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sábado, 5 de setembro de 2026

LAMBERTINI NA AVENIDA DA LIBERDADE



No número 166 da Avenida da Liberdade subsiste uma das mais singulares fachadas da Lisboa do princípio do século XX. A casa foi mandada edificar por Michel Angelo Lambertini, músico, compositor, crítico, editor e comerciante de instrumentos musicais, descendente de uma família italiana estabelecida em Portugal desde 1836. Para desenhar essa residência escolheu outro italiano, o arquitecto veneziano Nicola Bigaglia, (autor do Palácio Lima Mayer, situado quase em frente).

O projecto deu entrada na CML em Agosto de 1901 e a construção prolongou-se durante três anos, obrigando Bigaglia a pedir sucessivas prorrogações da licença. Em Dezembro de 1904, Lambertini escrevia ao amigo José Relvas anunciando que a decoração estava terminada e que já podia recebê-lo naquilo a que chamava «o meu museu».

A casa foi concebida como habitação, como lugar para ouvir música, centro de convívio e exposição das colecções do proprietário. A fachada, de inspiração italiana, combina cantaria, ferro forjado, arcos, colunas e uma loggia superior, evocando simultaneamente os palácios florentinos e arquitectura veneziana. Mosaicos dourados ornamentam a grande janela do rés-do-chão. Vieram expressamente de Veneza. Em duas cartelas lê-se ainda a inscrição latina 'Domus quieta — Facultas certa': Casa tranquila, fortuna segura.

Por trás dessa janela ficava a sala de música, verdadeiro coração da morada. Decorada em estilo Luís XV, recebeu pinturas de José Malhoa alusivas a músicos consagrados. Bigaglia desenhou também a decoração interior e o mobiliário, em linhas Arte Nova. Quando a Ilustração Portugueza mostrou a casa aos leitores, em Junho de 1906, chamou-lhe «ninho de arte».

Tal felicidade doméstica durou pouco. Depois da morte da mulher (Maria Luciana Gomes) em 1914, Lambertini pôs o palacete e parte do recheio à venda. Em Dezembro de 1915, a propriedade passou para Elvira Martins Pereira de Carvalho. O seu antigo dono morreu em 1920, sem conseguir ver realizado o grande projecto a que dedicara os últimos anos: a criação do Museu Instrumental em Lisboa.

Comprada em 1939 pelo Grémio dos Importadores e Armazenistas de Bacalhau e Arroz, a casa sofreu profundas alterações (dirigidas por Raul Tojal). Perdeu parte dos interiores, ganhou nova escada, elevador e mais um piso. Outro projecto, apresentado em 1956 (que teria destruído a fachada), foi recusado pela CML. A Lambertini sbreviveu, embora modificada. E é ainda uma vaga recordação de Veneza, bem no centro de Lisboa.












'Illustração Portugueza',
Junho de 1906



Miguel Angelo Lambertini,
proprietário da casa, editor e comerciante de
instrumentos musicais em Lisboa




segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A CASA DE SAÚDE DE BENFICA

A antiga Casa de Saúde de Benfica, cuja designação oficial era Portugal e Brasil, estava instalada numa zona ainda rural, então designada Bairro Herédia. O local é hoje ocupado pelo Hospital da Cruz Vermelha (actual Rua Duarte Galvão). O primeiro postal ilustrado, de 1910, circulou em 1911. O segundo, mostrando as instalações ampliadas, circulou em 1921. Na fotografia vê-se a fachada voltada para o parque, com galerias e terraços destinados à permanência dos doentes. São inúmeras as referências a internamentos e intervenções cirúrgicas aqui, na imprensa das décadas de 1910 a 1930.

A 30 de Novembro de 1961, o ministro das Obras Públicas, Eduardo de Arantes e Oliveira, visitou as obras de adaptação do edifício para o futuro Hospital de Santo António da Convalescença (Cruz Vermelha Portuguesa). O Hospital da Cruz Vermelha seria inaugurado a 1 de Fevereiro de 1965 e profundamente remodelado em 1998. Este antigo edifício, sucessivamente ampliado e transformado, ficou integrado no actual complexo de saúde, perdendo de todo a fisionomia aqui documentada.






