quarta-feira, 12 de agosto de 2026
O HOSPITAL DA RAINHA D. ESTEFÂNIA
sábado, 30 de maio de 2026
SANTO ANTÓNIO DOS CAPUCHOS
No topo da colina de Santana, o Hospital de Santo António dos Capuchos nasceu já no século XIX, sobre o antigo convento. A transformação começou com o Asilo da Mendicidade de 1836, criado por D. Maria II, evoluindo gradualmente para estas funções hospitalares.
Como unidade de saúde, foi em 1928 integrado no grupo dos Hospitais Civis de Lisboa. Antes disso, tinha funções assistenciais mistas: asilo, recolhimento, enfermarias para pobres, apoio social, etc. Em suma, um modelo muito oitocentista. A origem improvisada e adaptativa explicará, talvez, as críticas de muitos médicos: o conjunto nunca foi pensado de raiz como hospital moderno. Foi sendo adaptado: antigas celas tornadas gabinetes; corredores conventuais convertidos em circulação hospitalar; claustros fechados; enfermarias encaixadas em estruturas antigas; problemas permanentes de ventilação, acessos e infraestruturas técnicas.
Para a medicina contemporânea, com blocos operatórios, imagiologia pesada, circuitos estéreis, evacuação rápida, UTIs modernas, tudo é extremamente difícil de adaptar. Quem o critica vê-o como conjunto “romântico mas impraticável”.
Arquitectonicamente, em atmosfera, é dos sítios mais extraordinários de Lisboa. Tem algo que quase desapareceu na cidade: a sensação de continuidade histórica real. Caminha-se aqui entre camadas de convento franciscano, hospital oitocentista, azulejos barrocos, enfermarias republicanas e corredores do Estado Novo, tudo ao mesmo tempo.
Muitos hospitais modernos serão mais eficientes. Mas não têm esta densidade humana e histórica. Em Roma, Nápoles, Sevilha há locais com a mesma tensão entre património e funcionalidade. Os Capuchos pertencem a essa vasta família europeia. Com a actual tendência portuguesa para destruição dos locais com história, teme-se o pior para o seu futuro.
domingo, 29 de maio de 2011
Hospital de D. Estefânia

Começou o «abate» do
Hospital de D. Estefânia.
Nestas coisas de destruição da cidade, já pouco me revolta. Este triplo atentado (histórico, patrimonial e ao bem da comunidade) faz-me abrir uma excepção.
Em 2009, fiz uma página no Facebook para defender a obra da Rainha D. Estefânia (Hospital de D. Estefânia: Nós estamos contra o encerramento»). Duvido que consigamos seja o que for, contra especuladores e PPPs. Mas é obrigação de todos os lisboetas não deixar morrer o assunto.
Este atentado é a coisa mais grave que se programa contra a nossa cidade e as futuras gerações aqui nascidas. Mesmo eu, habituada a toda a espécie de destruição do património, não consigo deixar de ficar pasmada. E já repararam na política de silêncio do Ministério da Saúde (cujas «fontes» nada mandam para os jornais)?
Já repararam no verdadeiro atestado de incompetência que isso representa? - Neste assunto de alienação de património, e mesmo que implique maltratar a saúde das nossas crianças, o MS nem sequer é ouvido ou achado. Valores mais altos...
Começou o abate do Hospital, com a decisão inacreditável de encerrar o bloco de partos a 6 de Junho de 2011. Edifício modelo, com obras de pouco mais de uma década e funcionamento considerado exemplar em termos técnicos e humanos. A partir de Junho, uma criança que nasça doente na Maternidade Alfredo da Costa é separada da mãe, para ir para o Hospital de D. Estefânia. Pareceria anedota, se não fosse aquilo que é.
MARINA TAVARES DIAS
