terça-feira, 10 de dezembro de 2019

BAIRRO ALTO: a «casa» dos grandes jornais

Marina Tavares Dias 

subindo a escadaria do DIÁRIO DE LISBOA  


                                                        Fotografia de Rodrigues da Silva, 1988.


'[.../...] Quinta-feira, 7 de Abril de 1921. O "Diário de Lisboa" começa a publicação, provisoriamente instalado no número 90 da Rua do Carmo. As janelas abrem-se sobre requintes do comércio mais luxuoso, mas o velho segundo andar deste prédio pombalino ainda se assemelha pouco a uma Redacção: os quartos são acanhados, o acesso à rua é feito por escada íngreme de degraus carunchosos. De noite, os ratos cruzam-se por baixo das bancas dos redactores e sobre a "mesa da estiva" onde, ao centro da sala mais larga, são revistas as provas tipográficas.

Almada Negreiros tem estirador nessa sala. Para o primeiro número do jornal, traça a tinta da china o destino adivinhado dum vespertino de vanguarda. São esboços da vida contemporânea: carros eléctricos, mulheres de saia curta em plena Baixa, luvarias da moda, casas de chapéus. António Ferro escreve um poema sobre essas ilustrações. Ao alto da terceira página, em título garrafal, como um segundo logotipo, manda compôr: "Rua do Oiro". (...) Almada e Ferro assinam, juntos, uma opção do próprio fundador, Joaquim Manso: falar da modernidade, divulgar a poesia, dar emprego aos ilustradores e privilegiar temáticas olisiponenses. Serão presença constante no "DL" de Joaquim Manso e Alfredo Vieira Pinto.

Almada "muda-se" com o jornal, para a Rua Luz Soriano número 44, em 1923. [.../...]
(...) Na sala ampla e arejada do primeiro andar, às mesas de trabalho sentam-se, frente a frente, Rodrigues Pereira e Stuart Carvalhaes, Thomaz Ribeiro Colaço e Pedro Bordallo Pinheiro, Ferro e Álvaro de Andrade, Norberto Lopes e António Carneiro, Artur Portela e Sarmento Duque, Carmen Marques e Vasconcellos e Sá, Miguel Martins e Sá Pereira.'


MARINA TAVARES DIAS 
(excerto inicial da história do DIÁRIO DE LISBOA. Adaptado para o blog)

domingo, 8 de dezembro de 2019

OS CARROS AMERICANOS, 

ANTECESSORES DOS ELÉCTRICOS

O AMERICANO DA CARRIS

A cidade que assistiu à inauguração das carreiras de «americanos» não estava particularmente confiante nas virtudes dos transportes públicos. Os exemplos anteriores tinham habituado todos a vicissitudes então consideradas insuperáveis. Desde o horário desregrado dos #ónibus, passando pelo asseio duvidoso dos #charabãs, até às tarifas oportunistas dos #trens de aluguer, havia uma longa genealogia de desconfianças e de queixas.

Mesmo assim, os jornais não pouparam elogios a um transporte considerado revolucionário, que tinha provado as suas virtudes em cidades estrangeiras (também o Porto já possuía «americanos» desde o dia 15 de Maio de #1872). Em breve, os lisboetas reconheceriam as diferenças do novo sistema de transporte, chegando a considerá-lo como o verdadeiro messias do trânsito alfacinha. Bairros houve em que tal progresso foi saudado com flores para enfeitar os carros e fardas de luxo oferecidas aos #cocheiros. O «Diário de Notícias» de 18 de Novembro de 1873 noticia deste modo a inauguração das carreiras:

 «Ficou ontem aberta à circulação a primeira secção de linha de carruagens sobre carris de ferro, pelo sistema americano, em Lisboa, compreendida entre a estação de linha férrea do norte e leste e o extremo oeste do Aterro da Boa Vista. Ficou portanto definitivamente estabelecido na cidade mais um meio de viação, seguro, cómodo e barato que há-de ser o início de maior desenvolvimento e aperfeiçoamento dos veículos de transporte na capital […]. Quando se aproximava a hora de partirem do extremo dessa secção da linha as carruagens com os convidados da empresa dos Carris de Ferro de Lisboa, e as pessoas que em outras eram admitidas, o povo cheio de alegria e curiosidade  formava alas em todo o trajecto da linha, para saudar amoravelmente o novo progresso que passava.

