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domingo, 27 de março de 2016

AVENIDA DE ROMA







Fotografia de Mestre Horácio Novaes
divulgada em
LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS
(edição em livro de 1992)


A futura Avenida de Roma, ainda sem quaisquer construções, vista da porta do Hospital Júlio de Matos: ym eixo onde, até 1940, existiram terrenos de cultivo. O Bairro de Alvalade, projecto de Faria da Costa, justificava a ligação da chamada «cidade nova» com o topo da Avenida Almirante Reis, cujo traçado datava de início do século XX.


#Alvalade
#MarinaTavaresDias
#LisboaDesaparecida
#LisboaNosAnos40

domingo, 20 de março de 2016

O Palácio da Praia

Imagem de:
LISBOA ANTES E AGORA
de





Local: Belém. Início da Rua Bartolomeu Dias. 
Actual localização do Centro Cultural de Belém
Data: 1931

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A MODA EM LISBOA

Marina Tavares Dias
em 
«A Moda em Lisboa»,

no volume VII:

«A simplicidade do trajo oitocentista só duraria até ao advento da crinolina. De 1820 a 1825 a silhueta começa a cintar-se mais, as saias alargam em baixo e o decote sobe em oval. As mangas continuam com o seu balãozinho no topo, agora cada vez mais colantes e longas, acabando em bico sobre a luva ou sobre a mão. Antes de 1840 essas mesmas mangas estão já enormes, os seus balões tufados foram descendo para acompanhar o movimento dos cotovelos, a cintura afilou-se de novo e os múltiplos saiotes começam a usar tecidos encorpados, prenúncio do que está para vir. »

(continua no livro)






domingo, 25 de outubro de 2015

Alvalade




Excerto de:

LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS


O plano de urbanização do Sítio de Alvalade, futuro bairro do mesmo nome, compreendia a área trapesoidal de cerca de 230 hectares limitada a norte pela Avenida do Brasil (denominada Alferes Malheiro na década de 40), a nascente pela futura Avenida do Aeroporto, a sul pelos terrenos confinantes com a Avenida Almirante Reis e a poente pelo Campo Grande e pela antiga Estrada de Entrecampos. O novo bairro, planeado no final da década de 30 e inaugurado na segunda metade da de 40, pretendia-se estampa ideal da nova cidade. O projecto é do primeiro urbanista português diplomado em Paris: Faria da Costa.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

OS ALMANJARRAS





MARINA TAVARES DIAS
em
HISTÓRIA DO ELÉCTRICO DA CARRIS
(EDIÇÃO OFICIAL DO CENTENÁRIO):

«Também em 1902, vêm dos Estados Unidos os primeiros carros abertos com 12 bancos transversais. Ao lisboeta, pareceram tão grandes que metiam medo, afigurando-se-lhe mesmo incapazes de desfazer as curvas das ruas da cidade. Adquiriram logo a alcunha condizente de «almanjarras». O jornal Novidades traduziu assim o sentimento que a sua chegada provocou: 'É uma aventesma formidável. Se abalroar com alguma coisa, acaba-se a coisa e acaba-se o mundo. Fica todo num figo.' 

Os primeiros 10 «almanjarras» aportaram a Lisboa em Janeiro de 1902. Fabricados em Filadélfia pela J. G. Brill, possuíam motores General Electric, ‘bogies’ de tracção máxima (tipo 22E) e dois ‘trolleys’. Mediam 11,33 metros, pesando 11.380 quilos. No dia 10 de Março vieram mais 30, a bordo do vapor Friede, em 477 contentores. Receberam números entre o 283 e o 322. O primeiro da série está hoje no Museu da Carris.  [...] »

(continua no livro)
Na imagem: Prova fotográfica original, a partir do negativo de sua autoria, impressa por Mestre Horácio Novaes na década de 1940.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A LISBOA DE EÇA DE QUEIROZ


de MARINA TAVARES DIAS





EXCERTO DA CRONOLOGIA FINAL:


1866/67 - Eça de Queiroz estreia-se como escritor com a

publicação na Gazeta de Portugal de textos que, após a

sua morte, viriam a ser parcialmente compilados no

volume Prosas Bárbaras (1903). Em edições posteriores,

incluíram-se textos que não tinham sido seleccionados

para a primeira edição. De Janeiro a Outubro de 1867,

Eça esteve quase exclusivamente ocupado com a

redacção do jornal Distrito de Évora. Aqui publicou

algumas narrativas, tais como O Réu Tadeu e Farsas.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

O CONVENTO DA ESPERANÇA

MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
volume IV

[...] Após extinção das ordens religiosas, em 1834, o Convento da Esperança continuou activo. Por morte da última freira - Soror Joaquina Cândida de Jesus -, em 1881, decidiu a Direcção Geral dos Próprios Nacionais que se procedesse a inventário do convento (avaliado em 45 contos de réis) e casas anexas, agora pertença do Estado. Em Novembro, celebrou-se um contrato entre o Governo e a Câmara, determinando demolição parcial e abertura, no mesmo sítio, de uma nova avenida [hoje Avenida D.Carlos].

Quadros e outras obras de arte seriam entregues ao Museu Nacional de Arte Antiga, enquanto a livraria transitou, praticamente intacta, para a Biblioteca Nacional. O livro da fundação do convento ainda ali se encontra, na secção de Reservados. Muitos dos painéis de azulejo acabaram por ser repostos no quartel de bombeiros que hoje ocupa parte da área do mosteiro. Quanto ao orgão, foi doado à Igreja de Santos-o-Velho.

(continua no livro)





sábado, 25 de abril de 2015

A COSTA DE CAPARICA

LISBOA DESAPARECIDA
de 
MARINA TAVARES DIAS

(EXCERTO do capítulo «A Outra Banda»)

« [...] Ao longo de todo o século XIX, a Costa de Caparica é quase exclusivamente um extenso areal, pontilhado por casinhotos de madeira onde se abrigam as famílias dos pescadores. Vai-se à Costa provar a caldeirada ou, mais esporadicamente, visitar o vizinho Convento dos Capuchos, de cujas alturas se avista, plana e interminável, a linha sinuosa da orla atlântica.
Essas primeiras cabanas montadas nos areais deverão datar do último quartel de seiscentos, quando algumas famílias algarvias ou ílhavas ali se fixam provisoriamente, nos meses de Verão, para se dedicarem à pesca.

Documentos reunidos por um mestre das artes de pesca (Francisco José da Silva) apontam o ano de 1770 como data das primeiras residências fixas, em barracas certamente maiores, de vários “mestres” com as suas companhas. José Gonçalves Bexiga (algarvio), Joaquim Pedro (de Ílhavo), Romualdo dos Santos (algarvio) e José Rapaz (de Ílhavo): foram eles os primeiros residentes da Costa de Caparica. A primeira construção relativamente elaborada terá sido a igreja local, praticamente no mesmo sítio onde a vemos hoje, inicialmente revestida apenas de colmo e de junco.»


(continua)



Aguarela de Roque Gameiro. Postal ilustrado
pertencente ao Arquivo MTD





A Costa de Caparica na década de 1950

 


domingo, 19 de abril de 2015

Destino: Exposição

MARINA TAVARES DIAS 
(excerto de crónica, 2010):

«Na sua área de 560 mil metros quadrados, a Exposição do Mundo Português receberá três milhões de visitantes, de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940. Entre eles estarão alguns estrangeiros privilegiados – como o escritor Antoine de Saint-Exupéry – que podem viajar pela Europa em guerra, assim como quase todos os intelectuais portugueses que se opõem ao regime. Jaime Cortesão é visto às compras nos "stands" de artesanato, sempre seguido por um agente da PIDE.»

Primeiros autocarros lisboetas, utilizados como teste para transporte de passageiros, do Rossio para Belém. Destino: Exposição.»



quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUIOSQUE PORTÁTIL





Os quiosques dos bairros populares, cujas ruas eram estreitas e muitas vezes íngremes, adaptaram-se ao meio através do modo e materiais de fabrico. Quase sempre confeccionados em madeira, eram portáteis e mudavam de local seguindo romarias e outros aglomerados humanos. Aqui fica a revelação. O desenvolvimento ficará no livro. Lisboa Desaparecida, de Marina Tavares Dias, volume X (ainda inédito).


