quarta-feira, 28 de maio de 2014

PEÇAS DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS

PEÇAS CURIOSAS 
DO ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS





Na primeira década da segunda metade de Oitocentos, rara seria a família nobre ou burguesa que não tivesse, em cima da mesa da sala, o álbum das fotografias «carte-de-visite». Presume-se que terá sido o fotógrafo Disderi, com atelier em Paris, quem as celebrizou. Há quem diga que as inventou também. Pequenos rectângulos de papel albuminado serviam para captar a luz do negativo. Estas fotografias eram, depois, montadas em cartolinas, geralmente com o nome ou logótipo do fotógrafo na base ou no verso do cartão.

Ainda hoje, aparecem aos milhares, em leilões «on line», em feiras, em qualquer parte onde se vendam papéis velhos.

O que pouca gente saberá é que, ao serem entregues ao cliente (que geralmente encomendava meia ou uma dúzia), vinham em pequenas caixas de cartolina lavrada a quente, com desenhos, pequeno fecho e o nome do fotógrafo. Dessas caixas só sobreviveram aquelas cujas fotografias nunca chegaram a ser dadas a amigos ou parentes.

Aqui está a caixa para cartes-de-visite da Photographia Universal, na Rua Oriental do Passeio Público, Lisboa (correspondia ao actual lado oriental da Avenida da Liberdade, rasgada entre 1879 e 1886). A julgar pelas fotos no interior, deve datar dos anos entre 1865 e 1870.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Arquivo Marina Tavares Dias









Tal como ninguém lhe pode exigir a si, caro leitor, que divulgue contra vontade a fotografia do casamento dos seus pais (por se tratar de documento importante para estudo dos costumes de uma época - e por ser propriedade artística do fotógrafo que a tirou), assim também ninguém pode obrigar um coleccionador de imagens e objectos a divulgá-los, se tal não quiser.

Com os arquivos públicos, como a própria designação indica, não se trata do mesmo. São propriedade do Estado; ou seja, de todos os portugueses. Os seus conservadores são pagos com o dinheiro dos nossos impostos e as peças foram, quase sempre, doadas ou herdadas, sem custos, de palácios e conventos. Os arquivos públicos devem estar abertos e ao serviço de todos os imvestigadores.


Mas, a par deles, existem colecções privadas maravilhosas que nunca foram vistas pelo público em geral. Que só divulga quem quer. Ou quem pretende tirar disso dividendos, influência, contratos com o Estado, etc. Ou então, quem é generoso; quem pratica serviço público voluntário. Existe uma coisa que se chama «direito de posse».


 O ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS é composto por cerca de 40 mil documentos em vários suportes (sobretudo papel), originais de várias épocas e comprados pela escritora ao longo de toda a vida. A maior parte nunca foi publicada, assim como nem todas as fotografias dos muitos livros da autora lhe pertecem. Alguma dessa iconografia, por o respectivo tema - sempre referente ao texto de cada livro - não estar entre o acervo, foi solicitada, e paga, a outras instituições. Essas imagens, claro, não fazem parte das referidas 40 mil peças, embora possam estar em alguns livros de MTD.

Quanto a doações, que nos conste, não existem entre os originais. A investigadora pagou todas as peças de época do seu próprio bolso, em leilões, alfarrabistas, antiquários, feiras de coleccionismo nacionais e estrangeiras, etc. MARINA TAVARES DIAS nunca processou quem copia imagens do seu arquivo pessoal. Mas resta-lhe, ainda, dar a conhecer, e descrever em pormenor  e em termos históricos, muitos milhares de peças. 








sábado, 17 de maio de 2014

STEPHANIE, STEPHANIA, ESTEFÂNIA





MARINA TAVARES DIAS 
EM 
LISBOA DESAPARECIDA VII (2001):

«[...] Da primeira vez que entrara, a aia que a acompanhava sentira-se mal[ ...], desculpando-se que a crinolina do vestido não passava porta tão estreita. Estefânia dobrou a sua própria crinolina em duas, seguindo decidida até à escada [...] que conduzia ao quarto [...] da doente. Fazia sempre as camas e batia os colchões de palha, aparentemente sem medo de contrair [...] maleitas, numa época anterior à penicilina, em que a exposição a ambiente insalubre representava perigo hoje impensável [...]

