CINCO MESES, 3 MILHÕES DE VISITANTES
[...] Na sua área de 560 mil metros quadrados, a Exposição do Mundo Português receberá 3 milhões de visitantes, de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940. Entre eles estarão alguns estrangeiros privilegiados – como o escritor Antoine de Saint-Exupéry – que podem viajar pela Europa em guerra. Assim como quase todos os intelectuais portugueses que se opõem ao regime. Jaime Cortesão é visto às compras nos stands de artesanato, seguido de perto por um agente da PIDE.
[...][...]
A memória da grande festa, principal legado da Exposição do Mundo Português aos lisboetas, vai-se extinguindo com as gerações que passam. O quotidiano voltou ao normal logo em 1940, à medida que se esvaziavam os primeiros pavilhões. Outros, apeados muito mais tarde, por ali ficariam, à mercê da chuva e do sol. [...] (continua)
MARINA TAVARES DIAS
Excerto de texto jornalístico
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segunda-feira, 24 de março de 2014
domingo, 9 de março de 2014
CINEMA: AS COMÉDIAS À PORTUGUESA
Capa de partitura musical editada pela casa Sassetti,
com canções do filme A Canção de Lisboa, de Cottinelli Telmo
Ao longo das décadas seguintes, grandes sucessos da «comédia à portuguesa» vão reproduzir à exaustão o universo pequeno-burguês da Lisboa bairrista. Pleno de personagens argutas, bailadeiras, cinéfilas, modernaças, amantes da pinga, ambiciosas, mentirosas, pouco dadas ao trabalho e frequentemente amorais.
No epílogo, quase sempre, saem triunfantes sobre os chamados «botas de elástico», através de uma inversão de valores que nem sequer propõe julgamentos.
As comédias do cinema sonoro penderão, pois, para o avesso do regime que as acolheu como arte, e que nunca consegue encaminhá-las para o moralismo do «poucochinho mas honrado».
Analistas e historiadores futuros falharão quase sempre ao tentarem ligar este universo, basicamente «revisteiro», herdado de Oitocentos e sedimentado na Primeira República, à opção deliberada pela propaganda do Estado Novo. [.../...]'
Excerto de um texto
de
MARINA TAVARES DIAS
para a revista
VISÃO
(2013)
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