Bilhetes-postais ilustrados da Casa de Saúde de Benfica.
Edição própria. Memorabilia/Arquivo MTD



Publicidade de 1910








quinta-feira, 27 de agosto de 2026

CASA AFRICANA

Durante mais de um século, vendiam-se ali tecidos, vestidos casacos, camisas, atoalhados, batas de escola e de serviço… em suma, vendia-se de tudo. Vendiam-se também pedaços da vida lisboeta. A minha tia Luiza costumava dizer que, aos quinze anos, foi à Casa Africana comprar um casaco e acabou por ‘comprar’ o marido, que também andava às compras por lá. Setenta anos depois, guardei um casaco da Relicário apenas porque a loja fechou. Entre um casaco e outro,  passaram gerações da mesma família. É por isso que o desaparecimento de uma loja nunca é só o desaparecimento de uma coisa comercial. É por isso que fotografo ‘tudo’. Mesmo assim, cada fotografia mostra um lugar e também a ausência de todos aqueles que nunca cheguei a fotografar, precisamente porque pareciam ‘eternos’. 


A Casa Africana foi fundada em 1872 pela firma Raymundo Seixas & Fonseca, estabelecendo-se na Rua da Vitória (números 33 a 37). Pouco depois, alargou actividade à Rua Augusta (154 e 156), no edifício onde mais tarde se instalaria a Rosado & Pires. A empresa passou pelas firmas Loureiro & Paes e Loureiro, Rumina & Azevedo. 


Em 1901, foi adquirida por Manuel Freire da Cruz. Transferiu-se para o grande edifício da Rua Augusta (157 a 171), com frentes também para a Rua da Vitória (66 a 80), e Rua dos Sapateiros, (98 a 104). Ocupava inicialmente o rés-do-chão mas após longas obras de adaptação, expandiu secções por todos os andares do imóvel. Em 1911, com a saída do sócio José Mendes Cogumbreiro, a firma passou a designar-se Freire da Cruz & C.ª, Lda. Prosseguiu em expansão, com a abertura de uma filial no Porto, em 1914, na Rua de Sá da Bandeira. Manuel Freire da Cruz retirou-se da gerência em 1942, sucedendo-lhe o filho. No ano seguinte, entrou para a administração Racine Freire da Cruz. 


A empresa era sólida e vestia meia Lisboa das décadas de 50, 60 e 70. No último andar,  compravam-se as batas escolares. Entre elas, a do meu colégio, de bolinhas brancas sobre azul, sempre fabricada por encomenda. 


O carregador de embrulhos que ajudava os clientes mais frequentes era famoso desde os anos 20. Durante sete décadas, quando alguém era sobrecarregado de trabalho ou de embrulhos, dizia: 'Olha que eu não sou o preto da Casa Africana!' A expressão, que ainda aparece, sobreviveu à própria loja.


Nas últimas décadas do século XX, a Casa Africana manteve-se como referência do comércio tradicional lisboeta, continuando a atrair sucessivas gerações de clientes. As listas comerciais da Câmara Municipal de Lisboa registam-na em 1995. No levantamento de 1998, o mesmo edifício surge identificado como Naf Naf (loja francesa cuja presença estava a impor-se, nesse ano, na praça  lisboeta). A transição ocorreu entre essas duas datas, embora testemunho de antigos funcionários apontem para actividade ainda em 1999. 


Em 2000 o imóvel já não apresenta qualquer estabelecimento registado, encontrando-se provavelmente em remodelação. Em 2002 passou a Zara, que aí permaneceu até à abertura da mega-loja que agora ocupa todo um quarteirão do Rossio.