Quando o pai das crianças sofreu um acidente grave que o incapacitou de trabalhar, [...] passou a visitá-los duas vezes por dia, levando sempre consigo almoço e jantar para 12 pessoas. » [CONTINUA NO LIVRO]













sexta-feira, 9 de maio de 2014

Pobres AVENIDAS NOVAS



Traçadas no final do século XIX, de acordo com o plano urbanístico de Ressano Garcia, as avenidas que partem da Rotunda (ou Praça Marquês de Pombal) determinaram a expansão de Lisboa num eixo que aponta para norte. Foram baptizadas "Avenidas Novas" pelo povo de Lisboa. Foram também ricamente decoradas com alguns dos exemplos mais conhecidos da arquitectura portuguesa dos primeiros anos do século XX, incluindo a maior parte dos edifícios que receberam, então, o célebre Prémio Valmor. Por ganâncias várias, esses edifícios foram quase todos substituídos, ao longo das seis últimas décadas, por construções incaracterísiticas e de volumetria exagerada. Restam alguns exemplos importantes, e um quarteirão praticamente intacto com referências que vão dos finais de Oitocentos até à década de 1930.


Capítulo sobre as AVENIDAS NOVAS
no segundo volume da
LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS

Foto: o edifício Silva Graça, mais tarde convertido em Hotel Aviz e agora substituído pelo do Hotel Sheraton, entre as avenidas Fontes Pereira de Melo e Cinco de Outubro. Em baixo: Vista aérea da Avenida da República, sobre o Mercado Geral de Gados (posteriormente terrenos da Feira Popular).





segunda-feira, 5 de maio de 2014

LISBOA DESAPARECIDA
de
MARINA TAVARES DIAS
Excerto do capítulo "Vendedores e Pregões"

«Pela manhã dentro, os vendedores de fruta, hortaliça, leite e doces chegavam dos arredores saloios. Cabaz à cabeça ou burro pela arreata, eram esperados em todos os bairros. Muitos pregões necessitariam de tradução, se não fossem já bem conhecidos dos lisboetas: "Tamari-dôôôô!"; "A vinte-cincô-salami!"; "Éééé-chega-lá-vaquííínha-chega!".
[...]
Os forasteiros espantavam-se com o hermetismo de algumas destas mensagens publicitárias, e com o facto de em Lisboa tudo se mercar à porta de cada um, como se não houvesse locais para tal destinados.[...]»


segunda-feira, 28 de abril de 2014

OS GALEGOS

Em 1800, os galegos imigrados em Portugal são já perto de 80 mil. Ao longo dos 100 anos seguintes, dedicar-se-ão sobretudo à venda ambulante de água pelas ruas de Lisboa. Estão por todo o lado: entre o Rossio e a Arcada do Terreiro do Paço, entre os ministérios e o cais, à porta dos armazéns, à esquina das ruas da Baixa, aos montes no Chiado, onde havia um largo conhecido por "Ilha dos Galegos". 

Só aguadeiros, em Lisboa, são 3.454 por volta de 1830. Mas servem ainda para levar a trazer recados, para entregar encomendas ou fazer mudanças de casa. Dois galegos e uma corda podiam transportar quase toda a mobília de uma sala, dizia-se então. 

E dizia-se também que um amor sem galego era um amor sem pés. Que seria dos namorados sem este distribuidor de bilhetes amorosos, num tempo em que quase todos os romances tinham de 
esconder-se da ira paterna?




quinta-feira, 24 de abril de 2014

O 25 de Abril do José Antunes

Já ouvi e li esta fotografia atribuída a mais de dez pessoas.
Quem morreu não se defende; mas quem a tirou, num ano em que eu ainda andava nos bancos da escola, foi o meu futuro colega do 'Diário Popular', o grande fotógrafo da sua geração: José Antunes.

