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domingo, 8 de dezembro de 2019

OS CARROS AMERICANOS, 

ANTECESSORES DOS ELÉCTRICOS

O AMERICANO DA CARRIS

A cidade que assistiu à inauguração das carreiras de «americanos» não estava particularmente confiante nas virtudes dos transportes públicos. Os exemplos anteriores tinham habituado todos a vicissitudes então consideradas insuperáveis. Desde o horário desregrado dos #ónibus, passando pelo asseio duvidoso dos #charabãs, até às tarifas oportunistas dos #trens de aluguer, havia uma longa genealogia de desconfianças e de queixas.

Mesmo assim, os jornais não pouparam elogios a um transporte considerado revolucionário, que tinha provado as suas virtudes em cidades estrangeiras (também o Porto já possuía «americanos» desde o dia 15 de Maio de #1872). Em breve, os lisboetas reconheceriam as diferenças do novo sistema de transporte, chegando a considerá-lo como o verdadeiro messias do trânsito alfacinha. Bairros houve em que tal progresso foi saudado com flores para enfeitar os carros e fardas de luxo oferecidas aos #cocheiros. O «Diário de Notícias» de 18 de Novembro de 1873 noticia deste modo a inauguração das carreiras:

 «Ficou ontem aberta à circulação a primeira secção de linha de carruagens sobre carris de ferro, pelo sistema americano, em Lisboa, compreendida entre a estação de linha férrea do norte e leste e o extremo oeste do Aterro da Boa Vista. Ficou portanto definitivamente estabelecido na cidade mais um meio de viação, seguro, cómodo e barato que há-de ser o início de maior desenvolvimento e aperfeiçoamento dos veículos de transporte na capital […]. Quando se aproximava a hora de partirem do extremo dessa secção da linha as carruagens com os convidados da empresa dos Carris de Ferro de Lisboa, e as pessoas que em outras eram admitidas, o povo cheio de alegria e curiosidade  formava alas em todo o trajecto da linha, para saudar amoravelmente o novo progresso que passava.

A estação principal da linha e largo em frente estavam embandeirados e ornamentados de arcos e grinaldas, de verdura e de emblemas nacionais! Uma linha de 32 carruagens […] estava postada sobre os ‘rails’ com os seus cocheiros e condutores singelamente uniformizados e postos sobre as plataformas, e os seus magníficos tiros de cavalos e muares perfeitamente arreados com as testeiras das cabeçadas ornadas de rosetas azuis e brancas [as cores da bandeira nacional do tempo da Monarquia]. Vinte e quatro dessas carruagens eram fechadas e oito abertas, destinadas aos fumistas.»

[Exemplar existente no Museu da Carris]

#MarinaTavaresDias 
#Historia da #Carris

quarta-feira, 28 de maio de 2014

PEÇAS DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS

PEÇAS CURIOSAS 
DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS





Na primeira década da segunda metade de Oitocentos, rara seria a família nobre ou burguesa que não tivesse, em cima da mesa da sala, o álbum das fotografias «carte-de-visite». Presume-se que terá sido o fotógrafo Disderi, com atelier em Paris, quem as celebrizou. Há quem diga que as inventou também. Pequenos rectângulos de papel albuminado serviam para captar a luz do negativo. Estas fotografias eram, depois, montadas em cartolinas, geralmente com o nome ou logótipo do fotógrafo na base ou no verso do cartão.

Ainda hoje, aparecem aos milhares, em leilões «on line», em feiras, em qualquer parte onde se vendam papéis velhos.

O que pouca gente saberá é que, ao serem entregues ao cliente (que geralmente encomendava meia ou uma dúzia), vinham em pequenas caixas de cartolina lavrada a quente, com desenhos, pequeno fecho e o nome do fotógrafo. Dessas caixas só sobreviveram aquelas cujas fotografias nunca chegaram a ser dadas a amigos ou parentes.

Aqui está a caixa para cartes-de-visite da Photographia Universal, na Rua Oriental do Passeio Público, Lisboa (correspondia ao actual lado oriental da Avenida da Liberdade, rasgada entre 1879 e 1886). A julgar pelas fotos no interior, deve datar dos anos entre 1865 e 1870.

terça-feira, 1 de abril de 2014

By the seaside, Tejo adiante.

Histórias à beira-Tejo plantadas, para turista ler:

http://lostlisbonportugal.blogspot.pt/2014/04/by-seaside.html

Ou seja: Lisboa desde a moda da pele assustada pelo Sol
aos tempos do bronzeado.
De Pedrouços até Cascais.






sábado, 15 de março de 2014

EÇA DE QUEIROZ E OS OURIVES DA RUA DO OURO






Via o fim da sua vida preenchido, completo, radioso. Estava quase sempre em casa da noiva, e um dia andava-a acompanhando, em compras, pelas lojas. Ele mesmo lhe quisera fazer um pequeno presente, nesse dia. A mãe tinha ficado numa modista, num primeiro andar da Rua do Ouro, e eles tinham descido, alegremente, rindo, a um ourives que havia em baixo, no mesmo prédio, na loja.


EÇA DE QUEIROZ

in
Singularidades de Uma Rapariga Loura

citação para roteiro queirosiano em

A LISBOA DE EÇA DE QUEIROZ


de MARINA TAVARES DIAS

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O PRIMEIRO NICOLA

[...] O apelido Nicola aparece ligado ao comércio da cidade desde meados do século XVIII. Antes do terramoto terá existido pelo menos um italiano Ni­cola, fabricante de velas [...] em plena Baixa, próximo do Pátio das Comedias [área compreendida entre as actuais ruas Augusta e da Prata], tendo mesmo dado origem a um topónimo espontâneo: Beco do Nicola.

[...] Após pesquisa nos livros de despachos régios [...] verificamos a existência de dois Nicolas na Lisboa de 1808: Joaquim Nicola e Nicola Marengo. Um terceiro Nicola é, em 1827, anunciante da “Gazeta de Lisboa”. Possuía casa no número 136 do Campo Grande e aí vendia raízes de plantas oriundas da Itália e da Holanda. Este Nicola Breteiro é, segundo Tinop, o candidato mais provável à identidade real do botequineiro do Rossio, visto terem os seus anúncios na “Gazeta” terminado no preciso ano em que o próprio café foi trespassado: 1829. [..../...]

.... Continua no livro OS CAFÉS DE LISBOA
de MARINA TAVARES DIAS.
O Café Nicola, reconstruído no século XX,
é o último que resta dos clássicos cafés do Rossio