Marina Tavares Dias 






O símbolo da Casa Africana, 
célebre em Lisboa durante
décadas, na calçada do
passeio da Rua Augusta 

Interior do
primeiro andar

Vista nocturna
(Fotografia de H.Novaes)

Publicidade
do século XIX 

Cartaz da primeira 
década de 1900

Publicidade na contracapa
da 'Illustração Portugueza'

Papel de um embrulho
da década de 60




Anúncio numa parede 
do Porto 

Postal com logótipo da casa

Vitral da loja da Rua Augusta 

Em 1989 dirigi um suplemento 
no DIÁRIO DE LISBOA 
sobre as lojas históricas. 
A Casa Africana publicou
um anúncio de 1989
para comparação 
com o que eu escolhera,
então com mais de 80 anos


O último casaco 
comprado na Casa Africana 



















sábado, 8 de agosto de 2026

DOIS LEÕES E UMA CONFUSÃO

 «Depois veio a vida. Nessa noite levaram-me a cear ao Leão. Tenho ainda a memória dos bifes no paladar da saudade — bifes, sei ou suponho, como hoje ninguém faz ou eu não como.»

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

«Lembro-me tanto de certo jantar no Leão d'Ouro… numa noite chuvosa de Dezembro… Acompanhavam-me dois actores e um dramaturgo.»

Mário de Sá-Carneiro, A Confissão de Lúcio

«A Cervejaria Leão (1878), representada no quadro de Columbano, fechou em 1938 e reabriu em 1945 como Café-Restaurante Restauração [...]»

A frase vem no Expresso desta semana e coincide com a velha confusão lisboeta entre dois estabelecimentos com nomes semelhantes e destinos diferentes. A Cervejaria Leão, aberta em 1878, foi efectivamente encerrada em 1938 e deu lugar, em 1945, ao Café-Restaurante Restauração. Mas não era o restaurante do célebre quadro de Columbano. O Grupo do Leão foi pintado para decorar o vizinho Leão d’Ouro, inaugurado em 16 de Abril de 1885. Entre uma porta e a outra vão poucos metros. Historicamente, porém, vão duas casas.

A história começa em Arroios. Em 1878, João Varela, António Monteiro e um terceiro sócio, referido por João Paulo Freire como França — e como Jacinto Franco numa história posterior da Central de Cervejas —, todos antigos empregados da Fábrica de Cerveja Jansen, fundaram a Fábrica de Cerveja Leão. Ficava num pátio da Rua Direita de Arroios, nos números 46-A a 50, ocupando parte do antigo palácio dos condes dos Arcos.

Foi daquela fábrica, e da cerveja ali produzida, que veio o nome da Cervejaria Leão aberta na Baixa. O estabelecimento instalou-se na Rua do Príncipe, no ângulo com o Largo do Duque de Cadaval, aproveitando uma casa anterior conhecida como Cervejaria Varella. A mais antiga referência actualmente localizada à nova Cervejaria Leão é uma folha com desenhos de Rodrigues Vieira e Moura Girão, feitos no local e datados de Setembro de 1878. Em Janeiro de 1879, o nome já aparece na imprensa.

Os artistas começaram a reunir-se ali. Entre os frequentadores estavam Silva Porto, José Malhoa, Columbano Bordalo Pinheiro, Rafael Bordalo Pinheiro, João Vaz, António Ramalho, Moura Girão, Rodrigues Vieira e Ribeiro Cristino. O criado preferido era Manuel de Vasconcelos, conhecido por Manuel Fidalgo. O grupo ficou conhecido como Grupo do Leão.

Em 1885, os sócios separaram-se. António Monteiro ficou com a antiga sala de bilhares da cervejaria e adquiriu ainda o contíguo Café Mandarim Chinês, de José Augusto Sales. João Varela continuou à frente da primitiva Cervejaria Leão, que, depois de obras e de uma nova decoração, reabriu em 14 de Fevereiro de 1885.

Dois meses depois, nasceu quase ao lado um concorrente muito mais ambicioso.

