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domingo, 21 de dezembro de 2014

PALHAVÃ

[...] Festa da Sociedade Hípica, no dia 12 de Março de 1911, no Velódromo de Palhavã. A prova foi ganha pelo tenente António Callado. O Velódromo, ponto de encontro da Lisboa elegante, fôra inaugurado em 1905, nos terrenos que tinham pertencido ao Jardim Zoológico. O local corresponde, hoje, aos primeiros edifícios do lado noroeste da Avenida de Berna

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
volume III (Palhavã)





quarta-feira, 5 de novembro de 2014

CAMPOLIDE

Marina Tavares Dias 
em volume III 
da 
Lisboa Desaparecida

[...] O Colégio de Campolide, construído na antiga Quinta da Torre, onde morou o guarda-jóias de D. João V. [...] vista do alto da torre em 1906, vendo-se o colégio à esquerda. Entre Monsanto, a ribeira e a encosta de Campolide, apenas se viam hortas e latadas.





segunda-feira, 14 de julho de 2014

OLISIPÓGRAFOS

MARINA TAVARES DIAS
em
HISTÓRIAS DE LISBOA
(livro editado em 2004):

«No princípio do século XXI, os olisipógrafos são uma espécie rara mas resistente. Padecem de doença hoje tida por hereditária. É frequente vê-los sozinhos pelos cantos das ruas, de máquina fotográfica no ar, a retratar buracos das paredes em fotografias sem o menor pendor artístico. Encontram-se por vezes nos ermos mais ventosos, sem grandes resguardos, apreciando o correr da aragem com um ar distante e desconfiado. Dá-se com eles em miradoiros de dedo em riste, contado andares a vagos prédios que mal se desenham na neblina. Mais frequentemente, apanham-se em bibliotecas e arquivos a infernizar o juízo de alguém por causa dos inúmeros documentos que, devido ao mau estado, não vêm a consulta.


Não parecem ter grande amor à vida terrena, dadas as vezes que a põem em risco percorrendo de nariz no ar os bairros mais sinistros, os antros mais infectos, as ruas outrora resplandecentes onde, hoje, se vende sexo e droga a todas as portas. Por cem vezes estiveram para levar uma tareia do cliente façanhudo da taberna da esquina, que muito justamente não quis ouvir explicações sobre a razão pela qual foi fotografado para um livro sobre casas do século XVIII. Escaparam 20 vezes da tareia por terem conseguido mostrar uma fotografia antiga em que a taberna era um palácio. Outras 20, escaparam porque foram tomados por «gajos da bófia». Contudo, a maior parte das vezes correram dali para fora tão rapidamente quanto as pernas lhes permitiram.


Uma vez no recato do lar, é vê-los embevecidos às voltas com uma concha carcomida, com desvelos de mãe dum recém-nascido, vendo homotetias dos séculos onde toda a gente vê, apenas, a supracitada concha carcomida. Possuem vasta biblioteca basicamente em auto-gestão, com recortes e «plantas conjecturais» amontoados a eito, cheios de poeira e de ácaros, prejudicando gravemente a saúde de qualquer criança que, não sendo herdeira directa, não esteja imunizada ao inigualável pó de Lisboa.»

(continua no livro)





segunda-feira, 24 de março de 2014

A EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS

CINCO MESES, 3 MILHÕES DE VISITANTES




[...] Na sua área de 560 mil metros quadrados, a Exposição  do Mundo Português receberá 3 milhões de visitantes, de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940. Entre eles estarão alguns estrangeiros privilegiados – como o escritor Antoine de Saint-Exupéry – que podem viajar pela Europa em guerra. Assim como quase todos os intelectuais portugueses que se opõem ao regime. Jaime Cortesão é visto às compras nos stands de artesanato, seguido de perto por um agente da PIDE.
[...][...]
A memória da grande festa, principal legado da Exposição do Mundo Português aos lisboetas, vai-se extinguindo com as gerações que passam. O quotidiano voltou ao normal logo em 1940, à medida que se esvaziavam os primeiros pavilhões. Outros, apeados muito mais tarde, por ali ficariam, à mercê da chuva e do sol. [...] (continua)

MARINA TAVARES DIAS
Excerto de texto jornalístico

domingo, 2 de março de 2014

CARNAVAL ALFACINHA... quem te viu, quem te vê!





O Carnaval era a mais animada das festas de Lisboa.
[...]Na Avenida da Liberdade havia sempre parada, com carros enfeitados de flores de onde os foliões atiravam confeitos à multidão apinhada nos passeios. Entre as galeras engrinaldadas e as carroças repletas de mascarados, havia grupos de acrobatas executando prodígios como a "pirâmide" e a “dança da roda”. As máscaras mais famosas eram a de “Xéxé” (paródia aos velhos costumes “ancien-régime”) e a de velha-do-capote. Quase todas as famílias populares se organizavam, com os vizinhos, em “cegadas”, espécie de representação popular que metia sempre uma cena de pancadaria e um conhecido mascarado de polícia. Considerado uma festa violenta, devido aos desacatos muitas vezes cometidos pelos foliões em delírio, o Entrudo era acontecimento de primeira página para os jornais. [...]

por
MARINA TAVARES DIAS