Mostrar mensagens com a etiqueta olisipógrafos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta olisipógrafos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O HOSPITAL DA RAINHA D. ESTEFÂNIA

A ideia de construir em Lisboa um hospital destinado exclusivamente a crianças nasceu da Rainha D. Estefânia, mulher de D. Pedro V. A jovem princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, nascida em Düsseldorf a 15 de Julho de 1837, chegou a Lisboa no dia 17 de Maio de 1858.

Pouco depois do casamento, Estefânia visitou os hospitais de Lisboa e ficou impressionada com as condições em que eram tratadas as crianças, internadas juntamente com os adultos e sem instalações minimamente confortáveis. Decidiu então destinar uma parte muito considerável do seu dote de casamento à criação do primeiro hospital pediátrico moderno em Portugal.

Não chegou a ver realizado o projecto, pois morreu em Lisboa a 17 de Julho de 1859, com apenas 22 anos e pouco mais de um de casamento. D. Pedro V resolveu cumprir o desejo da mulher. Para construção do hospital cedeu terrenos pertencentes à Quinta da Bemposta, propriedade da Casa Real, e procurou que o novo estabelecimento fosse concebido segundo os modelos hospitalares mais avançados da Europa.

O projecto foi confiado ao arquitecto Albert Jenkins Humbert, que trabalhara para a família real britânica e fora recomendado ao rei pelo príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. A primeira pedra foi lançada por D. Pedro V em 3 de Julho de 1860. Também ele não assistiria à conclusão da obra: morreu de febre tifóide em 11 de Novembro de 1861, aos 24 anos.

A construção prosseguiu durante o reinado do seu irmão, D. Luís I. O hospital foi finalmente inaugurado em 17 de Julho de 1877, precisamente no aniversário da morte da rainha, e recebeu o nome de Hospital de Dona Estefânia.

Quase vinte anos tinham passado desde que a jovem rainha visitara as enfermarias miseráveis de Lisboa. O hospital que imaginara tornou-se uma instituição pioneira da pediatria portuguesa e, sobretudo, o monumento mais duradouro de um reinado extraordinariamente breve.

Marina Tavares Dias, 
'Lisboa Desaparecida', volume VII (2001)





Hospital deD. Estefânia
Na década de 1920
(fotografia de Ferreira da Cunha)

D. Estefânia e D. Pedro V. 
Pormenor de montgem fotográfica
(1859)

Princesa Estefânia de
Hohenzollern-Sigmaringen
fotografada em Düsseldorf 
(1857)






 

domingo, 25 de outubro de 2015

Alvalade




Excerto de:

LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS


O plano de urbanização do Sítio de Alvalade, futuro bairro do mesmo nome, compreendia a área trapesoidal de cerca de 230 hectares limitada a norte pela Avenida do Brasil (denominada Alferes Malheiro na década de 40), a nascente pela futura Avenida do Aeroporto, a sul pelos terrenos confinantes com a Avenida Almirante Reis e a poente pelo Campo Grande e pela antiga Estrada de Entrecampos. O novo bairro, planeado no final da década de 30 e inaugurado na segunda metade da de 40, pretendia-se estampa ideal da nova cidade. O projecto é do primeiro urbanista português diplomado em Paris: Faria da Costa.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O CONVENTO DA ESPERANÇA

MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
volume IV

[...] Após extinção das ordens religiosas, em 1834, o Convento da Esperança continuou activo. Por morte da última freira - Soror Joaquina Cândida de Jesus -, em 1881, decidiu a Direcção Geral dos Próprios Nacionais que se procedesse a inventário do convento (avaliado em 45 contos de réis) e casas anexas, agora pertença do Estado. Em Novembro, celebrou-se um contrato entre o Governo e a Câmara, determinando demolição parcial e abertura, no mesmo sítio, de uma nova avenida [hoje Avenida D.Carlos].

Quadros e outras obras de arte seriam entregues ao Museu Nacional de Arte Antiga, enquanto a livraria transitou, praticamente intacta, para a Biblioteca Nacional. O livro da fundação do convento ainda ali se encontra, na secção de Reservados. Muitos dos painéis de azulejo acabaram por ser repostos no quartel de bombeiros que hoje ocupa parte da área do mosteiro. Quanto ao orgão, foi doado à Igreja de Santos-o-Velho.