E sim, vi o negativo, e a sequência toda. Não é no Carmo. É à porta do elegante Paris em Lisboa, no Chiado. Após eventual fuga de agentes da PIDE, vindos da António Maria Cardoso. Havia uns 40 fotógrafos neste sítio. Mas esta fotografia específica, que se transformou num dos logótipos do 25 de Abril, é do JOSÉ ANTUNES.

Através dela aproveito para homenagear aquela geração de repórteres de mão-cheia, que apanhei no apogeu da carreira quando, aos 18 anos, comecei a escrever e a publicar.
Saudades vossas. Saudades de Abril, também.

Saudosista, eu? - Nem por isso. Sempre escrevi sobre a História da cidade. Nada que tivesse visto. Nada que tivesse sido meu.
Mas de vós, sim, tenho saudades. Do tempo em que ser jornalista era partir em busca da notícia. Aprendi tudo convosco. Os que vieram depois não sabem o que perderam.'

MARINA TAVARES DIAS


Esta prova fotográfica específica
foi impressa por José Antunes 
em grande formato e oferecida
à Direcção Geral da Comunicação Social.
Durante anos, o fundador 
da Fototeca do Palácio Foz,
Avelino Soares, 
teve-a em destaque, à entrada
deste precioso arquivo fotográfico 
(extinto quando Carrilho foi ministro da Cultura)

sábado, 5 de abril de 2014

O HOSPITAL OFERECIDO PELA RAINHA À CIDADE






Stéphanie 
(técnica mista; Arquivo Marina Tavares Dias)



«D. Estefânia, calma e breve, foi uma das rainhas mais queridas pelos lisboetas do seu tempo. A sua sombra estende o nome por todo um bairro da capital, construído à volta do hospital pediátrico com que sonhou.

[...]No ano em que D. Estefânia chegou a Lisboa (1858), os terrenos onde seria construído o hospital pertenciam à velha Quinta da Bemposta [...]. A sua ideia de prover a cidade de um hospital pediátrico foi rapidamente acarinhada pelo marido, D. Pedro V, que pediu ao Príncipe Alberto, marido da Rainha Vitória, que lhe enviasse um plano traçado por arquitectos ingleses e que correspondesse ao que de mais moderno se construía na Europa desse tempo. Mortos prematuramente D. Estefânia e D. Pedro V, foi já no reinado do irmão deste último, D. Luís, (a 17 de Julho de 1877) que decorreu a inauguração.» [...] (continua no livro)

MARINA TAVARES DIAS
LISBOA DESAPARECIDA,
capítulo: 
«D. Estefânia: 
uma Rainha, 
um hospital, 
um bairro» (2001)













terça-feira, 1 de abril de 2014

By the seaside, Tejo adiante.

Histórias à beira-Tejo plantadas, para turista ler:

http://lostlisbonportugal.blogspot.pt/2014/04/by-seaside.html

Ou seja: Lisboa desde a moda da pele assustada pelo Sol
aos tempos do bronzeado.
De Pedrouços até Cascais.






segunda-feira, 31 de março de 2014

CHIADO ABAIXO




...numa manhã do Outono de 1912, duas costureiras dos elegantes armazéns trazem consigo a merenda da tarde. Vestem de acordo com o figurino importado, mas o tecido é, provavelmente, dos saldos do Grandella: fim de peça e fim de estação. O fotógrafo Benoliel retratou dezenas de costureirinhas para reportagens da "Illustração Portugueza" sobre os novos hábitos da mulher trabalhadora a "viver fora de casa". Na foto, à esquerda, a montra da casa Ao Último Figurino (mais tarde, Novo Figurino), fundada em 1910. Mais acima, a loja de ferragens Shefield House e um salão de chá, onde mais tarde se instalaria A Pompadour.

Em MARINA TAVARES DIAS
PHOTOGRAPHIAS DE LISBOA