sábado, 30 de maio de 2009

«Olha o esquimó fresquinho!»


Foi com a fábrica Esquimaux que os lisboetas passaram a chamar «esquimó» ao gelado vendido em dose certa. Estava-se na década de 1930 e a designação permaneceu ao longo dos primeiros anos do segmento de mercado agora chamado «de impulso», com as marcas Olá e Rajá, nas décadas de 1960 e 1970. Esta foi a fotografia escolhida para a capa do nono volume da Lisboa Desaparecida.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

OS POSTAIS DE PAULO GUEDES

 

PAULO GUEDES

Paulo Emílio Guedes (23 de março de 1886 – 1 de dezembro de 1947) foi fotógrafo, editor e impressor, com actividade marcante na Lisboa das primeiras décadas do século XX. Natural de Mondim de Basto, fixou-se na capital ainda jovem, desenvolvendo carreira ligada à produção fotográfica e à edição. Foi proprietário da Papelaria Guedes, na Rua do Ouro, um dos eixos centrais do comércio lisboeta, a partir da qual editou e difundiu um vasto conjunto de postais ilustrados. A sua firma - Paulo Guedes & Saraiva - chegou a publicar milhares de postais, de vistas urbanas, monumentos e cenas da vida quotidiana, desempenhando um papel relevante na construção da imagem identitária de Lisboa e de Portugal. Entre os postais que editou estão os da famosa série 'Lisboa na Rua', considerada a 'joia da cartofilia portuguesa': 15 imagens em fototipia, a partir e negativos de sua autoria, que percorrem ruas e costumes e formam a colecção mais valiosa de postais antigos portugueses. 

A conjugação das funções de fotógrafo e editor permitiu-lhe controlar todo o ciclo da imagem, da captação à circulação pública. Ao contrário de Bárcia, cujos postais eram provas fotográficas com legendas manuscritas, Guedes fazia grandes tiragens e distribuía por representantes em todo o país. Representa, assim, uma figura-chave da fotografia portuguesa enquanto prática editorial e instrumento de memória urbana no início do século XX.


Marina Tavares Dias
«Os Melhores Postais de Lisboa», 1995.










quinta-feira, 21 de maio de 2009

CHIADO ACIMA, CHIADO ABAIXO


É comum encontrar uma dúzia de conhecidos enquanto se percorrem os quarteirões da Rua Garrett. O que levaria cinco minutos a descer transforma-se em derrame duma manhã inteira. Mas ninguém se importa com isso. Há tempo para tudo, ou assim parece. Toma-se café sempre sentado e à espera de companhia. As misturas são aromáticas e diversas - provenientes das colónias ou dos negócios rentáveis com o Brasil - mas vêm mornas. Não é hábito encher a chávena atrás do balcão: os criados trazem-na vazia até à mesa onde aviam da mesma cafeteira todos os convivas. A palavra “bica” está, portanto, por inventar. A melhor moka do século XIX não passa daquilo que, no futuro, se chamará “café de saco”.


(in Lisboa Desaparecida de Marina Tavares Dias, volume IV)




Capas dos volumes de 2 a 9





































Os oito volumes seguintes (publicados entre 1990 e 2207).


















Volume I (1987). Nove edições mais sete reimpresões.