(continua no livro)





quarta-feira, 15 de abril de 2015

O CHIADO DE MESTRE HORÁCIO NOVAES




As fotografias do Chiado de Mestre Horácio Novaes aparecem cheias de gente porque são tiradas para a reportagem da visita às quatro (havia uma quinta na Rua Nova do Almada) igrejas do Chiado, na Páscoa.

As identificações e datas (esta é de 1943) apontadas por MARINA TAVARES DIAS nos dossiers dos estúdios de Horácio Novaes desapareceram após a morte do seu assistente, António Lanceiro, com a venda ou cedência dos negativos a uma instituição que preservou apenas os negativos.


Apenas mais duas 
de tantas possíveis insistências:



Esta série fotográfica não representa um cortejo das celebrações dos centenários no âmbito da Exposição do Mundo Português de 1940. Trata-se da encenação de Leitão de Barros conhecida por Cortejo Histórico, celebrando a reconquista de Lisboa. A data é 1947.






As imagens com os principais grandes cinemas da Lisboa da
década de 1950 não se destinavam a reportagem
sobre os mesmos. Foi uma encomenda da firma Phillips,
que fornecia a iluminação de interiores e de fachadas


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FERNANDA

MARINA TAVARES em LISBOA DESAPARECIDA:

«Particularmente agreste a tratar as mulheres, a má-língua popular celebrizou algumas por muito pouca coisa: a Libânia das Sinas, porque vendia as ditas numa caixinha de pau, ou a Madame Rebolona, porque tinha o costume de passar o dia a ler nos jardins. Poucas conheciam o proveito da fama que lhes era imposta. A sua única diferença era, muitas vezes, uma liberdade menos vigiada, na época em que - como dizia o «Pinheiro Maluco» (figura popular em 1920) - as mulheres se queriam em casa a coser meias. Mas houve quem tivesse vivido à altura do seu mito. Essa assombrosa mulher usava o pseudónimo de Preta Fernanda.»
Nascida em Cabo Verde, na ilha de S. Tiago, em Maio de 1859, Fernanda do Vale recebeu baptismo bem diferente do seu posterior "pseudónimo literário" [.../...].

A sua história completa está contada no volume III 
da LISBOA DESAPARECIDA
de MARINA TAVARES DIAS


Preta Fernanda, toureira 
(aguarela da Alberto de Souza, 1912) 






terça-feira, 2 de dezembro de 2014

LISBOA DAS SETE COLINAS

«Lisboa, Augusta emula de Roma», com sete colinas veras ou ligeiramente pinceladas pela imaginação de historiadores e poetas. Assim será sempre, apesar das muralhas terem desaparecido, de novos eixos terem apontado em direcção ao norte, a ocidente e a oriente. Em vão se crismam novos horizontes, mas a cidade antiga prevalece e ninguém assimila qualquer outra suburbana «alta de Lisboa». O rigor orográfico nem sempre terá sido assegurado, mas no que diz respeito a Lisboa ser a cidade das sete colinas, estamos conversados. Sê-lo-á sempre. É desta majestosa desmaterialização que se fazem as lendas. O resto é apenas terra batida, onde as gerações vão construindo e o tempo vai destruindo. Sucessivamente.

Marina Tavares Dias
in 
Lisboa Desaparecida
volume IX
Capítulo 
Lisboa das Sete Colinas




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

OS CAFÉS QUE FIZERAM HISTÓRIA DA CIDADE

Marina Tavares Dias em
prefácio de
OS CAFÉS DE LISBOA:

«Não há futuro sem memória. Por isso os antigos chamaram à Memória a mãe de todas as musas. O espaço cercado das cidades actuais, na sua azáfama diária, no seu trânsito caótico, nos seus eixos projectados para a periferia, parece ter consumido, portas dentro, os próprios ecos do passado recente. E os cenários antigos, agora justapostos aos novos hábitos e às novas concepções de espaço, terão perdido o rosto e a forma perceptíveis e primordiais. Ao olharmos para uma fotografia antiga do interior de um café, dos pormenores da sua fachada ou da sua frequência, pouco ou nada saberemos ver do que realmente lá esteve. Essa imagem enganadora está longe de valer as tais mil palavras. Atesta um aspecto incapaz de projectar a sua própria leitura neutra pois, para lá do que ali vemos, existe o que aquilo foi. Num tempo com outras motivações, outros hábitos, outros contextos estéticos, a imagem que resta mostra apenas o óbvio, ou o que hoje se nos afigura como tal.» 


















