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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

 ADEUS, BELÉM HISTÓRICA


«O processo do edifício número 138 da Rua de Belém não consta hoje de qualquer arquivo camarário consultável. Em vão tentei localizá-lo, ao longo de meses, enquanto procedia à análise de todos os outros documentos referentes aos demolidos em 1939. Proprietários dos restantes prédios da Rua de Belém foram informados sobre indemnizações e prazos; mesmo quando os prédios eram propriedade municipal, o respectivo processo inclui documentos referentes às lojas locais. Porquê, então, esta misteriosa omissão do número 138?
Acontece que, confirmando aquilo que diziam as pessoas do burgo, a referida casa guardava, nos seus alicerces, ruínas históricas contemporâneas da antiga capela do Infante. Quando as demolições do quarteirão começaram, rapidamente foram postas a descoberto antigas abóbadas. Ordens superiores mandaram então suspender os trabalhos, permanecendo o pequeno edifício entre as ruínas dos seus vizinhos, enquanto se decidia o que fazer do achado. Nada transpareceu nos jornais, e a demolição acabou por consumar-se, pois já não havia tempo para alterar quaisquer planos. Uma imprevisível descoberta acabou por tornar claro aquilo que, à época, ainda seria discutível: que a homenagem à história pátria se fazia à custa do desaparecimento de testemunhos dessa mesma história. (...)


continua no livro

Forografia: Mestre Horácio Novaes, prova original da época.







domingo, 12 de junho de 2022

A Expo de 1940

MARINA TAVARES DIAS

BELÉM 

E A 

EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS


Mapa desdobrável vendido na época e publicado no IV volume
de Lisboa Desaparecida 
de Marina Tavares Dias



*pequeno fragmento do texto
 [...] A Exposição do Mundo Português será a coroa de glória das opções assumidas por [António] Ferro e apenas esboçadas anos antes, quer na Exposição Industrial do Porto quer na Internacional de Paris, em 1937, onde o pavilhão concebido pelo jovem arquitecto Keil do Amaral rompia com tudo aquilo que, até então, Portugal apresentara ao estrangeiro. 

 No guia da Exposição do Mundo Português, o comissário Augusto de Castro escreve: "Sendo um olhar lançado sobre o passado, [a exposição] não terá um carácter exclusivamente erudito - e muito menos arqueológico. Deverá ser, ao contrário, uma lição de energia, uma perspectiva do génio português através de todos os estímulos de grandeza, um balanço de forças espirituais." [...]

 [...] Outros panfletos salientam tratar-se da primeira grande exposição histórica do Mundo. Esse mesmo mundo agora - historicamente - em guerra, ajudando a gerar, à volta desta paz sacralizante e sacralizada, o ambiente de um paraíso do absurdo.