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

OS GRANDES FUTEBOLISTAS DAS DÉCADAS DE 1920 E DE 1930






VER em:
HISTÓRIA DO FUTEBOL EM LISBOA
de 
MARINA TAVARES DIAS
Equipa-sensação de futebol , nos Jogos Olímpicos de 1928. Lisboa inteira na rua para os receber na Câmara Municipal. Lá em cima, o maior avançado português antes de Peyroteo e Eusébio: Pepe, do Belenenses, então no pico da popularidade. 'Sic transit...'


Bordallo na Mónaco do Rossio





Desenho de Raphael Bordallo Pinheiro para painel de azulejos decorativos da famosa e ainda existente TABACARIA MÓNACO, no Rossio. «A Leitura de O Século» é a desiganção da obra.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FERNANDA

MARINA TAVARES em LISBOA DESAPARECIDA:

«Particularmente agreste a tratar as mulheres, a má-língua popular celebrizou algumas por muito pouca coisa: a Libânia das Sinas, porque vendia as ditas numa caixinha de pau, ou a Madame Rebolona, porque tinha o costume de passar o dia a ler nos jardins. Poucas conheciam o proveito da fama que lhes era imposta. A sua única diferença era, muitas vezes, uma liberdade menos vigiada, na época em que - como dizia o «Pinheiro Maluco» (figura popular em 1920) - as mulheres se queriam em casa a coser meias. Mas houve quem tivesse vivido à altura do seu mito. Essa assombrosa mulher usava o pseudónimo de Preta Fernanda.»
Nascida em Cabo Verde, na ilha de S. Tiago, em Maio de 1859, Fernanda do Vale recebeu baptismo bem diferente do seu posterior "pseudónimo literário" [.../...].

A sua história completa está contada no volume III 
da LISBOA DESAPARECIDA
de MARINA TAVARES DIAS


Preta Fernanda, toureira 
(aguarela da Alberto de Souza, 1912) 


domingo, 21 de dezembro de 2014

PALHAVÃ

[...] Festa da Sociedade Hípica, no dia 12 de Março de 1911, no Velódromo de Palhavã. A prova foi ganha pelo tenente António Callado. O Velódromo, ponto de encontro da Lisboa elegante, fôra inaugurado em 1905, nos terrenos que tinham pertencido ao Jardim Zoológico. O local corresponde, hoje, aos primeiros edifícios do lado noroeste da Avenida de Berna

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
volume III (Palhavã)





sábado, 6 de dezembro de 2014

S. Roque

Eis-nos, pois, em pleno Largo Trindade Coelho, face à velha igreja de S. Roque. "Toque, toque,toque. / Vamos a S. Roque / Ver os peraltas / Que usam capote". Sigamos o refrão anónimo e antigo. A pracinha sempre teve o nome da igreja, até que, em 1913, alguém resolveu baptizá-la de novo. Ninguém assumiu o topónimo. Todos a conhecem por Largo da Palmatória, alusão óbvia ao monumento que ostenta. Esta coluna, rematada por placa redonda, foi oferecida pela comunidade italiana na ocasião das bodas do rei D. Luís e de D. Maria Pia, em 1862.


LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
volume IV






terça-feira, 2 de dezembro de 2014

LISBOA DAS SETE COLINAS

«Lisboa, Augusta emula de Roma», com sete colinas veras ou ligeiramente pinceladas pela imaginação de historiadores e poetas. Assim será sempre, apesar das muralhas terem desaparecido, de novos eixos terem apontado em direcção ao norte, a ocidente e a oriente. Em vão se crismam novos horizontes, mas a cidade antiga prevalece e ninguém assimila qualquer outra suburbana «alta de Lisboa». O rigor orográfico nem sempre terá sido assegurado, mas no que diz respeito a Lisboa ser a cidade das sete colinas, estamos conversados. Sê-lo-á sempre. É desta majestosa desmaterialização que se fazem as lendas. O resto é apenas terra batida, onde as gerações vão construindo e o tempo vai destruindo. Sucessivamente.

