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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O HOSPITAL DA RAINHA D. ESTEFÂNIA

A ideia de construir em Lisboa um hospital destinado exclusivamente a crianças nasceu da Rainha D. Estefânia, mulher de D. Pedro V. A jovem princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, nascida em Düsseldorf a 15 de Julho de 1837, chegou a Lisboa no dia 17 de Maio de 1858.

Pouco depois do casamento, Estefânia visitou os hospitais de Lisboa e ficou impressionada com as condições em que eram tratadas as crianças, internadas juntamente com os adultos e sem instalações minimamente confortáveis. Decidiu então destinar uma parte muito considerável do seu dote de casamento à criação do primeiro hospital pediátrico moderno em Portugal.

Não chegou a ver realizado o projecto, pois morreu em Lisboa a 17 de Julho de 1859, com apenas 22 anos e pouco mais de um de casamento. D. Pedro V resolveu cumprir o desejo da mulher. Para construção do hospital cedeu terrenos pertencentes à Quinta da Bemposta, propriedade da Casa Real, e procurou que o novo estabelecimento fosse concebido segundo os modelos hospitalares mais avançados da Europa.

O projecto foi confiado ao arquitecto Albert Jenkins Humbert, que trabalhara para a família real britânica e fora recomendado ao rei pelo príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. A primeira pedra foi lançada por D. Pedro V em 3 de Julho de 1860. Também ele não assistiria à conclusão da obra: morreu de febre tifóide em 11 de Novembro de 1861, aos 24 anos.

A construção prosseguiu durante o reinado do seu irmão, D. Luís I. O hospital foi finalmente inaugurado em 17 de Julho de 1877, precisamente no aniversário da morte da rainha, e recebeu o nome de Hospital de Dona Estefânia.

Quase vinte anos tinham passado desde que a jovem rainha visitara as enfermarias miseráveis de Lisboa. O hospital que imaginara tornou-se uma instituição pioneira da pediatria portuguesa e, sobretudo, o monumento mais duradouro de um reinado extraordinariamente breve.

Marina Tavares Dias, 
'Lisboa Desaparecida', volume VII (2001)





Hospital deD. Estefânia
Na década de 1920
(fotografia de Ferreira da Cunha)

D. Estefânia e D. Pedro V. 
Pormenor de montgem fotográfica
(1859)

Princesa Estefânia de
Hohenzollern-Sigmaringen
fotografada em Düsseldorf 
(1857)






 

domingo, 29 de maio de 2011

Hospital de D. Estefânia


Começou o «abate» do
Hospital de D. Estefânia.

Nestas coisas de destruição da cidade, já pouco me revolta. Este triplo atentado (histórico, patrimonial e ao bem da comunidade) faz-me abrir uma excepção.

Em 2009, fiz uma página no Facebook para defender a obra da Rainha D. Estefânia (Hospital de D. Estefânia: Nós estamos contra o encerramento»). Duvido que consigamos seja o que for, contra especuladores e PPPs. Mas é obrigação de todos os lisboetas não deixar morrer o assunto.

Este atentado é a coisa mais grave que se programa contra a nossa cidade e as futuras gerações aqui nascidas. Mesmo eu, habituada a toda a espécie de destruição do património, não consigo deixar de ficar pasmada. E já repararam na política de silêncio do Ministério da Saúde (cujas «fontes» nada mandam para os jornais)?

Já repararam no verdadeiro atestado de incompetência que isso representa? - Neste assunto de alienação de património, e mesmo que implique maltratar a saúde das nossas crianças, o MS nem sequer é ouvido ou achado. Valores mais altos...

Começou o abate do Hospital, com a decisão inacreditável de encerrar o bloco de partos a 6 de Junho de 2011. Edifício modelo, com obras de pouco mais de uma década e funcionamento considerado exemplar em termos técnicos e humanos. A partir de Junho, uma criança que nasça doente na Maternidade Alfredo da Costa é separada da mãe, para ir para o Hospital de D. Estefânia. Pareceria anedota, se não fosse aquilo que é.


MARINA TAVARES DIAS