A estação principal da linha e largo em frente estavam embandeirados e ornamentados de arcos e grinaldas, de verdura e de emblemas nacionais! Uma linha de 32 carruagens […] estava postada sobre os ‘rails’ com os seus cocheiros e condutores singelamente uniformizados e postos sobre as plataformas, e os seus magníficos tiros de cavalos e muares perfeitamente arreados com as testeiras das cabeçadas ornadas de rosetas azuis e brancas [as cores da bandeira nacional do tempo da Monarquia]. Vinte e quatro dessas carruagens eram fechadas e oito abertas, destinadas aos fumistas.»

[Exemplar existente no Museu da Carris]

#MarinaTavaresDias 
#Historia da #Carris

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

AS FRANCESINHAS

Foram as freiras francesas que acompanharam Maria Francisca de Sabóia, futura rainha de Portugal, quem fundou o Mosteiro do Santíssimo Crucifixo. Apesar do nome oficial, o templo seria sempre conhecido por Convento das Francesinhas. Demolido no final da década de 1920, situava-se no espaço hoje ajardinado que marca o início da Calçada da Estrela[.../...]

Lisboa Antes e Agora
de 
Marina Tavares Dias

#marinatavaresdias 
#lisboa 




sábado, 18 de maio de 2019

Rua Áurea



Aspectos da Rua do Ouro.O levantamento de todos os edifícios,  e respectivas ocupações  comerciais ao longo de dois séculos, foi feito por #MarinaTavaresDias para o volume V da #LisboaDesaparecida. 

domingo, 16 de abril de 2017

ANTÓNIO SILVA


Com Hermínia Silva, a fadista castiça, em
O Costa do Castelo
(Arthur Duarte, 1942)
Fotografia da época: Arquivo MTD



Em 1933, António Silva recebeu de Cottinelli Telmo o primeiro grande papel cinematográfico, como alfaiate Caetano em “A Canção de Lisboa”. E fundou um estilo. O actor costumava contar que, ao ser-lhe entregue o guião, resolvera logo trocar as rábulas no original, rescrever inúmeras sequências e acrescentar piadas aos diálogos. Longe de se indignar, Cottinelli Telmo, evidenciando modéstia notável, tinha-o deixado à vontade: ele que acrescentasse tudo o que fizesse brilhar a personagem e o seu talento de actor. No final das filmagens, além do pagamento estipulado, entregou-lhe um cheque suplementar pelo apoio à produção.

António Maria da Silva tinha começado muito antes do sucesso de “A Canção de Lisboa”. Fora em 1910, no palco do Teatro da Rua dos Condes, aos 24 anos de idade, representando “O Novo Cristo” de Tolstoi. Antes dessa estreia auspiciosa, e tal como muitas das suas futuras personagens, fora caixeiro de drogarias e de retroseiros. Participou em dois filmes brasileiros: “Convém Martelar” e “Coração de Gaúcho”, ambos de 1920, conseguindo pequeno currículo como actor de cinema. Já conhecido como actor de teatro, conseguiria enorme notoriedade cinematográfica, ao longo da década de 30, com os seus desempenhos em “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Bocage” e “Maria Papoila”.



É a década de 40 que consagra António Silva como actor de cinema, transformando-o na imagem do pequeno mago do círculo familiar, forjador de estratégias de desenrascanço, salvador da honra do convento, caricatura da mania das grandezas do lisboeta pobre, mentiroso e de grande coração. As suas criações justificam dois dos títulos de maior sucesso nos écrans lisboetas: “O Costa do Castelo” (1943) e “O Leão da Estrela” (1947), ambos realizados por Arthur Duarte.


Participou em mais de 30 filmes, quase sempre comédias onde as suas rábulas eram infalíveis. Uma das suas mais felizes incursões pelos clássicos seria justamente no “Amor de Perdição”, de António Lopes Ribeiro (1943), onde compõe um inesquecível João da Cruz. Quando fez a sua última aparição cinematográfica (“Sarilhos de Fraldas” de Constantino Esteves, 1966), já o público tinha mudado e as piadas requentadas, tentando explorar um filão exausto, ficavam a milhas das antigas comédias dos anos 40. Mesmo assim, ele seria ainda o rei em cena, senhor de outras graças e de outras comédias.
[......]


