domingo, 12 de junho de 2011

ALEXANDRE HERCULANO


Alexandre Herculano, poeta, romancista, historiador e mestre pela rectidão de carácter que todos os amigos enalteciam era igualmente o mais famoso dos agricultores. Na época em que o azeite, como Bordalo refere, foi combustível para candeias, Herculano inventou o mais fino «azeite de prato». Tratou de o pôr à venda em Lisboa, na mais famosa mercearia do Chiado elegante: o Jerónimo Martins. Ganhou uma medalha na Exposição Universal de Paris e o hábito de se ver caricaturado vestido de azeiteiro, com lata e funil, desprezando intelectuais seus pares em direcção à porta do merceeiro. Gomes de Brito conta como foi apresentar Bordalo Pinheiro a Herculano, na Livraria Bertrand do Chiado, em 1870. O caricaturista vinha pedir autorização para publicar o desenho mais tarde célebre, e Herculano mostrou-se envergonhado mas complacente: «Sim, senhor; sim, senhor!» Que estava parecido e que não ofendia a seu «carácter moral». Azeiteiro, pois, e sem problemas em o reconhecer, pelo que no «Álbum de Costumes Portuguezes» (editado por David Corazzi em 1888), é Columbano quem o retrata, utilizando como base a fotografia de um azeiteiro de rua, cujo rosto substitui pelas feições do historiador. A fotografia que serviu de base à aguarela e à estampa era desconhecida. Foi desvendada no volume IX da «Lisboa Desaparecida».

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Rainha D. ESTEFÂNIA


Rainha D. Estefânia fotografada por Francisco Gomes em 1858 (Arquivo MTD).

O Hospital de D. Estefânia é ideia sua,surpreendida que ficara ao ver as crianças de Lisboa serem tratadas em hospitais para adultos. Mais de século e meio depois, com o previsto encerramento do seu hospital (hoje o único pediátrico do Sul de Portugal), o que foi considerado sórdido em 1858 vai voltar a acontecer


A Rainha D. Estefânia destinou a maior parte do seu dote de casamento à construção do primeiro hospital pediátrico de Lisboa e de Portugal. Fê-lo em 1858, após verificar as condições degradantes em que as crianças doentes da capital eram tratadas nos hospitais então existentes.

Por sua morte, o marido, Rei D. Pedro V, não deixou esmorecer tal sonho. Para que se construísse um hospital pioneiro e ao nível dos melhores da Europa, cedeu parte da Quinta da Bemposta, propriedade da Casa Real.

Hoje, o hospital continua a ser único e imprescindível para quem mora em Lisboa. E o parque que o circunda é uma das poucas manchas verdes que restam no centro da cidade. Mas tudo isto não impede quem, movido por interesses vários, pretende deixar Lisboa sem hospital pediátrico.

domingo, 29 de maio de 2011

Hospital de D. Estefânia


Começou o «abate» do
Hospital de D. Estefânia.

Nestas coisas de destruição da cidade, já pouco me revolta. Este triplo atentado (histórico, patrimonial e ao bem da comunidade) faz-me abrir uma excepção.

Em 2009, fiz uma página no Facebook para defender a obra da Rainha D. Estefânia (Hospital de D. Estefânia: Nós estamos contra o encerramento»). Duvido que consigamos seja o que for, contra especuladores e PPPs. Mas é obrigação de todos os lisboetas não deixar morrer o assunto.

Este atentado é a coisa mais grave que se programa contra a nossa cidade e as futuras gerações aqui nascidas. Mesmo eu, habituada a toda a espécie de destruição do património, não consigo deixar de ficar pasmada. E já repararam na política de silêncio do Ministério da Saúde (cujas «fontes» nada mandam para os jornais)?

Já repararam no verdadeiro atestado de incompetência que isso representa? - Neste assunto de alienação de património, e mesmo que implique maltratar a saúde das nossas crianças, o MS nem sequer é ouvido ou achado. Valores mais altos...

