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quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Arquivo Marina Tavares Dias









Tal como ninguém lhe pode exigir a si, caro leitor, que divulgue contra vontade a fotografia do casamento dos seus pais (por se tratar de documento importante para estudo dos costumes de uma época - e por ser propriedade artística do fotógrafo que a tirou), assim também ninguém pode obrigar um coleccionador de imagens e objectos a divulgá-los, se tal não quiser.

Com os arquivos públicos, como a própria designação indica, não se trata do mesmo. São propriedade do Estado; ou seja, de todos os portugueses. Os seus conservadores são pagos com o dinheiro dos nossos impostos e as peças foram, quase sempre, doadas ou herdadas, sem custos, de palácios e conventos. Os arquivos públicos devem estar abertos e ao serviço de todos os imvestigadores.


Mas, a par deles, existem colecções privadas maravilhosas que nunca foram vistas pelo público em geral. Que só divulga quem quer. Ou quem pretende tirar disso dividendos, influência, contratos com o Estado, etc. Ou então, quem é generoso; quem pratica serviço público voluntário. Existe uma coisa que se chama «direito de posse».


 O ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS é composto por cerca de 40 mil documentos em vários suportes (sobretudo papel), originais de várias épocas e comprados pela escritora ao longo de toda a vida. A maior parte nunca foi publicada, assim como nem todas as fotografias dos muitos livros da autora lhe pertecem. Alguma dessa iconografia, por o respectivo tema - sempre referente ao texto de cada livro - não estar entre o acervo, foi solicitada, e paga, a outras instituições. Essas imagens, claro, não fazem parte das referidas 40 mil peças, embora possam estar em alguns livros de MTD.

Quanto a doações, que nos conste, não existem entre os originais. A investigadora pagou todas as peças de época do seu próprio bolso, em leilões, alfarrabistas, antiquários, feiras de coleccionismo nacionais e estrangeiras, etc. MARINA TAVARES DIAS nunca processou quem copia imagens do seu arquivo pessoal. Mas resta-lhe, ainda, dar a conhecer, e descrever em pormenor em termos históricos, muitos milhares de peças. É uma luta contra o tempo.


sábado, 17 de maio de 2014

STEPHANIE, STEPHANIA, ESTEFÂNIA





O capítulo preferido pela autora da LISBOA DESAPARECIDA. Marina Tavares Dias dedicou uma densa investigação, de mais de 15 anos, ao estudo de todos os documentos relacionados com esta Rainha, tão diferente de todas as outras Rainhas, em qualquer época ou parte do mundo.
Esperamos que publique a biografia, anunciada desde 2002. Ou nunca se fará luz sobre as mentiras históricas instituídas há mais de um século. Mentiras não só sobre a Rainha D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen.
FORÇA! Amanhã é sempre um bom dia para recomeçar!

MARINA TAVARES DIAS 
EM 
LISBOA DESAPARECIDA VII (2001):

«[...] Da primeira vez que entrara, a aia que a acompanhava sentira-se mal[ ...], desculpando-se que a crinolina do vestido não passava porta tão estreita. Estefânia dobrou a sua própria crinolina em duas, seguindo decidida até à escada [...] que conduzia ao quarto [...] da doente. Fazia sempre as camas e batia os colchões de palha, aparentemente sem medo de contrair [...] maleitas, numa época anterior à penicilina, em que a exposição a ambiente insalubre representava perigo hoje impensável [...]

Quando o pai das crianças sofreu um acidente grave que o incapacitou de trabalhar, [...] passou a visitá-los duas vezes por dia, levando sempre consigo almoço e jantar para 12 pessoas. » [CONTINUA NO LIVRO]

segunda-feira, 31 de março de 2014

CHIADO ABAIXO




...numa manhã do Outono de 1912, duas costureiras dos elegantes armazéns trazem consigo a merenda da tarde. Vestem de acordo com o figurino importado, mas o tecido é, provavelmente, dos saldos do Grandella: fim de peça e fim de estação. O fotógrafo Benoliel retratou dezenas de costureirinhas para reportagens da "Illustração Portugueza" sobre os novos hábitos da mulher trabalhadora a "viver fora de casa". Na foto, à esquerda, a montra da casa Ao Último Figurino (mais tarde, Novo Figurino), fundada em 1910. Mais acima, a loja de ferragens Shefield House e um salão de chá, onde mais tarde se instalaria A Pompadour.

Em MARINA TAVARES DIAS
PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014



MORADAS DOS MAIS MÍTICOS 

CAFÉS DE LISBOA

ATRAVÉS DOS SÉCULOS

Recolha do Arquivo Marina Tavares Dias
com base, exclusivamente, 
nos livros da olisipógrafa

parte 2




CAFÉS DA PRAÇA D. JOÃO DA CÂMARA (ANTIGO LARGO CAMÕES)


Café La Gare – Praça D. João da Câmara, 5 e 6.
Actualmente: Restaurante Beira Gare.

Café Suisso – Praça D. João da Câmara, 7 a 10.
Inaugurado em 1848. Edifício demolido em 1954.

