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domingo, 6 de março de 2016

A Moda do século XIX

Marina Tavares Dias
em

A Moda em Lisboa




«Símbolo por excelência do Romantismo, a saia de merinaque, com os seus arcos de barbas de baleia e a sua estrutura de gaiola, ficará para sempre ligada à época de ouro do Passeio Público. Madame Seissal foi a primeira lisboeta a ostentar crinolina, sendo vaiada e coberta de ridículo em pleno Passeio, recolhendo precipitadamente a casa. 






Mas por volta de 1860 já se usava crinolina mesmo nos veraneios pela praia ou nos piqueniques campestres, e até as figurantes do Teatro de S. Carlos exibiam sempre saias de balão, mesmo quando o libreto da ópera contava uma história passada na Antiguidade clássica.






Dançava-se de crinolina nos salões, sempre com mil cuidados para que a proximidade do par não permitisse o desequilíbrio da estrutura: um leve encosto pela frente levantava a saia atrás, desvendando tudo o que estivesse ou não por baixo. 






[...] Quem saísse à tarde para o Passeio Público encontrava um verdadeiro mar de merinaques cobertos de todas as cores, tecidos e enfeites possíveis. A silhueta da mulher voltara às composições aparatosas e à prisão das formas caricaturais. Mesmo assim, os puritanos reclamavam contra o uso de crinolinas: segundo eles, estas podiam muito bem refugiar, sob a abóbada das barbas de baleia, um amante oculto.»

(continua no livro)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

OS GRANDES FUTEBOLISTAS DAS DÉCADAS DE 1920 E DE 1930






VER em:
HISTÓRIA DO FUTEBOL EM LISBOA
de 
MARINA TAVARES DIAS
Equipa-sensação de futebol , nos Jogos Olímpicos de 1928. Lisboa inteira na rua para os receber na Câmara Municipal. Lá em cima, o maior avançado português antes de Peyroteo e Eusébio: Pepe, do Belenenses, então no pico da popularidade. 'Sic transit...'


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FERNANDA

MARINA TAVARES em LISBOA DESAPARECIDA:

«Particularmente agreste a tratar as mulheres, a má-língua popular celebrizou algumas por muito pouca coisa: a Libânia das Sinas, porque vendia as ditas numa caixinha de pau, ou a Madame Rebolona, porque tinha o costume de passar o dia a ler nos jardins. Poucas conheciam o proveito da fama que lhes era imposta. A sua única diferença era, muitas vezes, uma liberdade menos vigiada, na época em que - como dizia o «Pinheiro Maluco» (figura popular em 1920) - as mulheres se queriam em casa a coser meias. Mas houve quem tivesse vivido à altura do seu mito. Essa assombrosa mulher usava o pseudónimo de Preta Fernanda.»
Nascida em Cabo Verde, na ilha de S. Tiago, em Maio de 1859, Fernanda do Vale recebeu baptismo bem diferente do seu posterior "pseudónimo literário" [.../...].

A sua história completa está contada no volume III 
da LISBOA DESAPARECIDA
de MARINA TAVARES DIAS


Preta Fernanda, toureira 
(aguarela da Alberto de Souza, 1912) 


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

OS CAFÉS QUE FIZERAM HISTÓRIA DA CIDADE

Marina Tavares Dias em
prefácio de
OS CAFÉS DE LISBOA:

«Não há futuro sem memória. Por isso os antigos chamaram à Memória a mãe de todas as musas. O espaço cercado das cidades actuais, na sua azáfama diária, no seu trânsito caótico, nos seus eixos projectados para a periferia, parece ter consumido, portas dentro, os próprios ecos do passado recente. E os cenários antigos, agora justapostos aos novos hábitos e às novas concepções de espaço, terão perdido o rosto e a forma perceptíveis e primordiais. Ao olharmos para uma fotografia antiga do interior de um café, dos pormenores da sua fachada ou da sua frequência, pouco ou nada saberemos ver do que realmente lá esteve. Essa imagem enganadora está longe de valer as tais mil palavras. Atesta um aspecto incapaz de projectar a sua própria leitura neutra pois, para lá do que ali vemos, existe o que aquilo foi. Num tempo com outras motivações, outros hábitos, outros contextos estéticos, a imagem que resta mostra apenas o óbvio, ou o que hoje se nos afigura como tal.» 

(continua no livro)





quarta-feira, 23 de julho de 2014

RUA DO MUNDO

MARINA TAVARES DIAS
em
LISBOA DESAPARECIDA
volume IV: O Bairro Alto.

A ancestral Rua Larga de S. Roque (depois apenas Rua de S. Roque), cujo nome mudou três vezes em menos de um século. Hoje, é Rua da Misericórdia. Mas deveria voltar a ser Rua do Mundo. Dos três grandes jornais matutinos de 1910 que receberam o nome das ruas que então os albergavam, apenas O Mundo, por ser republicano, foi «apagado» pelo Estado Novo da toponímia da cidade. Tanto a Rua do Século como a Rua do Diário de Notícias (que dali se mudou logo em 1940) ainda existem como tal.
O Bairro Alto é, historicamente, a «casa» dos jornais. E daqui mandamos as nossas homenagens à - ainda - próxima e excelente Casa da Imprensa.


 Bilhete postal ilustrado.
Fototipia com cor litografada.
Edição Faustino Martins, c. 1912 sobre cliché da décade de 1900




Sede do jornal O Mundo, no edifício
que hoje alberga a Associação 25 de Abril (AMCL)

terça-feira, 29 de abril de 2014

O Amola- Tesouras das nossas ruas

Alguns dos pregões (anúncios ambulantes) mais repetidos ao longo de todo o século XIX são impossíveis de reproduzir graficamente. O do ferro-velho, por exemplo, que se resumia a um rangido áspero, estridente, interminável. O uivo do galego aguadeiro, servindo de mote para assustar meninos mal-portdos. Ou o silvado da gaita do amola-tesouras-e-navalhas, hoje sobrevivente quase isolado no cancioneiro das ruas. Agora quase sempre de biccicleta (embora ainda os haja de «aparelho» completo; rodas e lima, circulando no pino da afinação.
Com a crise, multiplicaram-se. Para os estrangeiros, sobretudo para os franceses dedicados à cartofilia, é difícil explicar que um «petit métier» dos mais antigos e cotados em termos de postais antigos ainda existe em Lisboa, ao virar da esquina, para quem queira fazer postais «animés», «non-posés» e... editados em 2014.

MARINA TAVARES DIAS
«Vendedores e Pregões»,
um dos capítulos da
LISBOA DESAPARECIDA