António Monteiro pensara inicialmente revestir de espelhos o novo restaurante. Segundo a história recolhida por João Paulo Freire, terá sido Manuel de Vasconcelos, que acompanhara Monteiro na mudança, a sugerir que se chamassem os artistas. Estes aceitaram decorar a casa com obras executadas expressamente para as suas paredes. Monteiro financiou o trabalho e comprou telas, tintas e molduras.

O Restaurante Leão d’Ouro foi inaugurado em 16 de Abril de 1885, já com as pinturas, o reposteiro bordado e a grande escultura do leão em madeira dourada. A imprensa fora convidada a visitar a casa na véspera. Uma gravura de Ribeiro Cristino, desenhada do natural e publicada nesse mesmo ano, mostra a sala atravessada por sucessivos arcos de cantaria, com os grandes quadros suspensos nas paredes e o público sentado às mesas.

A decoração reunia obras de Columbano Bordalo Pinheiro, José Malhoa, Silva Porto, João Vaz, Rafael Bordalo Pinheiro, Rodrigues Vieira, Moura Girão e Ribeiro Cristino. Maria Augusta Bordalo Pinheiro bordou um leão rompente num reposteiro de cor grenat; Leandro Braga esculpiu o grande Leão de Ouro colocado sobre o balcão. Columbano pintou o retrato de António Monteiro e a enorme tela do Grupo do Leão, com mais de três metros e meio de largura.

É este o quadro que o Expresso agora atribui à Cervejaria Leão de 1878. A tela foi concebida para o novo Leão d’Ouro e permaneceu nas suas paredes durante décadas. O grupo nascera na cervejaria antiga, mas mudara-se para o restaurante novo, talvez, segundo a tradição, para continuar a ser servido pelo Manuel Fidalgo.

A diferença entre as duas casas tornou-se depressa matéria de humor lisboeta. A primitiva Cervejaria Leão, mais modesta do que o brilhante vizinho, passou a ser chamada Leão Triste e também Leão Pobre. O novo restaurante era o Leão d’Ouro.

O anúncio de 1900 não deixa dúvidas quanto à localização da casa antiga. Sob a figura de um leão lê-se: «Cervejaria Leão — Café Restaurant — Rua do Príncipe, 81 a 85», tendo como proprietário João Luís Ferreira. Depois da mudança do nome da rua, em 1908, e da alteração da numeração das portas, esses números corresponderam aos actuais 103 a 107 da Rua do 1.º de Dezembro. O Leão d’Ouro histórico ocupava os actuais 95 a 99, alargando-se em 1905 às dependências vizinhas e transferindo a cozinha para o número 89.

Em 1915, António Monteiro passou o Leão d’Ouro ao genro, José da Costa. Em 1937, este tentou vender ao Estado a colecção de pintura, mas recusou uma proposta que abrangia apenas três obras. Em Fevereiro de 1939 promoveu um leilão, do qual saiu apenas o Paúl da Outra Banda, de José Malhoa, comprado por Alfredo da Silva. O restaurante foi trespassado à firma Vasques, Fortes & Domingues, proprietária do Café Suísso.

Foi a outra casa, a Cervejaria Leão de 1878, que encerrou para obras em 1938. Em 1945, o espaço dos actuais números 103 a 107 reabriu como Café Restauração, propriedade da firma Saúl, Garcia & Albuquerque, L.da. O nome aludia simultaneamente à Rua do 1.º de Dezembro e ao imaginário histórico ainda alimentado pelas comemorações de 1940.

A remodelação foi projectada pelo arquitecto Vasco Regaleira. Os painéis de azulejos foram desenhados por Jorge Colaço e executados na Fábrica de Sant’Anna. Uma reportagem de O Século Ilustrado, publicada em 23 de Junho de 1945, mostrou o novo café poucos dias depois da inauguração.

É, pois, exacta a sequência Cervejaria Leão — encerramento em 1938 — Café-Restaurante Restauração em 1945. O que não é exacto é colocar nessa sequência o quadro de Columbano e o restaurante inaugurado com a galeria de pintura em 1885. Esses pertencem ao Leão d’Ouro histórico, a segunda casa.