sábado, 18 de outubro de 2014

A Câmara Municipal de Lisboa trata assim os olisipógrafos


Marina Tavares Dias nem um agradecimento recebeu, por 30 anos a escrever sobre a cidade. Júlio de Castilho, o seu Mestre, tem a casa onde viveu neste estado.
Património municipal!







                 
    Fotografia: FST para Arquivo Marina Tavares Dias


Júlio de Castilho, o Mestre que trouxe Marina Tavares Dias para a olisipografia, ou seja, para Historiadora de Lisboa, morreu pobre, obrigado a vender a sua própria biblioteca. Ainda assim, deixou tudo o que conseguiu preservar ao Estado: Torre do Tombo, Biblioteca Nacional, etc. A casa, agora destruida, era o seu refúgio e a sua paixão. Aqui está o seu cantinho preferido em 1904. Agora, destruído, sem papel de parede, sem janelas, nem tecto ou telhado. Casa pertencente à CML! Ou, ainda mais grave, pela Câmara vendida há pouco tempo, e pela calada.




 Fotografia: FST 
para Arquivo Marina Tavares Dias


terça-feira, 22 de julho de 2014

Estrada de Palhavã

MARINA TAVARES DIAS EM PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA: 




Estrada de Palhavã que, 
após sair deste bairro se chamaria Estrada de Benfica
 e, após as Portas de Benfica,
 se chamaria Estrada de Sintra. 
(postal do 
Arquivo Marina Tavares Dias)


Estrada de Palhavã (actual Rua Nicolau Bettencourt). Bilhete postal ilustrado de Paulo Guedes, c. 1904. Circulado em 1906. Neste tempo, antes de se mudar para a Quinta das Laranjeiras, estava aqui o Jardim Zoológico de Lisboa. Hoje, os mesmos terrenos albergam a Fundação Calouste Gulbenkian, depois de terem sido a primeira Feira Popular de Lisboa.


 Feira Popular em 1943, 
no mesmo local onde estaria até 1956. 
Entrada pelo lado da Avenida Duque de Ávila, 
antiga circunvalação de Lisboa
(fotgrafia ACML)

domingo, 20 de julho de 2014

PARA UMA HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA EM PORTUGAL

MARINA TAVARES DIAS
em LISBOA DESAPARECIDA, 
volume VII, capítulo sobre
RETRATISTAS DO SÉCULO XIX

«A história dos estúdios fotográficos lisboetas está por fazer. Apesar de lhes devermos as imagens que, durante século e meio, adornaram paredes e atenuaram distâncias, ninguém se lembrou de registar a maior parte desses nomes e dessas moradas. Actualmente, após o desaparecimento de todos os ateliers de retrato que marcaram uma era na cidade, torna-se difícil recuperar a obra e a memória de quem fixou para o futuro o rosto e a pose dos lisboetas de antanho. Resta uma parcela ínfima de cada obra, hoje dispersa por arquivos, alfarrabistas, museus e álbuns de família.

As casas fecharam, os prédios foram remodelados ou demolidos, os espólios foram desbaratados. Fotografias identificadas pelo cartão em que foram montadas transmitem-nos, a esta distância temporal, no olhar vago dos retratados, costumes e enredos por adivinhar. As cartes de visite e os cabinets oitocentistas, tão fáceis de encontrar, por baixo preço, em caixotes de alfarrabistas, são um marco da história da fotografia e um monumento ao hábito ocidental de cultivar a imagem.

Ainda que arremetidos, pelo passar do tempo, para o anonimato, todos esses fantasmas têm uma história para contar. Ou melhor, duas: a do fotografado e a do próprio fotógrafo. Fotógrafo cujo legado ao futuro não foi aparentemente além de um amontoado de rostos e de posturas, um dia iluminados pela paradoxal subjectividade da sua objectiva. [...]»

