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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Rainha D. Estefânia




A 8 de Julho de 1857, dia de Corpus Chisti, Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen terá decidido que casaria com o rei de Portugal. A ideia parece ter partido – e as Memórias do conde de Lavradio apontam nesse sentido – , mais uma vez, do príncipe Alberto de Inglaterra. [.../...] D. Estefânia parecia ser a única princesa católica à altura [...], proveniente de uma casa liberal, habituada como estava a um estilo de vida simples e conhecida que era a sua vocação para o estudo e para a caridade. A fama das virtudes do jovem monarca português [D. Pedro V] chegara [...] a Dusseldorf, sobretudo após a sua arriscada permanência em Lisboa durante o surto de cólera que [...] assolara a capital. [.../...] 
Os pais da princesa, concedendo-lhe opção sobre o assunto [...], não deixaram contudo de regozijar-se pelo pedido da sua mão.

Excertos de 
«D. Estefânia, 
uma Rainha, um Hospital e um Bairro de Lisboa»
em
Lisboa Desaparecida
volume VII
de
Marina Tavares Dias

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A chegada da Rainha, 1858

Marina Tavares Dias
em
Lisboa Desaparecida, volume VII:

«Há uma lenda antiga no Hospital de D. Estefânia: pela calada da noite, com passos não muito leves, a jovem rainha costuma voltar e rever-se na sua obra. Sabem-na protectora dos pobres e das crianças, e atribuem-lhe curas estranhas para casos quase perdidos. Fenómenos cuja vertente sobrenatural é negada por muitos, mas que por muito poucos são considerados simples coincidências. D. Estefânia, calma e breve, foi uma das rainhas mais queridas pelos lisboetas do seu tempo. A sua sombra estende o nome por todo um bairro da capital, construído à volta do hospital pediátrico com que sonhou.»
(continua no livro)
Nas imagens:
Arcos montados no início e no final da Rua do Ouro para celebração do casamento real, em Maio de 1858. Em «Archivo Pittoresco».
Fotografia de Václav Cifka. Rossio com monumento provisório representando Himeneu. Gravura a partir do mesmo tema.






A Rainha D. Estefânia e o seu Hospital

Marina Tavares Dias
em
Lisboa Desaparecida, volume VII
sobre a Rainha D. 
Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen:


«No ano em que D. Estefânia chegou a Lisboa (1858), os terrenos onde seria construído o hospital pertenciam à velha Quinta da Bemposta. A sua ideia de prover a cidade de um hospital pediátrico foi rapidamente acarinhada pelo marido, D. Pedro V, que pediu ao Príncipe Alberto, marido da Rainha Vitória, um plano traçado por arquitectos ingleses, correspondendo ao que de mais moderno se construía na Europa desse tempo. Mortos prematuramente D. Estefânia e D. Pedro V, foi já no reinado do irmão deste último, D. Luís, que decorreu a inauguração. Estefânia não chegou a ver o seu sonho materializado, mas soube-o em marcha.» [...]


(continua no livro)





domingo, 10 de agosto de 2014

O REI D: PEDRO V

MARINA TAVARES DIAS:

«D. Pedro V, coroado aos 18 anos logo no início da segunda metade de Oitocentos (1855), é uma das primeiras consciências oitocentistas viradas para o futuro que parece improvável, num país de caciques e de analfabetos.

A Guerra Civil terminara há pouco mais de 20 anos, viviam em Portugal continental três milhões e meio de habitantes, a Regeneração (introdutora do capitalismo em Portugal, segundo Oliveira Martins) ganhara forma em 1851. O cabralismo estava derrotado, dando início ao interminável rotativismo. Alexandre Herculano era o intelectual mais admirado, contando D. Pedro V entre os amigos mais próximos. Tal como no Rei, adivinha-se-lhe descrença total na nova classe política.

O país vai tornar-se capitalista à custa do capital estrangeiro (sobretudo inglês, francês ou «brasileiro de torna-viagem»). Apesar dos arremedos da geração do Duque de Saldanha, cessam antigas conspirações, com a estabilidade finalmente abrindo caminho para novos projectos económicos e novas concepções urbanas. Em Lisboa, a segunda metade de Oitocentos marcará a feição definitiva da cidade, com expansão dos eixos viários para Norte, fugindo do rio, como sabiamente se intuíra desde o terramoto – e maremoto – de 1755. »

(continua no livro)






Imagens: 
D. Pedro V fotografado por Mayer & Pierson durante a sua estadia em Inglaterra. 
Gravura a partir de fotgrafia da mesma sessão.
D. Pedro V fotografado por Václav Cifka.
D. Pedro V e D. Estefânia no verso da antiga nota de mil escudos, com alusão à inauguração da linha férrea.

sábado, 17 de maio de 2014

STEPHANIE, STEPHANIA, ESTEFÂNIA





O capítulo preferido pela autora da LISBOA DESAPARECIDA. Marina Tavares Dias dedicou uma densa investigação, de mais de 15 anos, ao estudo de todos os documentos relacionados com esta Rainha, tão diferente de todas as outras Rainhas, em qualquer época ou parte do mundo.
Esperamos que publique a biografia, anunciada desde 2002. Ou nunca se fará luz sobre as mentiras históricas instituídas há mais de um século. Mentiras não só sobre a Rainha D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen.
FORÇA! Amanhã é sempre um bom dia para recomeçar!

MARINA TAVARES DIAS 
EM 
LISBOA DESAPARECIDA VII (2001):

«[...] Da primeira vez que entrara, a aia que a acompanhava sentira-se mal[ ...], desculpando-se que a crinolina do vestido não passava porta tão estreita. Estefânia dobrou a sua própria crinolina em duas, seguindo decidida até à escada [...] que conduzia ao quarto [...] da doente. Fazia sempre as camas e batia os colchões de palha, aparentemente sem medo de contrair [...] maleitas, numa época anterior à penicilina, em que a exposição a ambiente insalubre representava perigo hoje impensável [...]