Começou o abate do Hospital, com a decisão inacreditável de encerrar o bloco de partos a 6 de Junho de 2011. Edifício modelo, com obras de pouco mais de uma década e funcionamento considerado exemplar em termos técnicos e humanos. A partir de Junho, uma criança que nasça doente na Maternidade Alfredo da Costa é separada da mãe, para ir para o Hospital de D. Estefânia. Pareceria anedota, se não fosse aquilo que é.


MARINA TAVARES DIAS

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Café Chave d'Ouro - no Rossio



ARQUIVO Marina Tavares Dias
Café Chave d'Ouro, no Rossio. Inaugurado em 1916. Encerrado em 1959. No livro «OS CAFÉS DE LISBOA».

GALEGO AGUADEIRO




Galego aguadeiro. Postal ilustrado. Fototipia litografada, c. 1910. Em Lisboa Desaparecida de Marina Tavares Dias, volume II, capítulo «Vendedores e Pregões».

domingo, 24 de abril de 2011

Benfica. Igreja e Ribeira de Alcântara

ESTRADA DE BENFICA
na Lisboa Desaparecida

A Ribeira de Alcântara entrava em Lisboa, como já vimos, a sul das Portas de Benfica. Seguia quase paralela à estrada, atravessando as terras que a ladeavam. Mais adiante, em frente da igreja paroquial, passava pelas propriedades da Casquilha e da Feiteira. Na zona de S. Domingos, seguia pela cerca do convento, pela Quinta de Devisme, pelas terras do Lameiro e do Monteiro dos Milhões, correndo depois no leito da actual Rua António Saúde. O Diccionario Etnographico de 1870 chama à ribeira "Rio de Benfica", sugerindo, talvez, uma designação que lhe era atribuída naquela zona.



Lisboa Desaparecida,
de Marina Tavares Dias,
volume III,
capítulo Os Arredores.
Gravura de 1861.

domingo, 17 de abril de 2011

ARDINA LISBOETA, c. 1900

Ardina lisboeta.
Postal ilustrado litografado, c. 1906
(Lisboa Desaparecida,
volume III, capítulo Costumes)

Avenida da República antes de 1910

Avenida da República antes de 1910. Quarteirões anteriores à Praça do Campo Pequeno, direcção Entre-Campos - Saldanha. Esta perspectiva é rara, em fotografias desta época. (Postal ilustrado antigo, fototipia litografada, edição Faustino Martins, escolhido para a capa de «Lisboa Antes e Agora» de Marina Tavares Dias.)

domingo, 10 de abril de 2011

REI D. CARLOS numa fotografia única


A mais extraordinária fotografia do Rei Dom Carlos é provavelmente esta, tirada por Joshua Benoliel durante um torneio de florete presidido pelo Rei, na Tapada da Ajuda, em 1907.

Ao lado, fardado, o Infante D. Afonso. O Rei muito mais informal, traja casaco sem bandas e colete de gola, calça 'pied-de poule' e chapéu mole. Pela primeira vez e talvez única vez, o fotógrafo apanhou-lhe o sorriso rasgado, revelando dois dentes nitidamente tortos. Não se preocupa, sequer, em esconder o curativo que lhe protege o dedo queimado pelo calor do charuto.

A imagem foi considerada tão excepcional que vários editores de postais ilustrados a reproduziram na época, mas a riqueza de pormenores apenas é perceptível numa ampliação razoável e a partir do original, como a que aqui mostramos.


Negativo e prova originais

pertencentes ao ARQUIVO MARINA TAVARES DIAS.

Fotografia seleccionada para a capa de «D. Carlos», biografia publicada por Marina Tavares Dias em 2007.


Numa oferta especial para os leitores do blog Lisboa Desaparecida, aqui fica um boa resolução da referida fotografia. Todos os direitos reservados.