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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O HOSPITAL DA RAINHA D. ESTEFÂNIA

A ideia de construir em Lisboa um hospital destinado exclusivamente a crianças nasceu da Rainha D. Estefânia, mulher de D. Pedro V. A jovem princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, nascida em Düsseldorf a 15 de Julho de 1837, chegou a Lisboa no dia 17 de Maio de 1858.

Pouco depois do casamento, Estefânia visitou os hospitais de Lisboa e ficou impressionada com as condições em que eram tratadas as crianças, internadas juntamente com os adultos e sem instalações minimamente confortáveis. Decidiu então destinar uma parte muito considerável do seu dote de casamento à criação do primeiro hospital pediátrico moderno em Portugal.

Não chegou a ver realizado o projecto, pois morreu em Lisboa a 17 de Julho de 1859, com apenas 22 anos e pouco mais de um de casamento. D. Pedro V resolveu cumprir o desejo da mulher. Para construção do hospital cedeu terrenos pertencentes à Quinta da Bemposta, propriedade da Casa Real, e procurou que o novo estabelecimento fosse concebido segundo os modelos hospitalares mais avançados da Europa.

O projecto foi confiado ao arquitecto Albert Jenkins Humbert, que trabalhara para a família real britânica e fora recomendado ao rei pelo príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. A primeira pedra foi lançada por D. Pedro V em 3 de Julho de 1860. Também ele não assistiria à conclusão da obra: morreu de febre tifóide em 11 de Novembro de 1861, aos 24 anos.

A construção prosseguiu durante o reinado do seu irmão, D. Luís I. O hospital foi finalmente inaugurado em 17 de Julho de 1877, precisamente no aniversário da morte da rainha, e recebeu o nome de Hospital de Dona Estefânia.

Quase vinte anos tinham passado desde que a jovem rainha visitara as enfermarias miseráveis de Lisboa. O hospital que imaginara tornou-se uma instituição pioneira da pediatria portuguesa e, sobretudo, o monumento mais duradouro de um reinado extraordinariamente breve.

Marina Tavares Dias, 
'Lisboa Desaparecida', volume VII (2001)





Hospital deD. Estefânia
Na década de 1920
(fotografia de Ferreira da Cunha)

D. Estefânia e D. Pedro V. 
Pormenor de montgem fotográfica
(1859)

Princesa Estefânia de
Hohenzollern-Sigmaringen
fotografada em Düsseldorf 
(1857)






 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

LISBOA DAS SETE COLINAS

«Lisboa, Augusta emula de Roma», com sete colinas veras ou ligeiramente pinceladas pela imaginação de historiadores e poetas. Assim será sempre, apesar das muralhas terem desaparecido, de novos eixos terem apontado em direcção ao norte, a ocidente e a oriente. Em vão se crismam novos horizontes, mas a cidade antiga prevalece e ninguém assimila qualquer outra suburbana «alta de Lisboa». O rigor orográfico nem sempre terá sido assegurado, mas no que diz respeito a Lisboa ser a cidade das sete colinas, estamos conversados. Sê-lo-á sempre. É desta majestosa desmaterialização que se fazem as lendas. O resto é apenas terra batida, onde as gerações vão construindo e o tempo vai destruindo. Sucessivamente.

Marina Tavares Dias
in 
Lisboa Desaparecida
volume IX
Capítulo 
Lisboa das Sete Colinas




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Pobres AVENIDAS NOVAS



Traçadas no final do século XIX, de acordo com o plano urbanístico de Ressano Garcia, as avenidas que partem da Rotunda (ou Praça Marquês de Pombal) determinaram a expansão de Lisboa num eixo que aponta para norte. Foram baptizadas "Avenidas Novas" pelo povo de Lisboa. Foram também ricamente decoradas com alguns dos exemplos mais conhecidos da arquitectura portuguesa dos primeiros anos do século XX, incluindo a maior parte dos edifícios que receberam, então, o célebre Prémio Valmor. Por ganâncias várias, esses edifícios foram quase todos substituídos, ao longo das seis últimas décadas, por construções incaracterísiticas e de volumetria exagerada. Restam alguns exemplos importantes, e um quarteirão praticamente intacto com referências que vão dos finais de Oitocentos até à década de 1930.


Capítulo sobre as AVENIDAS NOVAS
no segundo volume da
LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS

Foto: o edifício Silva Graça, mais tarde convertido em Hotel Aviz e agora substituído pelo do Hotel Sheraton, entre as avenidas Fontes Pereira de Melo e Cinco de Outubro. Em baixo: Vista aérea da Avenida da República, sobre o Mercado Geral de Gados (posteriormente terrenos da Feira Popular).





terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Empresa Cerâmica de Lisboa, no coração de Campo de Ourique

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS

Ilustração do capítulo sobre CAMPO DE OURIQUE,
no volume VII

A Empresa Cerâmica de Lisboa. Onde hoje está a Igreja do Santo Condestável. Fotografia em albumina sobre cartão, fomato, 40 X 30 cm. Rua Saraiva de Carvalho em 1904.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A. CAEIRO

Há dias passava eu de carro na Avenida Almirante Reis. Levantando os olhos por acaso, leio no cabeçalho de uma loja: Farmácia A. Caeiro.

Carta de FERNANDO PESSOA
a Armando Côrtes-Rodrigues, 
datada de 4 de Outubro de 1914 e
explicando a génese e os apelidos 
dos seus heterónimos.

Ilustração e citação retiradas de:
A LISBOA DE FERNANDO PESSOA
de 
MARINA TAVARES DIAS


(postal ilustrado em fototipia, edição de Faustino Martins)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

PROCISSÃO DA SENHORA DA SAÚDE, no Domingo, na AVENIDA ALMIRANTE REIS


É DIA DE PROCISSÃO

DA SENHORA DA SAÚDE

«encham-me essa Avenida!»



No próximo Domingo de regresso à Avenida. Saudades para D. Genciana... 

[In: FB, Página da LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS] Fotografias: Arquivo MTD




quarta-feira, 27 de março de 2013

AS VARINAS DE LISBOA





 

 

 

 

 
«A indumentária pode variar, de ilustrador para ilustrador, ou em diferentes edições de postal ilustrado. Mas a varina lisboeta enverga invariavelmente um corpete de flanela, uma cinta de lã a altear a saia axadrezada, um avental, um lenço de ramagens cruzado sobre as espáduas e um chapéu redondo de feltro, achatado, com as abas reviradas. A rodilha ou "sogra", sobre a qual assenta a canastra forrada de oleado, e a "patrona", bolsinha lateral para o dinheiro, completam o quadro. Temos, então, a varina, tal como a vemos nas estampas. » 
 
 
 
- MARINA TAVARES DIAS
 em LISBOA DESAPARECIDA,
volume III, capítulo «Vendedores e Pregões».
 
Postais ilustrados do início do século XX. Arquivo MTD.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cinema Lys

Cinema Lys

na Avenida Almirante Reis

(gaveto com a Rua dos Anjos), bairro dos Anjos.

Década de 1940







Lisboa Desaparecida

de Marina Tavares Dias

volume VIII - Os Cinemas de Bairro

terça-feira, 27 de novembro de 2012

domingo, 30 de outubro de 2011

Festas da Cidade, 1934.


Capa do livro comemorativo das Festas da Cidade de Lisboa (incluindo as Marchas Populares). Almada Negreiros, 1934.

sábado, 9 de abril de 2011

CAMPO DE OURIQUE


Campo de Ourique. Gaveto da Rua Azedo Gneco com a Rua Coelho da Rocha em 1944. As tiras de papel nas janelas eram usadas, nesta época, como protecção contra estilhaços, caso Portugal viesse a entrar na guerra e fosse alvo de ataques aéreos.


«Lisboa Desaparecida», volume VII, capítulo «Campo de Ourique».