Quando o pai das crianças sofreu um acidente grave que o incapacitou de trabalhar, [...] passou a visitá-los duas vezes por dia, levando sempre consigo almoço e jantar para 12 pessoas. » [CONTINUA NO LIVRO]

segunda-feira, 12 de maio de 2014

PEDRO e STEPHANIE



LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS


biografia da Rainha D. Estefânia
volme VII


«[---]
A 8 de Julho de 1857, dia de Corpus Chisti, Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen terá decidido que casaria com o rei de Portugal. A ideia parece ter partido – e as «Memórias» do conde de Lavradio apontam nesse sentido – , mais uma vez, do príncipe Alberto de Inglaterra.


Após exame minucioso de todas as hipóteses alternativas na escolha de uma futura rainha para Portugal, Alberto informara Pedro de que Estefânia parecia ser a única princesa católica à altura de tal missão, proveniente como era de uma casa liberal, habituada como estava a um estilo de vida simples e conhecida que era a sua vocação para o estudo e para a caridade.


A fama das virtudes do jovem monarca português chegara, por sua vez, a Dusseldorf, sobretudo após a sua heróica permanência em Lisboa durante o surto de cólera que, em 1856, assolara a capital. O regime político português, minado pela incerteza e pela corrupção, tornava ainda mais louvável, aos olhos da Europa, o jovem monarca que, pela sua cultura e seriedade, era considerado um dos mais dotados soberanos do seu tempo.»

sábado, 3 de maio de 2014

LISBOA, 1860

«Claro que a mediocridade impera, qual maldição, e de lés-a-lés, na política. [...]

D. Pedro V, consciente do que pode esperar do Governo, interroga: “Dorme o país, ou está ele morto?” Nas suas cartas pessoais para o Conde de Lavradio queixa-se da “suicida indisciplina da Câmara dos Pares”, da “indolência amável e inofensiva” dos ministérios, da falta de recursos do exército, da imoralidade dos partidos. Portugal está em marcha para um século XX com arremedos medievais. 
[.../...]
D. Pedro V morrerá logo em 1861, deixando vago um trono que durante o reinado do irmão, D. Luís, vai já prenunciar a queda da Monarquia. No início da segunda metade do século XIX, Lisboa dormita, pois, após décadas de convulsões.»

Excerto de crónica de MARINA TAVARES DIAS
(Janeiro de 2010)


D. Pedro V, o Rei liberal por excelência,
cultíssimo e possuidor de inexcedível
rectidão de carácter. A sua morte 
prematura vai deixar Portugal orfão de 
muito mais que um monarca.
(fotografias de Francisco Gomes. 1861)

domingo, 1 de dezembro de 2013

D. PEDRO V e a homenagem do Campo Grande

[…/…] (o) Asilo D. Pedro V, situado no topo nordeste, com o actual número 380. Foi concluído e inaugurado em 1857, erguido por subscrição pública para celebrar a aclamação do jovem rei e desde logo destinado a socorrer e instruir a infância desvalida de Lisboa, iniciativa que contou com o caloroso apoio do monarca. As obras, iniciadas a 10 de Maio de 1856 segundo o traço de Aquiles Rambois e José Cinatti, duraram pouco mais de um ano, tendo a inauguração, feita pelo próprio D. Pedro V, decorrido no dia 18 de Outubro de 1857. Albergava inicialmente 20 crianças, número em breve multiplicado, pois três anos volvidos era já de 81 raparigas e 39 rapazes. […/…]

[…/…] A escritura de venda, datada de 27 de Dezembro de 1990, refere um valor de 1,728 milhões de contos. Seria posteriormente revendido e, em 1999, demolido na íntegra. (…) Ao centro do [novo] conjunto, nova construção que reproduz as características exteriores do velho imóvel (…).

MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA

(capítulo O Campo Grande; texto completo no volume VIII)




domingo, 29 de maio de 2011

Hospital de D. Estefânia


Começou o «abate» do
Hospital de D. Estefânia.

Nestas coisas de destruição da cidade, já pouco me revolta. Este triplo atentado (histórico, patrimonial e ao bem da comunidade) faz-me abrir uma excepção.

Em 2009, fiz uma página no Facebook para defender a obra da Rainha D. Estefânia (Hospital de D. Estefânia: Nós estamos contra o encerramento»). Duvido que consigamos seja o que for, contra especuladores e PPPs. Mas é obrigação de todos os lisboetas não deixar morrer o assunto.

Este atentado é a coisa mais grave que se programa contra a nossa cidade e as futuras gerações aqui nascidas. Mesmo eu, habituada a toda a espécie de destruição do património, não consigo deixar de ficar pasmada. E já repararam na política de silêncio do Ministério da Saúde (cujas «fontes» nada mandam para os jornais)?

Já repararam no verdadeiro atestado de incompetência que isso representa? - Neste assunto de alienação de património, e mesmo que implique maltratar a saúde das nossas crianças, o MS nem sequer é ouvido ou achado. Valores mais altos...

Começou o abate do Hospital, com a decisão inacreditável de encerrar o bloco de partos a 6 de Junho de 2011. Edifício modelo, com obras de pouco mais de uma década e funcionamento considerado exemplar em termos técnicos e humanos. A partir de Junho, uma criança que nasça doente na Maternidade Alfredo da Costa é separada da mãe, para ir para o Hospital de D. Estefânia. Pareceria anedota, se não fosse aquilo que é.


MARINA TAVARES DIAS