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sábado, 6 de dezembro de 2014

S. Roque

Eis-nos, pois, em pleno Largo Trindade Coelho, face à velha igreja de S. Roque. "Toque, toque,toque. / Vamos a S. Roque / Ver os peraltas / Que usam capote". Sigamos o refrão anónimo e antigo. A pracinha sempre teve o nome da igreja, até que, em 1913, alguém resolveu baptizá-la de novo. Ninguém assumiu o topónimo. Todos a conhecem por Largo da Palmatória, alusão óbvia ao monumento que ostenta. Esta coluna, rematada por placa redonda, foi oferecida pela comunidade italiana na ocasião das bodas do rei D. Luís e de D. Maria Pia, em 1862.


LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
volume IV






quarta-feira, 23 de julho de 2014

RUA DO MUNDO

MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
volume IV: O Bairro Alto.

A ancestral Rua Larga de S. Roque (depois apenas Rua de S. Roque), cujo nome mudou três vezes em menos de um século. Hoje, é Rua da Misericórdia. Mas deveria voltar a ser Rua do Mundo. Dos três grandes jornais matutinos de 1910 que receberam o nome das ruas que então os albergavam, apenas O Mundo, por ser republicano, foi «apagado» pelo Estado Novo da toponímia da cidade. Tanto a Rua do Século como a Rua do Diário de Notícias (que dali se mudou logo em 1940) ainda existem como tal.
O Bairro Alto é, historicamente, a «casa» dos jornais. E daqui mandamos as nossas homenagens à - ainda - próxima e excelente Casa da Imprensa.


 Bilhete postal ilustrado.
Fototipia com cor litografada.
Edição Faustino Martins, c. 1912 sobre cliché da décade de 1900




Sede do jornal O Mundo, no edifício
que hoje alberga a Associação 25 de Abril (AMCL)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Photographias e Embalsamamentos





Drogaria da Rua da Escola Politécnica, Na fachada, a par das tradicionais «drogas» e restantes artigos farmacêuticos, há a curiosa mistura, no mesmo lote publicitário de: «Perfumarias dos melhores auctores. Especialidade de artigos para Photographia, Analyses e Embalsamamentos».

Pormenor de albumina orignal de grande formato (19 x 25 cm), colada em cartão publicitário. Inédita, s/d (c. 1905). ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O REFEITÓRIO DOS FRADES TRINOS

[.../...] « Lá diz o povo, quando o desastre é grande, que "caiu o Carmo e a Trindade". O terramoto derrubou realmente ambos os mosteiros, e daí a expressão popular, pois nunca mais antigos esplendores seriam recuperados. No entanto, o Convento da Trindade foi reconstruído e permaneceu de pé por mais algumas décadas. Em 1836, iniciadas as demolições, a Câmara dividiu-o em lotes. Planeava-se fazer passar, pelo interior das ruínas, um arruamento. Ainda hoje lemos, nas placas dessa rua, o topónimo completo: Nova da Trindade. A nova serventia que rasgou o convento ao meio.»

                        MARINA TAVARES DIAS, Lisboa Desaparecida



A Cervejaria da TRINDADE, 
antigo refeitório dos frades trinos, 
fotografada por Eduardo Portugal 
na década de 1930

domingo, 18 de agosto de 2013

BAIRRO ALTO: a «casa» dos grandes jornais

Marina Tavares Dias 

subindo a escadaria do DIÁRIO DE LISBOA  


                                                        Fotografia de Rodrigues da Silva, 1988.


'[.../...] Quinta-feira, 7 de Abril de 1921. O "Diário de Lisboa" começa a publicação, provisoriamente instalado no número 90 da Rua do Carmo. As janelas abrem-se sobre requintes do comércio mais luxuoso, mas o velho segundo andar deste prédio pombalino ainda se assemelha pouco a uma Redacção: os quartos são acanhados, o acesso à rua é feito por escada íngreme de degraus carunchosos. De noite, os ratos cruzam-se por baixo das bancas dos redactores e sobre a "mesa da estiva" onde, ao centro da sala mais larga, são revistas as provas tipográficas.