(continua no livro)








quarta-feira, 16 de julho de 2014

REI D. CARLOS I : uma vida em datas

CRONOLOGIA
DA VIDA DO 
REI D. CARLOS

por MARINA TAVARES DIAS
em: D. Carlos (biografia)




1863

28 de Setembro: à uma e meia da tarde nasce o príncipe D. Carlos Fernando Luiz Maria Victor Miguel Raphael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão, na Sala Verde do Palácio Real da Ajuda, em Lisboa. O pai, D. Luís, foi aclamado Rei de Portugal (por morte do irmão D. Pedro V) menos de dois anos antes. A mãe, Rainha D. Maria Pia, é a filha mais nova do Rei de Itália. O médico obstreta assistente da então tradicional parteira (Narcisa) foi José Eduardo de Magalhães Coutinho.

29 de Setembro: «Te Deum» solene, na Igreja de S. Domingos, pelo nascimento do príncipe real.

19 de Outubro: O baptismo, feito no paço no dia do nascimento, é oficialmente confirmado na Igreja de S. Domingos, local onde tradicionalmente decorrem as celebrações religiosas da Família Real. A madrinha, por procuração, é a irmã da mãe: princesa Clotilde de Sabóia.



1864

11 de Fevereiro: Reconhecimento de D. Carlos como sucessor de D. Luís, em reunião das Cortes.



1865

31 de Maio: nasce o infante D. Afonso, único irmão de D. Carlos.

15 de Setembro: viaja com os pais para o Porto, para assistir à inauguração do Palácio de Cristal (demolido em 1954) e da primeira Exposição Industrial Internacional Portuguesa, congénere de outras iniciativas europeias destinadas ao desenvolvimento das indústrias e do comércio.

27 de Setembro: o infante D. Afonso é baptizado na capela da Ajuda.



1867

9 de Outubro: inauguração da Galeria de Pintura do Real Palácio da Ajuda.



1868

12 de Abril: acompanha a mãe, Rainha D. Maria Pia, na viagem a Itália para o casamento do tio, o príncipe herdeiro Humberto de Sabóia (com a princesa Margarida, filha do duque de Génova e prima de ambos).

2 de Julho: regressa, com a mãe, a Lisboa.



1869

10 de Junho: D. Fernando, avô de D. Carlos, casa com a ex-cantora de ópera Elisa Hensler, que recebeu em Coburgo o título de condessa de Edla.

31 de Outubro: o Rei D. Luís redige testamento.



1870

17 de Abril: um grande ciclone varre Lisboa, sendo particularmente sentido no bairro da Ajuda.

16 de Novembro: o príncipe D. Carlos inicia os estudos primários, com o professor Júlio Joubert Chaves.



1871

12 de Julho: chega a Portugal o Imperador D. Pedro II do Brasil, tio-avô de D. Carlos.





1872

25 de Junho: visita o Porto na companhia dos pais.

5 de Outubro: começa a receber aulas sobre as «leis do Estado» com o conselheiro Martens Ferrão.

Novembro: participa nas suas primeiras caçadas reais, com uma pequena espingarda oferecida pelo pai.



1873

26 de Janeiro: morre a Imperatriz D. Amélia, segunda mulher de D. Pedro IV, bisavô de D. Carlos.

2 de Outubro: D. Carlos e o irmão, D. Afonso, estão prestes a afogar-se numa zona da Boca do Inferno, em Cascais, conhecida por Mexilhoeiro, sendo salvos pela mãe e pelo faroleiro António de Almeida Neves.



1875

22 de Abril: morre a Infanta D. Isabel Maria, ex-regente do Reino, filha de D. João VI e tia-bisavó de D. Carlos.



1877

15 de Abril: faz a primeira comunhão.



1878

9 de Janeiro: em Itália, assiste com a mãe ao funeral do avô, o Rei Vítor Manuel II, primeiro soberano da Itália unificada.

14 de Março: na sessão especial das Cortes, em S. Bento, faz juramento como herdeiro presuntivo da coroa.

28 de Setembro: é nomeado alferes de Lanceiros, pelo pai, o Rei D. Luís. Recebe o seu primeiro barco, o Nautilus. Nesta noite, é oficialmente inaugurada a electricidade em Portugal, em candeeiros públicos dispostos na Parada de Cascais.





1879

2 de Junho: início da visita a Portugal pelos príncipes Rodolfo e Leopoldo da Áustria.

24 de Agosto: data oficial (inexacta na prática) do início da demolição do Passeio Público de Lisboa, jardim frequentado pela realeza e nobreza lisboetas desde o tempo de D. Maria II. No seu lugar, nascerá a futura Avenida da Liberdade.



1880

10 de Junho: assiste, com os pais, ao cortejo histórico que assinala o centenário de Camões. Neste dia é inaugurado, em Lisboa, o Atheneu Comercial.



1881

21 de Novembro: início da visita a Lisboa da princesa imperial do Brasil, primogénita do Imperador D. Pedro II.

24 de Novembro: parte, com a família, para mais uma visita ao Porto.



1882

26 de Março: D. Carlos assume o seu lugar no Conselho de Estado.



1883

22 de Maio: pela primeira vez, é jurado regente do reino, assumindo-se como tal durante uma viagem dos pais a Espanha.

2 de Junho: parte em viagem pela Europa, acompanhado de Martens Ferrão e António Augusto de Aguiar.



1884

5 de Fevereiro: morre a sua tia Maria Ana (casada com o príncipe Jorge, futuro rei de Saxe).

28 de Setembro: por sua maioridade, recebe a administração da Casa de Bragança, único morgadio ainda permitido em Portugal. D. Luís e D. Maria Pia começam a sondar as casas reais europeias, em busca de uma princesa para noiva do filho.

16 de Novembro: a Infanta D. Antónia, tia de D. Carlos, comunica não oficialmente ao irmão (D. Luís) a recusa duma proposta de casamento entre D. Carlos e a princesa alemã Victoria, irmã do futuro Kaiser Guilherme II. A mãe desta, filha mais velha da Rainha Vitória de Inglaterra, justifica-se com o facto de a família imperial alemã professar o protestantismo. D. Antónia sugere, como alternativa, «a Paris, pois é deveras uma rapariga muito galante» (refere-se à filha dos condes de Paris, futura noiva de D. Carlos que, aparentemente, aceita à partida a sugestão da tia).





1885

20 de Setembro: participa, com o Rei D. Luís, nas grandes manifestações lisboetas aos exploradores Capelo e Ivens.

15 de Dezembro: morre, no Palácio das Necessidades, o Rei D. Fernando, viúvo de D. Maria II e avô de D. Carlos.





1886

17 de Janeiro: parte para França, onde conhecerá pessoalmente a princesa Amélia de Orleães, filha dos condes de Paris

6 de Fevereiro: pedido oficial da mão da princesa D. Amélia.

7 de Fevereiro: ceia de gala no palácio dos condes de Paris, celebrando o noivado.

22 de Fevereiro: parte com a família da noiva para Cannes, onde fica até 5 de Maio.

20 de Maio: D. Amélia chega a Lisboa, desembarcando em Santa Apolónia.

22 de Maio: casamento, na igreja de S. Domingos, de D. Carlos com a princesa D. Amélia de Orleães.

22 de Junho: decreto do parlamento francês, expulsando de França todos os descendentes de famílias reais outrora reinantes no país. A decisão incliu os pais da Rainha D. Amélia e aparece ligada aos excessivos festejos do casamento desta com o príncipe real português.



1887

12 de Janeiro: início da visita do pai de D. Amélia, o conde de Paris, a Portugal.

21 de Março: nascimento do primeiro filho de D. Carlos e D. Amélia, duques de Bragança, o príncipe D. Luís Filipe.

27 de Março de 1887: chegada da Infanta D. Antónia, tia de D. Carlos, a Lisboa. É a sua primeira visita desde que, em 1861, embarcou na corveta Bartolomeu Dias com o marido, príncipe Leopoldo de Hohenzollern, rumo a Sigmaringen.

11 de Junho: D. Carlos e D. Amélia embarcam para Inglaterra, onde assistirão às celebrações do jubileu de ouro da Rainha Vitória.

14 de Dezembro: nasce, no Paço de Vila Viçosa, a infanta D. Maria, filha de D. Carlos e de D. Amélia. Morre duas horas após o parto.

17 de Dezembro: cerimónias fúnebres pela infanta D. Maria, no panteão real, em S. Vicente de Fora.