Café Martinho – Praça D. João da Câmara, 14 a 18.
Inaugurado c. 1846. Encerrado em 1968. A primeira dependência bancária que lhe tomou o lugar, em 1969, pertencia ao Banco do Alentejo, mais tarde integrado na União de Bancos; depois BCP.

(continua)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

NOS PASSOS DO PAI DE FERNANDO PESSOA, 1888

                                                                                                                   MARINA TAVARES DIAS

« Há um homem magro que sai de S. Carlos e acende o charuto, aproveitando a brisa amena libertada pelas luzes a gás do foyer. O tempo está incerto entre duas nuvens densas. A viagem até à Rua dos Calafates desmotiva-o deveras, agora que lhe apetecia mergulhar directamente na porta do prédio mesmo ali em frente. Mas tem uma crítica para entregar, escrita de véspera como combinado, e veio à segunda récita só para recapitular pormenores mais equívocos: a voz da soprano que fraqueja no momento preciso em que o coro sobe de tom, o olhar indeciso do maestro sobre uma plateia que não conhece. Um mundo cosmopolita tão distante da casa em frente, tão distante do choro em torvelinho do filho pequeno, do ruge-ruge de saias da velha mãe quase louca, dos gritos das criadas sempre que a peixeira passa, do cheiro a canela a repousar no doce de abóbora, em travessas, pelos aparadores. Há um mar de calçada entre a porta de S. Carlos e a vida real por trás das outras janelas do largo. Num certo sentido, pensa, fica mais perto a Rua dos Calafates. Fica mais perto a Redacção do Diário de Notícias. Arrima o ânimo e desvia o olhar da fachada. Resolve em definitivo que vai entregar os papéis hoje, em vez de passar pelo jornal logo de manhã. Tomará pelas escadas sobranceiras à pracinha, na direcção do Largo das Duas Igrejas, sabendo-se antecipado em relação à onda humana que, dentro de minutos, inundará o Chiado. [.../...] » 

(continua no livro)

MARINA TAVARES DIAS.

livro: LISBOA NOS PASSOS DE PESSOA


domingo, 8 de setembro de 2013

O CAFÉ MARTINHO do Rossio

CAFÉS DA ZONA DO ROSSIO

«[...] A zona poente do Rossio é a parte nobre da praça. O Largo D. João da Câmara, com os seus cafés célebres – o Martinho e o Suisso, – funciona como prolongamento desse passeio onde, em poucos metros, há muitos pontos de paragem obrigatória. Pouco antes da esquina, o Café Gelo continua a reunir os revolucionários do tempo da Monarquia. Quase ao lado, a Brasileira do Rossio, inaugurada em 1911, faz já tanto negócio como a do Chiado. Em 1916, o Chave d’Ouro juntar-se-á à lista, sendo herdeiro do Martinho como maior café da cidade. Por todos eles terá Pessoa escrito e divagado. Em 1916, escreve, numa carta endereçada à Tia Anica (Ana Luiza Pinheiro Nogueira): «Cheguei, num momento feliz da visão etérica, a ver na Brasileira do Rossio, de manhã, as costelas de um indivíduo através do fato e da pele.» O Café Nicola será o último sobrevivente dos cafés do Rossio do tempo de Fernando Pessoa. O único que permanecerá aberto até ao final do século XX e até ao final do milénio. »

MARINA TAVARES DIAS

Excerto de LISBOA NOS PASSOS DE PESSOA

Fotografia:

Travessa do Café Martinho

ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lisboa de Fernando Pessoa

Rua Pascoal de Melo (c. 1910). Percurso terceiro,
em LISBOA NOS PASSOS DE FERNANDO PESSOA,
de MARINA TAVARES DIAS. Editora Objectiva, 2012.

domingo, 27 de janeiro de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

LISBOA DESAPARECIDA - volume II

GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO
em
LISBOA DESAPARECIDA,
de
Marina Tavares Dias,
volume II.
O Palácio Barcelinhos, onde estavam instalados os Grandes Armazéns do Chiado. Este local correspondia à antiga igreja do Convento do Espírito Santo da Pedreira. O interior do edifício ficou reduzido a cinzas durante o incêndio do dia 25 de Agosto de 1988.

domingo, 17 de abril de 2011

ARDINA LISBOETA, c. 1900

Ardina lisboeta.
Postal ilustrado litografado, c. 1906
(Lisboa Desaparecida,
volume III, capítulo Costumes)

domingo, 6 de junho de 2010

TERREIRO DO PAÇO (EM VIDRO)


TERREIRO DO PAÇO.
Arco da Rua Augusta ainda sem o grupo escultórico que o remata.
(Vidro para lanterna mágica, início do último quartel do século XIX. Origem: França)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Do Passeio Público à Avenida da Liberdade

O Passeio Público, demolido entre 1879 e 1886, para construção da Avenida da Liberdade. Correspondia ao troço entre a Praça dos Restauradores e a Rua das Pretas. No topo do Passeio existia uma praça hoje desaparecida: a Praça da Alegria (de Baixo). À antiga Praça da Alegria de Cima chama-se, agora, apenas Praça da Alegria. No local da fonte representada pela gravura está o monumento aos Restauradores.


Lisboa Desaparecida, volume I, de Marina Tavares Dias. 1987.