o melhor exemplo disso. Pertence a uma série sobre costumes portugueses em geral, mas parece que, de algum modo, fazia parte da célebre colecção Lisboa na Rua (com 16 números conhecidos), e ficou de fora por misteriosas razões.
Nenhum tema da citada colecção ilustraria, como este, tal legenda: Lisboa na rua ou no cais; o povo, os costumes, as cenas quotidianas e a sua assistência. Conhecida por «postal do burrinho", aqui está uma edição que reúne tudo: bom plano, animação, figuração de transportes (no caso, a fragata); tudo sem pose, com o seu aspecto de sempre. Acrescente-se-lhe o insólito com que a cena hoje se nos afigura - e teremos, neste burro, uma representação de Lisboa, tão digna como a imagem de qualquer varina ou galego aguadeiro.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
O ELEVADOR DA ESTRELA
Subindo duas calçadas íngremes - a da Estrela e a do Combro - este era um dos elevadores mais procurados de Lisboa. Percorria grande parte do trajecto da posterior, e hoje tradicional, carreira de eléctrico número 28. Movido a acetileno, o Elevador da Estrela não sobreviveu ao desuso desse combustível, logo na segunda década do século XX.
Note-se a total ausência de fios eléctricos sobre os carris, assim como a configuração da pequena locomotiva aberta. No entanto, o seu atrelado sugere, já, um futuro carro eléctrico no mesmo percurso. Entre os vários editores de postais lisboetas de 1900, apenas Faustino Martins parece ter conferido grande interesse turístico aos transportes sobre carris. É o único a dedicar-lhes três edições com fotografias em que estes aparecem num grande plano. Além do Elevador da Estrela, publicou ainda imagens de eléctricos abertos, com um ou dois trolleys. A par de «O Carro do Jorge» (edição Malva & Roque), constituem temática privilegiada entre todos os postais lisboetas. De outras cidades - Porto, Coimbra, etc. - não se conhecem verdadeiros grandes planos de eléctricos sobre postal antigo, ou exemplares cuja legenda refira apenas estes meios de transporte.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
OS POSTAIS DE PAULO GUEDES
PAULO GUEDES
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
O ROSSIO DE POSTAL ILUSTRADO
A fachada lateral do Teatro Nacional D. Maria II, a estátua de D. Pedro IV, a estrutura inconfundível da praça traçada a régua e esquadro pelos arquitectos do Marquês de Pombal - não há que enganar: é o Rossio. E é como se fora, de Lisboa, o seu emblema maior e cosmopolita. Hoje ainda? Talvez. Então era-o decerto.
Mas que Rossio é este? O do carrossel de automóveis, dia e noite incessante à volta da placa central, que conhecemos? Não. Um Rossio diferente e diverso: as tipóias em fila esperam clientes, os outros, os utentes dos transportes públicos e colectivos, têm aqui à sua disposição e escolha dois tipos de "americanos": os fechados e os abertos.
Vem ainda longe a era do carro eléctrico, que esta foto é com certeza bem anterior ao 4 de Março de 1910 escrito à mão por alguém sobre o postal. Mas não é o exótico dos carros puxados a cavalo aquilo que mais nos surpreende. São as pessoas, ou a espantosa rarefacção delas. E o modo de estar das poucas que se vêem. É o Rossio, é. Tão calmo ainda que se imaginaria, porém, outro que não o de hoje por nós, na pressa, cruzado. E não será, efectivamente, outro?
Ele há as fachadas, o teatro e o monumento, mas tudo o resto mudou. As cidades mudam depressa.. Porque se lhes altera a alma. Mesmo se permanecem as pedras.
quarta-feira, 5 de março de 2025
LISBOA, 1940
«A Exposição do Mundo Português será a coroa de glória das opções assumidas por Ferro e apenas esboçadas anos antes, quer na Exposição Industrial do Porto quer na Internacional de Paris, em 1937, onde o pavilhão concebido pelo jovem arquitecto Keil do Amaral rompia com tudo aquilo que, até então, Portugal apresentara ao estrangeiro. No guia da Exposição do Mundo Português, o comissário Augusto de Castro escreve: "Sendo um olhar lançado sobre o passado, [a exposição] não terá um carácter exclusivamente erudito - e muito menos arqueológico. Deverá ser, ao contrário, uma lição de energia, uma perspectiva do génio português através de todos os estímulos de grandeza, um balanço de forças espirituais." Outros panfletos salientam tratar-se da primeira grande exposição histórica do Mundo. Esse mesmo mundo agora - historicamente - em guerra, ajuda a gerar, à volta desta paz sacralizante e sacralizada, o ambiente fictício dum paraíso do absurdo. »
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
ADEUS, BELÉM HISTÓRICA
continua no livro
Forografia: Mestre Horácio Novaes, prova original da época.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025
Avenida Duque de Ávila
Lisboa já se estendeu para norte. Ao Passeio Público, a Avenida da Liberdade passara-lhe por cima para ir dar à Rotunda. A partir daí (menos ambiciosas na sua largueza), diversas avenidas se abriram e, a seguir à (mais modesta) rotunda do Saldanha, nelas outras se cruzaram: as Avenidas Novas. Como esta ainda tão pacata e quase provinciana Avenida Duque de Ávila que aqui vemos, já percorrida por eléctricos, cujos fios, porém, são consertados, ainda, por carros puxados a cavalo.
Puxada a cavalo segue também, na outra via, uma carroça. O mundo - dir-se-ia - caminhava em frente e direito a nós. Equilibrado, embora, em dois pés: o passado e o presente. No meio, estão as poucas gentes que passam, insensíveis decerto à concomitância da História. Só os dois miúdos estacaram. Olhos postos no fotógrafo e no futuro.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2025
PRAÇA DA FIGUEIRA
Marina Tavares Dias em «Os Melhores Postais de Lisboa», 1995:
sexta-feira, 17 de janeiro de 2025
A FEIRA DA LADRA EM POSTAIS
Marina Tavares Dias em «Os Melhores Postais de Lisboa»:











