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sábado, 20 de junho de 2026

O RESTAURANTE PALMEIRA DA RUA DO CRUCIFIXO

Quando, na década de 1990, aluguei uma sala para escritório num prédio fronteiro da Rua do Crucifixo, era aqui que vinha almoçar. O Palmeira servia os melhores pastéis de bacalhau de Lisboa, acompanhados por imperiais tiradas a preceito e pela conversa habitual dos empregados, que conheciam pelo nome grande parte da clientela. 

Como tantos outros restaurantes da Baixa, era uma extensão dos escritórios vizinhos, e onde se trabalhava, se almoçava e encontravam amigos sem necessidade de marcar hora.

Ocupava o número 69 da Rua do Crucifixo. As listas da década de 1950 permitem corrigir uma informação muitas vezes repetida, nos últimos anos da casa: o Palmeira não foi fundado em 1954, como fazia supor o letreiro da fachada, mas sim em 1939. A data de 1954 assinalava apenas a entrada do novo proprietário e gerente, José de Almeida, que assumiu a exploração do estabelecimento em Março desse ano.

Palmeira era também o nome de um restaurante do Porto, ao qual esteve ligado durante algum tempo. Especializou-se desde o início na cozinha do Norte e na importação directa de vinhos verdes, tornando-se ponto de encontro obrigatório para muitos clientes oriundos do Entre-Douro-e-Minho que viviam ou passavam por Lisboa.

Costumava ser comparado com o famoso restaurante Dupont de Paris: um interior que pouco mudaria ao longo de mais de meio século, grandes arcadas sucessivas, pilares robustos. As abóbadas do salão principal permaneceram praticamente intactas até ao encerramento. Quando fotografei o restaurante nos seus últimos anos, reconheciam-se ainda os espaços representados nas imagens da década de 1950. José de Almeida, excelente profissional da restauração, foi responsável pelo modernizar da casa e aumento da sua popularidade. Possuía outro estabelecimento, o Palmeirinha Bar, situado na Rua da Conceição, n.º 32 (gaveto com a Rua dos Douradores), cuja gerência viria a entregar ao seu conterrâneo Manuel Ferreira de Oliveira.

Durante décadas, o Palmeira foi um restaurante da Baixa para as pessoas da Baixa. Assim foi até ao encerramento, no final de 2015. Era dos raros interiores comerciais de Lisboa que ainda conservava, quase sem alterações, atmosfera e funções que possuía nos anos quarenta e cinquenta do século XX. Gerações sucessivas de lisboetas sentaram-se sob as mesmas arcadas para fazer exactamente a mesma coisa: almoçar, beber, conversar, regressar ao trabalho. O encerramento da melhor casa de pastéis, numa década em que já proliferavam as actuais ‘fábricas de pastel de bacalhau’ com sabores inventados e absurdos, é mais que uma perda. É um símbolo de como Lisboa passou a sacrificar o genuíno para reinventar em ‘kitsch’ a sua própria história. 


Marina Tavares Dias 








Interior do restaurante na década de 1950





sexta-feira, 25 de agosto de 2023

RECORDAR O CHiADO

 

No dia 25 de Agosto de 1988, o Chiado ardeu em parte, tendo perdido para sempre grande parte das suas loja históricas.


No Diário de Lisboa, Marina Tavares Dias iniciou uma série de reportagens em defesa da reconstrução, de acordo com a traça original dos edifícios e com a recuperação das lojas. Para tal, foi lançado um abaixo-assinado para entregar ao então Presidente da República, Mário Soares.


Apesar da reconstrução ter sido feita com respeito pelo traçado pombalino das casas, o plano de conjunto não podia incluir o destino final de cada edifício. As lojas (Eduardo Martins, Casa Batalha, Pastelaria Ferrari, Perfumaria da Moda, Casa José Alexandre, Grandes Armazéns do Chiado, Armazéns Grandella, etc.) não voltaram ao Chiado.




Interior dos Grandes Armazéns do Chiado
(Marina Tavares Dias, 1985)


quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Homenagem ao nosso GRANDELLA

 O Grandella no tempo da sua ampliação (1906), fazendo as galerias parecerem-se com as dos tradicionais Grandes Armazéns de Paris.

Gravura única, pertencente ao Arquivo Marina Tavares Dias, e agora disponível em vários objectos fantásticos na nossa pequena loja na Redbubble. Link directo:

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Homenagem aos Grandes Armazéns do Chiado de 1900





CHIADO

 Já está pronta a 'secção de atoalhados', na nossa loja da Redbubble. Siga o link para este site, e procure em MTD-Archives. Pode passar o Natal com este padrão , a partir da digitalização e retoque, em alta resolução, de uma peça do Arquivo MTD.

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

O CHIADO DE MESTRE HORÁCIO NOVAES




As fotografias do Chiado de Mestre Horácio Novaes aparecem cheias de gente porque são tiradas para a reportagem da visita às quatro (havia uma quinta na Rua Nova do Almada) igrejas do Chiado, na Páscoa.

As identificações e datas (esta é de 1943) apontadas por MARINA TAVARES DIAS nos dossiers dos estúdios de Horácio Novaes desapareceram após a morte do seu assistente, António Lanceiro, com a venda ou cedência dos negativos a uma instituição que preservou apenas os negativos.


Apenas mais duas 
de tantas possíveis insistências:



Esta série fotográfica não representa um cortejo das celebrações dos centenários no âmbito da Exposição do Mundo Português de 1940. Trata-se da encenação de Leitão de Barros conhecida por Cortejo Histórico, celebrando a reconquista de Lisboa. A data é 1947.






As imagens com os principais grandes cinemas da Lisboa da
década de 1950 não se destinavam a reportagem
sobre os mesmos. Foi uma encomenda da firma Phillips,
que fornecia a iluminação de interiores e de fachadas


domingo, 1 de junho de 2014

Peças do ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS: os cartões das vistas estereoscópicas.





Verso de cartões das vistas estereoscópicas da famosa Loja 92 (na Rua Nova do Almada e sucursal na Rua do Ouro), também conhecida por Casa dos Chapéus de Chuva. As vistas eram de Lisboa, mas o chic era chamarem-se «Paris».
Para quem não se lembre, recordamos tratar-se da casa que ficou famosa através de enormes campanhas publicitárias com este logótipo «92», em cartazes colados pela cidade de finais do século XIX. Como brindes a clientes certos, mandava fazer os célebres pratos/calendário que ainda hoje aparecem à venda. A Loja 92 ardeu no incêndio do Chiado, em 1988. Durara mais de um século.

segunda-feira, 31 de março de 2014

CHIADO ABAIXO




...numa manhã do Outono de 1912, duas costureiras dos elegantes armazéns trazem consigo a merenda da tarde. Vestem de acordo com o figurino importado, mas o tecido é, provavelmente, dos saldos do Grandella: fim de peça e fim de estação. O fotógrafo Benoliel retratou dezenas de costureirinhas para reportagens da "Illustração Portugueza" sobre os novos hábitos da mulher trabalhadora a "viver fora de casa". Na foto, à esquerda, a montra da casa Ao Último Figurino (mais tarde, Novo Figurino), fundada em 1910. Mais acima, a loja de ferragens Shefield House e um salão de chá, onde mais tarde se instalaria A Pompadour.

Em MARINA TAVARES DIAS
PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA

domingo, 16 de março de 2014



A história 
do
GRANDELLA
por
MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
(pequeno fragmento)

«[.../...] "Entrando pela Rua do Carmo encontra-se a mais importante e mais rica secção do estabelecimento. É a secção de sedas. O seu sortimento proveniente das principais fábricas estrangeiras, eleva-se a algumas centenas de contos de réis. Aqueles castelos de peças, cheias de vida, de finura, de graça, matizadas, vaporosas, estonteantes, dão a esta . secção um tom de grandeza que deslumbra". [...]

Correspondia o sexto pavimento do Grandella ao primeiro andar sobre a Rua do Carmo. Aí se instalou um alfaiate, um decorador e a zona para artigos de viagem. Pelo andar seguinte distribuíram-se os escritórios, paredes meias com secções de atendimento, infor­mações, promoção, distribuição e encomendas para a província. 

Salas de jantar, de fumo e de leitura dos donos da casa foram decoradas em três estilos: árabe, Luís XV e Luís XVI, tudo no quarto andar do lado do Chiado. [...], e lustres e azulejos assinados por Bordallo Pinheiro. O décimo pavimento, parte da casa particular dos Grandellas, era em grande parte ocupado pelo maquinismo do grande relógio sobre a Rua do Carmo.»
(continua no livro)

Ajude-nos a divulgar

LISBOA DESAPARECIDA

«clicando»
nos nossos anunciantes.
Bem haja!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Vai um chá GRANDELLA?



capa de partitura musical, c. 1906.




MARINA TAVARES DIAS 
em
LISBOA DESAPARECIDA II:
«A História fabulosa de Francisco de Almeida Grandella»

[.../...] A loja com entrada para a Rua do Carmo, andar nobre da casa, ficou dedicada às sedas, às fitas e às rendas -todos os atavios da "toilette" feminina em tempos anteriores ao pronto-a-vestir. Sobre esta área, a zona mais frequentada pelas damas de sociedade, vale a pena registar os louvores publicitários das agendas Grandella: "Entrando pela Rua do Carmo encontra-se a mais importante e mais rica secção do estabelecimento. É a secção de sedas. O seu sortimento proveniente das principais fábricas estrangeiras, eleva-se a algumas centenas de contos de réis. Aqueles castelos de peças, cheias de vida, de finura, de graça, matizadas, vaporosas, estonteantes, dão a esta . secção um tom de grandeza que deslumbra". [.../...]

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O DIA EM QUE O CHIADO ARDEU

Primeira página do texto da reportagem de MARINA TAVARES DIAS
sobre os 25 anos
do incêndio do CHIADO.
Revista VISÃO.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EM CAMPANHA PELA RECONSTRUÇÃO DO CHIADO (1988)

Excertos de dois dos inúmeros textos publicados por Marina Tavares Dias em jornais e revistas, entre Agosto e Dezembro de 1988, defendendo a manutenção das lojas históricas que arderam no incêndio do dia 25 de Agosto de 1988. Textos e fotografias das publicações da época: ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

CHIADO, 25 anos depois.

                                      Aqui esteve até 1988 a lindíssima Perfumaria da Moda 
                                    (concepção e imagens ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS)

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Aqui foi a célebre mercearia Martins & Costa. 
(concepção e imagens ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS)


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Aqui foi a centenária Casa José Alexandre. 
(concepção e imagens ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS)


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Aqui foi o luxuoso e setecentista Jerónimo Martins. 
(concepção e imagens ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS)


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O CHIADO DO SÉCULO XXI


Como estão, 25 anos volvidos, algumas das moradas que faziam parte do património lisboeta e que desapareceram no dia 25 de Agosto de 1988? (concepção e imagens ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS)


P.S. -- Já sabemos que vai haver tentação de muito «copianço» por parte de tv's, revistas, jornais, sites e blogs, quando chegarem os 25 anos de incêndio. Pelo menos, mandem uma mensagem para o blog, para que possamos por-vos em contacto com a escritora.Todas as fotografias das lojas como estavam antes do incêndio podem ser vistas, a ilustrar a descrição da história de cada local, nos volumes da LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS.

domingo, 27 de janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS

Alguns dos temas dos 10 volumes de
 
 
 

LISBOA DESAPARECIDA

 
de

 

MARINA TAVARES DIAS

 
 
 
 
 
(num clip com imagens alusivas aos mesmos)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

LISBOA DESAPARECIDA - volume II

GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO
em
LISBOA DESAPARECIDA,
de
Marina Tavares Dias,
volume II.
O Palácio Barcelinhos, onde estavam instalados os Grandes Armazéns do Chiado. Este local correspondia à antiga igreja do Convento do Espírito Santo da Pedreira. O interior do edifício ficou reduzido a cinzas durante o incêndio do dia 25 de Agosto de 1988.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cinco décadas de chávenas de A Brasileira (1945-1995)




OS CAFÉS DE LISBOA,
de Marina Tavares Dias (1999)

capítulo «A Brasileira».


Cinco décadas de chávenas da Brasileira (1945-1995). Quatro dos exemplares escolhidos para o livro.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

LISBOA MISTERIOSA.

O que queremos realmente dizer quando contamos que caiu o Carmo e a Trindade?
Porque que é que já não existem as Obras de Santa Engrácia?
Qual é o animal mais célebre da Penha de França?
Será que Martim Moniz ficou mesmo entalado na porta do castelo?
Ulisses foi ou não o fundador de Lisboa?
Afinal, quem é o padroeiro da cidade?
Será que o Rossio já cabe na Rua da Betesga?
Porque é que Campo de Ourique ficava rés-vés?
Qual a Palma que deu nome à Rua e a Figueira que deu nome à Praça?
Estes são alguns dos mistérios aqui desvendados por Marina Tavares Dias (jornalista, fotógrafa, escritora e olisipógrafa).
Lisboa Misteriosa é um magnífico álbum, com fotografias raras que ilustram o texto pautado pelo mistério e pelas lendas. Histórias que ouvimos desde sempre e que passaram de boca em boca. Aqui se esclarecem as suas origens, enriquecendo a história da nossa Lisboa. Uma homenagem sem par à Cidade das Sete Colinas.
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ISBN
978-989-672-116-9
EAN
9789896721169
TITULO
Lisboa Misteriosa
AUTOR
Dias, Marina Tavares

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lançamento de 'LISBOA MISTERIOSA' e 'LISBOA NOS PASSOS DE FERNANDO PESSOA'


'A Editora Objectiva e a Fnac Chiado têm o prazer de o(a) convidar para a apresentação de "Lisboa Misteriosa" e " Lisboa nos Passos de Fernando Pessoa" de Marina Tavares Dias. Dois livros que nos apresentam uma Lisboa diferente e que constituem uma homenagem sem par à Cidade das Sete Colinas. Conta com a apresentação de Catarina Portas.'
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011, às 18:30, na FNAC Chiado.

domingo, 12 de junho de 2011

ALEXANDRE HERCULANO


Alexandre Herculano, poeta, romancista, historiador e mestre pela rectidão de carácter que todos os amigos enalteciam era igualmente o mais famoso dos agricultores. Na época em que o azeite, como Bordalo refere, foi combustível para candeias, Herculano inventou o mais fino «azeite de prato». Tratou de o pôr à venda em Lisboa, na mais famosa mercearia do Chiado elegante: o Jerónimo Martins. Ganhou uma medalha na Exposição Universal de Paris e o hábito de se ver caricaturado vestido de azeiteiro, com lata e funil, desprezando intelectuais seus pares em direcção à porta do merceeiro. Gomes de Brito conta como foi apresentar Bordalo Pinheiro a Herculano, na Livraria Bertrand do Chiado, em 1870. O caricaturista vinha pedir autorização para publicar o desenho mais tarde célebre, e Herculano mostrou-se envergonhado mas complacente: «Sim, senhor; sim, senhor!» Que estava parecido e que não ofendia a seu «carácter moral». Azeiteiro, pois, e sem problemas em o reconhecer, pelo que no «Álbum de Costumes Portuguezes» (editado por David Corazzi em 1888), é Columbano quem o retrata, utilizando como base a fotografia de um azeiteiro de rua, cujo rosto substitui pelas feições do historiador. A fotografia que serviu de base à aguarela e à estampa era desconhecida. Foi desvendada no volume IX da «Lisboa Desaparecida».

sábado, 9 de abril de 2011

ARMAZÉNS DO CHIADO, 1955

Menu do salão de chá, pastelaria e restaurante dos Grandes Armazéns do Chiado, 1955. «Lisboa Desaparecida», volume IX, capítulo «Restaurantes e Petiscos»