Em
LISBOA NOS ANOS 40de
MARINA  TAVARES  DIAS


#Lisbon
#Portugal
#LisboanosAnos40
#MarinaTavaresDias
#Lisboa
#HistoriadeLisboa
#1940s

#LisbonHistory


terça-feira, 26 de abril de 2016

HOMENAGEM A MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Faz hoje, dia 26 de Abril de 2016, um século que nos deixou.

Na FOTOBIOGRAFIA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO,
Marina Tavares Dias recolheu as imagens inéditas, publicando pela primeira vez originais em alta definição, a partir das fotografias que comprou e que encontrou em casa de todos os bibliófilos e coleccionadores da época (1988).

Dois anos depois, levou a exposição de toda a iconografia e bibliografia em primeiras edições a Paris, onde estiveram expostas na sede da UNESCO. Paris reencontrou Mário de Sá-Carneiro. 

Lisboa esqueceu-o. A quinta onde passou a infância, às portas da cidade, foi destruída. a morte continua por averbar na certidão de nascimento. Resta uma única placa, na casa onde nasceu, na Rua da Conceição (dos Retroseiros). Mas a data está errada.

Hoje, a LISBOA DESAPARECIDA de MARINA TAVARES DIAS
homenageia o génio de MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO.

Tanta coisa vai ficar para sempre inédita. Tanto é já referido pleno de enganos e de erros. Tanto se especula academicamente. Mas uma obra MAIOR resiste a tudo.

Hoje, celebramos o génio de MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO.




fotografia original, 
aqui em alta resolução, de 
MARINA TAVARES DIAS
(copyright 1988)
publicada em
Fotobiografia de 
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO





domingo, 27 de março de 2016

AVENIDA DE ROMA







Fotografia de Mestre Horácio Novaes
divulgada em
LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS
(edição em livro de 1992)


A futura Avenida de Roma, ainda sem quaisquer construções, vista da porta do Hospital Júlio de Matos: ym eixo onde, até 1940, existiram terrenos de cultivo. O Bairro de Alvalade, projecto de Faria da Costa, justificava a ligação da chamada «cidade nova» com o topo da Avenida Almirante Reis, cujo traçado datava de início do século XX.


#Alvalade
#MarinaTavaresDias
#LisboaDesaparecida
#LisboaNosAnos40

domingo, 20 de março de 2016

O Palácio da Praia

Imagem de:
LISBOA ANTES E AGORA
de





Local: Belém. Início da Rua Bartolomeu Dias. 
Actual localização do Centro Cultural de Belém
Data: 1931

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A MODA EM LISBOA

Marina Tavares Dias
em 
«A Moda em Lisboa»,

no volume VII:

«A simplicidade do trajo oitocentista só duraria até ao advento da crinolina. De 1820 a 1825 a silhueta começa a cintar-se mais, as saias alargam em baixo e o decote sobe em oval. As mangas continuam com o seu balãozinho no topo, agora cada vez mais colantes e longas, acabando em bico sobre a luva ou sobre a mão. Antes de 1840 essas mesmas mangas estão já enormes, os seus balões tufados foram descendo para acompanhar o movimento dos cotovelos, a cintura afilou-se de novo e os múltiplos saiotes começam a usar tecidos encorpados, prenúncio do que está para vir. »

(continua no livro)






domingo, 25 de outubro de 2015

Alvalade




Excerto de:

LISBOA NOS ANOS 40
de
MARINA TAVARES DIAS


O plano de urbanização do Sítio de Alvalade, futuro bairro do mesmo nome, compreendia a área trapesoidal de cerca de 230 hectares limitada a norte pela Avenida do Brasil (denominada Alferes Malheiro na década de 40), a nascente pela futura Avenida do Aeroporto, a sul pelos terrenos confinantes com a Avenida Almirante Reis e a poente pelo Campo Grande e pela antiga Estrada de Entrecampos. O novo bairro, planeado no final da década de 30 e inaugurado na segunda metade da de 40, pretendia-se estampa ideal da nova cidade. O projecto é do primeiro urbanista português diplomado em Paris: Faria da Costa.