Almada Negreiros tem estirador nessa sala. Para o primeiro número do jornal, traça a tinta da china o destino adivinhado dum vespertino de vanguarda. São esboços da vida contemporânea: carros eléctricos, mulheres de saia curta em plena Baixa, luvarias da moda, casas de chapéus. António Ferro escreve um poema sobre essas ilustrações. Ao alto da terceira página, em título garrafal, como um segundo logotipo, manda compôr: "Rua do Oiro". (...) Almada e Ferro assinam, juntos, uma opção do próprio fundador, Joaquim Manso: falar da modernidade, divulgar a poesia, dar emprego aos ilustradores e privilegiar temáticas olisiponenses. Serão presença constante no "DL" de Joaquim Manso e Alfredo Vieira Pinto.

Almada "muda-se" com o jornal, para a Rua Luz Soriano número 44, em 1923. [.../...]
(...) Na sala ampla e arejada do primeiro andar, às mesas de trabalho sentam-se, frente a frente, Rodrigues Pereira e Stuart Carvalhaes, Thomaz Ribeiro Colaço e Pedro Bordallo Pinheiro, Ferro e Álvaro de Andrade, Norberto Lopes e António Carneiro, Artur Portela e Sarmento Duque, Carmen Marques e Vasconcellos e Sá, Miguel Martins e Sá Pereira.'


MARINA TAVARES DIAS 
(excerto inicial da história do DIÁRIO DE LISBOA. Adaptado para o blog)


quinta-feira, 14 de março de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS

Alguns dos temas dos 10 volumes de
 
 
 

LISBOA DESAPARECIDA

 
de

 

MARINA TAVARES DIAS

 
 
 
 
 
(num clip com imagens alusivas aos mesmos)

terça-feira, 21 de abril de 2009

TEXTO PUBLICADO NO «JORNAL DE LETRAS»
EM 1997, MARCANDO
A PRIMEIRA DÉCADA
DA PUBLICAÇÃO DO PRIMEIRO LIVRO.


A "Lisboa Desaparecida" completa a sua primeira década. Pedem-me agora que sobre ela escreva, o que se me afigura tarefa espinhosa: nunca tal fiz, ao longo de todo este tempo.
[.../...]

Naquela época, julguei fácil convencer uma editora a investir nos textos do "Popular" (alguns, entretanto, publicados também no "Expresso"), porque contavam já com o que eu julgava ser um público fiel. Ninguém embandeirou em arco, houve hesitações e recusas até ao dia em que, sentada à minha secretária na Redacção, recebi uma chamada: "Somos uma editora nova e gostamos imenso das suas páginas de Sábado". Meses depois, eu e essa "editora nova" estávamos a lançar o primeiro volume da "Lisboa Desaparecida" no Café Nicola.

Passaram 10 anos. Muito pouco daquilo que era o meu estilo desse tempo (aos vinte e poucos anos) permanece. Muito pouco do que foram as motivações iniciais é hoje prioritário. Desapareceu o "Diário Popular" - o seu público fiel onde estará? -, a enorme Redacção em «open-space» (como agora é moda dizer-se) está vazia, o precioso arquivo talvez perdido. O Bairro Alto deixou de ser o bairro dos jornais e os diários vespertinos cumpriram o seu ciclo temporal. Agora, existe mesmo uma "Lisboa Desaparecida" onde eu vivi. [...]abordei-a ao de leve no volume IV, como parte da história da cidade. E, pela primeira vez, terei então dado razão aos que - sem a terem lido - diziam ser esta uma "Lisboa" saudosista. Agora, talvez até seja. Para fugir a isso, à medida que o tempo passa, a investigação vai assumindo uma postura que alguns dos leitores antigos me dizem ser "demasiado séria": «Pois não é que você escreveu um texto com notas de rodapé? - E ainda tem lata de dizer que este livro serve para divulgar a história da cidade e que é escrito para todos os lisboetas?»
Assim o quis, de facto. E nunca os lisboetas me desapontaram.

Marina Tavares Dias