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segunda-feira, 5 de maio de 2014

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
Excerto do capítulo "Vendedores e Pregões"

«Pela manhã dentro, os vendedores de fruta, hortaliça, leite e doces chegavam dos arredores saloios. Cabaz à cabeça ou burro pela arreata, eram esperados em todos os bairros. Muitos pregões necessitariam de tradução, se não fossem já bem conhecidos dos lisboetas: "Tamari-dôôôô!"; "A vinte-cincô-salami!"; "Éééé-chega-lá-vaquííínha-chega!".
[...]
Os forasteiros espantavam-se com o hermetismo de algumas destas mensagens publicitárias, e com o facto de em Lisboa tudo se mercar à porta de cada um, como se não houvesse locais para tal destinados.[...]»


terça-feira, 29 de abril de 2014

O Amola- Tesouras das nossas ruas

Alguns dos pregões (anúncios ambulantes) mais repetidos ao longo de todo o século XIX são impossíveis de reproduzir graficamente. O do ferro-velho, por exemplo, que se resumia a um rangido áspero, estridente, interminável. O uivo do galego aguadeiro, servindo de mote para assustar meninos mal-portdos. Ou o silvado da gaita do amola-tesouras-e-navalhas, hoje sobrevivente quase isolado no cancioneiro das ruas. Agora quase sempre de biccicleta (embora ainda os haja de «aparelho» completo; rodas e lima, circulando no pino da afinação.
Com a crise, multiplicaram-se. Para os estrangeiros, sobretudo para os franceses dedicados à cartofilia, é difícil explicar que um «petit métier» dos mais antigos e cotados em termos de postais antigos ainda existe em Lisboa, ao virar da esquina, para quem queira fazer postais «animés», «non-posés» e... editados em 2014.

MARINA TAVARES DIAS
«Vendedores e Pregões»,
um dos capítulos da
LISBOA DESAPARECIDA



domingo, 6 de janeiro de 2013

O Mistério das Palavras (LISBOA MISTERIOSA)

 

«Tito Lívio deve ter referido uma pronúncia [...] a que os mais ortodoxos chamariam «patavinismo». [...] Mas assumir etimologia a partir de «Pádua» não será pacífico, visto que a derivação pode ser muito posterior, aludindo ao discurso em latim dos padres, seguidores de Santo António de Lisboa (e de Pádua), geralmente mal entendidos pelo lisboeta da rua.
[...]
Para que se não esgote o tema, pode ainda considerar-se, como Rafael Bluteau [...] que «pá» seria o mais básico, e «não perceber patavina» corresponderia a ignorar o mais elementar.»

Marina Tavares Dias. Capítulo O Mistério das Palavras, em LISBOA MISTERIOSA (2004-2011). NAS LIVRARIAS.

domingo, 12 de junho de 2011

ALEXANDRE HERCULANO


Alexandre Herculano, poeta, romancista, historiador e mestre pela rectidão de carácter que todos os amigos enalteciam era igualmente o mais famoso dos agricultores. Na época em que o azeite, como Bordalo refere, foi combustível para candeias, Herculano inventou o mais fino «azeite de prato». Tratou de o pôr à venda em Lisboa, na mais famosa mercearia do Chiado elegante: o Jerónimo Martins. Ganhou uma medalha na Exposição Universal de Paris e o hábito de se ver caricaturado vestido de azeiteiro, com lata e funil, desprezando intelectuais seus pares em direcção à porta do merceeiro. Gomes de Brito conta como foi apresentar Bordalo Pinheiro a Herculano, na Livraria Bertrand do Chiado, em 1870. O caricaturista vinha pedir autorização para publicar o desenho mais tarde célebre, e Herculano mostrou-se envergonhado mas complacente: «Sim, senhor; sim, senhor!» Que estava parecido e que não ofendia a seu «carácter moral». Azeiteiro, pois, e sem problemas em o reconhecer, pelo que no «Álbum de Costumes Portuguezes» (editado por David Corazzi em 1888), é Columbano quem o retrata, utilizando como base a fotografia de um azeiteiro de rua, cujo rosto substitui pelas feições do historiador. A fotografia que serviu de base à aguarela e à estampa era desconhecida. Foi desvendada no volume IX da «Lisboa Desaparecida».

quinta-feira, 5 de maio de 2011

GALEGO AGUADEIRO




Galego aguadeiro. Postal ilustrado. Fototipia litografada, c. 1910. Em Lisboa Desaparecida de Marina Tavares Dias, volume II, capítulo «Vendedores e Pregões».