1888

1 de Janeiro: ausência do Rei D. Luís no acto solene de abertura das cortes, por motivo de doença.

25 de Março: a Rainha D. Maria Pia viaja para o Porto, para apoiar as famílias das vítimas do incêndio do Teatro Baquet, ocorrido cinco dias antes.

13 de Maio: início da visita do Rei Óscar II da Suécia.

10 de Junho: D. Carlos obtém quatro menções honrosas pelo gado apresentado na Exposição Pecuária Nacional de Lisboa, na Rotunda da Avenida da Liberdade.

30 de Julho: D. Carlos é jurado regente, enquanto seu pai se ausenta para uma cura termal na Áustria.





1889

3 de Janeiro: D. Carlos e D. Amélia visitam os pais desta, exilados em Espanha.

11 de Maio: o Rei D. Luís condecora D. Carlos como Cavaleiro da ordem Militar de S. Bento de Aviz.

19 de Agosto/17 de Setembro: D. Carlos visita Itália e Paris.

26 de Setembro: morre, no Palácio das Necessidades, o infante D. Augusto, irmão do Rei D. Luís e tio de D. Carlos.

19 de Outubro: o Rei D. Luís morre aos 50 anos, após longa e dolorosa agonia, na cidadela de Cascais.

15 de Novembro: nascimento do terceiro filho de D. Carlos e D. Amélia, o futuro Rei D. Manuel II.

7 de Dezembro: chegada do Imperador D. Pedro II a Lisboa, após ter sido deposto por um golpe militar que implantou a República no Brasil.

28 de Dezembro: D. Carlos é oficialmente aclamado Rei de Portugal. 
[.../...]


 (CONTINUA NO LIVRO. EDIÇÃO
  QUIMERA, 2007/2008. Nas livrarias)

ATENÇÃO: 
SE QUER UM LIVRO, PERGUNTE POR ELE. NÃO DEIXE QUE SEJAM AS LIVRARIAS A DECIDIR O QUE DEVE LER. As livrarias só repõem os livros esgotados depois de terem vendido aqueles cujas editoras compraram destaques ou «topos de gôndola». Não espere encontrar livros bons. Espere encontrar livros muito vendidos, através da promoção e da publicidade. 
Os livros de Marina Tavares Dias podem ser boicotados, mas continuarão a vender se O LEITOR EXIGENTE os pedir e deixar de comprar nas livrarias onde os não encontra.
REMEMOS CONTRA A CORRENTE DA MAIS-VALIA DE QUEM PAGA PARA NOS TER COMO CARNEIROS. Também nos nossos hábitos de consumo. Sobretudo nos nossos hábitos de consumo. Obrigado a todos os nossos leitores fiéis.


Negativo de JOSHUA BENOLIEL, 
mostrando o Rei a rir. 
Imagem raríssima, inédita para este livro, do 
ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS






sexta-feira, 11 de julho de 2014

SANTA CATARINA: uma freguesia eliminada da toponímia

O modo como as freguesias de Lisboa foram recentemente aglutinadas, dando-se ao «bolo» nova designação conjunta, quase sempre foi aleatório e sem qualquer respeito pela História e pela cronologia olisiponense. Exemplo disso, a emblemática, imprescindível, ancestral Freguesia de Santa Catarina. 

Desaparecida.

A freguesia de Santa Catarina, autónoma desde o século XVI, possuía tradições enraizadas na noite dos tempos. Santa Catarina do Monte Sinai, ou de Alexandria, dá também nome a uma das colinas da cidade. E a um dos pontos de onde melhor e mais belamente se observa o estuário e a outra banda do Tejo: o Alto de Santa Catarina. 

O seu território [...] abrangia a encosta que desce do Príncipe Real até à antiga Boa Vista. As origens do topónimo remontam a 1218, quando D. Afonso II doou aos frades trinos, vindos de França para ajudar a combater os mouros, uma ermida, com leprosaria anexa, para os lados de S. Roque. Mais exactamente, onde hoje vemos o pátio da Cervejaria da Trindade, na Rua Nova da Trindade.

[...]