A confusão agravou-se no fim do século XX. O nome Leão de Ouro acabou por ser usado também no espaço da antiga Cervejaria Leão e do Café Restauração, nos números 103 a 107. Ali foram colocados uma reprodução fotográfica do quadro de Columbano e o leão de madeira esculpido por Leandro Braga, retirado da casa original. O nome e a imagem foram deslocados.

Mas os edifícios ainda contam a história. No Leão d’Ouro inaugurado em 1885 sobrevivem os grandes arcos desenhados por Ribeiro Cristino. Durante anos procurei fotografá-los. Um dia encontrei a porta aberta, com a casa fechada para obras, as paredes despidas e os arcos de cantaria novamente à vista. A fotografia coincide quase ponto por ponto com a gravura publicada no ano da inauguração.

Bastava olhar para os arcos. Em Lisboa, às vezes, as paredes são mais rigorosas do que os jornais.


Marina Tavares Dias


Notícia da inauguração do Leão d'Ouro,
em 1885
(«Diário Illustrado»)


O Leão d’Ouro no dia da inauguração, em 16 de Abril de 1885. Desenho do natural por João Ribeiro Cristino, mostrando a sucessão de arcos da sala e os quadros executados para a nova casa pelos artistas do Grupo do Leão. Esta estrutura arquitectónica sobrevive ainda no verdadeiro Leão d’Ouro, nos números 89 a 99 da rua 

Interior do Leão d'Ouro em 2020, após o último encerramento. Pode inclusivamente situar-se o local do quadro de Columbano  (à entrada, à esquerda)



Publicidade na «Revista Municipal»


Última versão do Leão d'Ouro: Buffet do Leão (2008)

O leão de metal que adornou a fachada original do número
89 foi deslocado para o restaurante do gaveto


Leão d'Ouro, aqui já como Buffet do Leão,
em 2008 (fotografia de Marina Tavares Dias)


Café Restauração, depois 
segundo Restaurante Leão d'Ouro


Pequeno vídeo de 2024 que
permite avaliar a distância
entre o Restaurante Leão d'Ouro (Buffet do Leão)
e a Cervejaria Leão (Café Restauração/novo Leão d'Ouro),
no gaveto da Rua Primeiro de Dezembro

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

DUAS PASTELARIAS CHAMADAS COLOMBO

A Pastelaria Colombo foi inaugurada a 31 de Outubro de 1935, na Avenida da República, por antigos empregados da Versailles, entre os quais José da Silva Coito. Tinha salão de chá, restaurante e fabrico próprio de confeitaria. Durante décadas, foi das principais referências das Avenidas Novas, célebre pelo bolo-rei, pela cozinha tradicional, pelos banquetes de festa e pelo serviço de catering para o exterior. Manteve a decoração art-déco inicial (evocativa da viagem de Cristóvão Colombo), tanto na pastelaria como no primeiro andar.

Quando, em Outubro de 1990, a Colombo encerrou portas, a desmontagem do histórico letreiro e do recheio foi acompanhada pela Imprensa, em particular pelo ‘Diário de Lisboa’. Na época, poucos reconheciam que uma casa comercial também constituía património da cidade. 

Abriria ali, meses depois, o primeiro McDonald's de Lisboa. Mas boa parte do equipamento, do mobiliário e da identidade da Colombo subsistiu, transferida para a Pastelaria Mimo (Avenida Duque de Ávila), que em 1991 passou a chamar-se Rota do Colombo. Assumiu-se esta como continuadora da casa original, preservando o receituário de José da Silva Coito e alguns dos objectos históricos, entre os quais a antiga sorveteira manual Reliance, fabricada na Suécia pela Husqvarna nas primeiras décadas do século XX. 

O neto do fundador, Cândido Gonçalves, escreveu que a Colombo tinha «continuidade e testemunho vivo». Não terminou em 1990: continuou durante toda a primeira década do século XX, noutra morada, praticamente com as mesmas pessoas e com alguns dos seus adereços originais. A ‘segunda Colombo’ encerrou em 2012.


Marina Tavares Dias