Marina Tavares Dias
in 
Lisboa Desaparecida
volume IX
Capítulo 
Lisboa das Sete Colinas




domingo, 30 de novembro de 2014

Os primeiros transportes públicos urbanos

Marina Tavares Dias
em 
História do Eléctrico da Carris
(edição do centenário, 2001):

«Mas se as viagens de longa duração (nove dias do Porto até Lisboa) obrigavam já, no início do século XIX, ao uso de transportes colectivos, quase tudo estava ainda por fazer, em termos similares, no respeitante à circulação no interior das cidades. O primeiro quartel de 1800 é ainda, em Lisboa, dominado pelo transporte público de apenas dois assentos. A sege e o respectivo boleeiro constituem uma genealogia que ficou célebre na história da cidade. Inicialmente chamada «de colunas» e tirada por um único cavalo, já existia no século XVIII, tendo sofrido algumas alterações ao longo das décadas. A sege «moderna» baseava-se nos modelos ingleses: duas rodas, caixa muito larga, pintada, envernizada e montada sobre quatro molas. Fechava-se com cortinas de coiro engraxado, permitindo aos passageiros espreitar por dois óculos de vidro, abertos na frente. O estribo era subido e impraticável e as rodas altas demais para os solavancos das calçadas alfacinhas. Quando estavam livres para alugar, ostentavam uma bandeirinha bifurcada.»
[continua no livro]




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

OS CAFÉS QUE FIZERAM HISTÓRIA DA CIDADE

Marina Tavares Dias em
prefácio de
OS CAFÉS DE LISBOA:

«Não há futuro sem memória. Por isso os antigos chamaram à Memória a mãe de todas as musas. O espaço cercado das cidades actuais, na sua azáfama diária, no seu trânsito caótico, nos seus eixos projectados para a periferia, parece ter consumido, portas dentro, os próprios ecos do passado recente. E os cenários antigos, agora justapostos aos novos hábitos e às novas concepções de espaço, terão perdido o rosto e a forma perceptíveis e primordiais. Ao olharmos para uma fotografia antiga do interior de um café, dos pormenores da sua fachada ou da sua frequência, pouco ou nada saberemos ver do que realmente lá esteve. Essa imagem enganadora está longe de valer as tais mil palavras. Atesta um aspecto incapaz de projectar a sua própria leitura neutra pois, para lá do que ali vemos, existe o que aquilo foi. Num tempo com outras motivações, outros hábitos, outros contextos estéticos, a imagem que resta mostra apenas o óbvio, ou o que hoje se nos afigura como tal.» 

(continua no livro)





domingo, 23 de novembro de 2014

Belém: a zona demolida em 1939






Marina Tavares Dias

em volume V de

LISBOA DESAPARECIDA

capítulo sobre Belém:

«Até ao ângulo oriental do grande conjunto do mosteiro, prolongava-se a Rua de Belém. A sua área desaparecida incluía mais três quarteirões a Sul, uma praça e outro quarteirão a Norte. Os últimos números de polícia são hoje o 128 e o 105. Antes de 1939, continuavam até ao 138 (lado da Confeitaria dos Pastéis de Belém) e ao 167. Todos os andares térreos eram ocupados por lojas. O chafariz abastecedor do bairro estava no centro do Largo Frei Heitor Pinto, a poente do quarteirão onde outrora se erguera o palácio dos duques de Aveiro. Também esse largo desapareceria, sacrificadas que foram as casas do lado ocidental, recolhendo o chafariz - como já vimos no respectivo capítulo - a depósito camarário, sendo mais tarde reconstruído no Largo do Mastro.»

Postal ilustrado fotográfico
de Eduardo Portugal. 1939.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

CAMPOLIDE

Marina Tavares Dias 
em volume III 
da 
Lisboa Desaparecida

[...] O Colégio de Campolide, construído na antiga Quinta da Torre, onde morou o guarda-jóias de D. João V. [...] vista do alto da torre em 1906, vendo-se o colégio à esquerda. Entre Monsanto, a ribeira e a encosta de Campolide, apenas se viam hortas e latadas.