Para compreender esta enorme, crescente e espontânea influência duma devoção [...], convém que saibamos reconhecer o papel primordial de Santa Catarina de Alexandria na hagiologia europeia, nos largos anos que vão da fundação da nacionalidade até ao final do século XVIII. Para tal, teremos de deixar para trás aquilo que pertence à verdade e aquilo que pertence à lenda, entrando no domínio das escassas coisas que, pertencendo a ambas sem pertencer a nenhuma, só podem ser compreendidas ao abrigo da crença.

De acordo com a Legenda Áurea, Catarina de Alexandria era filha de um irmão do imperador Constantino, de nome Costus. 
[...]

Quando Catarina contava catorze anos, o rei seu pai morreu, deixando-lhe tudo em herança. Coroada pelos súbditos mais distintos, foram estes inquirindo que marido tomava para si, tendo em vista a desejada protecção de suas terras. Para espanto geral, a jovem soberana garantiu que pretendia governar sozinha. Um dos duques seus tios, realçando-lhe as qualidades, sugeriu que não poderiam os deuses tê-la assim beneficiado se não tivessem em vista gerações posteriores. Catarina imediatamente retorquiu que seria natural que assim fosse, caso o marido designado lhe pudesse ser igual ou superior em todas as qualidades. A mãe e os maiores do reino recuaram em desalento, pois tal coisa era impossível de se conseguir num homem que vivesse sobre a terra. [...]

Continua no livro LISBOA MISTERIOSA
de
MARINA TAVARES DIAS
(edição Objectiva, 2011)





terça-feira, 1 de julho de 2014

Glórias do PARQUE MAYER


Páginas da adenda ao capítulo sobre a história do 
PARQUE MAYER, na 
LISBOA DESAPARECIDA, 
volume 9, 
de MARINA TAVARES DIAS. 
A lista das revistas em cena até 1977, coligida pela autora.
Publicamos apenas algumas páginas dessa vasta lista; para
ver todos os anos, será preciso consulta do livro.






sexta-feira, 27 de junho de 2014

O nascimento do futebol em Portugal


A primeira fotografia de um desafio é 
anterior à instituição de redes nas balizas


 HISTÓRIA DO FUTEBOL 
de MARINA TAVARES DIAS



Escreve a autora no livro que a revela:

"O jornal quinzenal «O Sport», de breve publicação no ano de 1894, confere já grande destaque à modalidade cujo impacto público não parara de alargar-se nos últimos dois anos. Este é o primeiro título lisboeta inteiramente dedicado a temas desportivos, estando a sua fundação ligada a sócios do Real Gymnasio Club Português, entre os quais se destaca Carlos Xafredo, director da nova publicação. Utilizando um método muito em voga na época (albumina fotográfica colada ao centro da primeira página), o jornal apresenta uma das primeiras imagens de um desafio de futebol em Portugal. A legenda – na última página – refere-o nos seguintes termos:

'A photographia que acompanha o nosso primeiro número é um interessante instantâneo photographico do ‘match’ de ‘football’ que se realizou no dia 25 de Março de 1893 na Quinta Nova em Carcavellos entre o ‘team’ do C.C. [Carcavellos Club] e o do R.G.C.P. [Real Gymnasio Club Portuguez].
Este ‘match’ ficou empatado marcando cada ‘team’ um ‘goal’, e era desforra do que se tinha realizado em 8 de Dezembro de 1893 [sic] no qual o R.G.C.P. perdera por 6 ‘goals’. [...]" (continua no livro)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Fernando António


Como nasceu no dia 13 de Junho, chama-se Fernando António.
(Fernando António Nogueira Pessoa fotografado por Francisco Camacho, na Rua Nova do Almada, em 1888)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

LONGE DA GUERRA

LISBOA NOS ANOS 40 | LONGE DA GUERRA 
de 
MARINA TAVARES DIAS
Edição de 1998







Ribeirinho e Leonor Maia - a «Tatão» e o «Chico» - despedem-se à porta da Perfumaria da Moda, na Rua do Carmo. O filme é O Pai Tirano, de António Lopes Ribeiro (1941). A perfumaria ardeu totalmente em Agosto de 1988, restando a cantaria da fachada, que hoje serve de janela a uma loja Nespresso. Quebrado o letreiro de vidro pintado a ouro, ficou à vista, lavrada na pedra, a designação francesa inicial, inspirada no romance homónimo de Zola.